Crônicas

NOSSA EXTINÇÃO

Campista Cabral
Escrito por Campista Cabral

Somos controlados por satélites, guiados por GPS, observados por câmeras 24 horas, teleguiados, direcionados, enfileirados, monitorados o tempo inteiro!

Processadores, cabos e chips redesenham o que somos, do que gostamos e o que sentimos!

E há aplicativos para ensinar as coisas mais complexas: abrir latas, fazer barquinho de papel, limpar vidro e outras coisas indispensáveis à vida!

Ficamos surpresos com as maravilhas e pensamos como conseguimos chegar até aqui sem nada disso?

Quando corremos ou, simplesmente, andamos, há programas que registram os batimentos cardíacos e a quantidade de passos que damos. Tudo isso para nos deixar seguros e para certificar a cada cinco minutos de que tudo está perfeitamente bem!

Mas perfeitamente bem o quê?

Cada vez menos sangue.

Cada vez mais fios!

Cada vez menos olhos.

Cada vez mais telas!

Cada vez menos toques.

Cada vez mais imagens!

Cada vez menos humano.

Cada vez mais um subproduto que eu nem sei direito como chamar…

E sentimos menos o outro.

E sentimos menos o vento!

E sentimos menos nosso coração!

Queremos ter a certeza do computador, mas perdemos pouco a pouco o sentido de tudo…

Queremos a objetividade dos dados ultra confiáveis, mas nos distanciamos do mundo real…

Queremos a instantaneidade das coisas e das pessoas e, com isso, fragilizamos ainda mais nós mesmos…

Temos então o grande paradoxo do mundo pós-moderno: numa ponta, a sociedade dos avanços nunca antes experimentados, na outra, guerras mais arrasadoras e metrópoles sitiadas pela violência!

Criamos, hoje, um mundo de esperança e de desilusão. Um mundo de muita informação, mas de grande ignorância.

Criamos um mundo sem tempo, apressado, corrido, louco e desregulado.

Criamos a necessidade da hiperconexão!

Vivemos a dependência da superexposição!

E achamos graça nas invenções que reinterpretam nosso modo de ver, agir e sentir como se nenhuma experiência fosse boa o bastante para esse novo mundo!

E assim, na era das superficialidades, temos um mundo chato, sem cor, de águas poluídas e de árvores retorcidas, nada mais que isso…

Não quero viver com fios e chips em mim!

Quero ser verdadeiramente humano!

Saber que erro, saber que posso não encontrar um endereço, saber que posso me machucar…

Não preciso de um aplicativo que me mostre tudo, que me indique tudo! É bom arriscar…

Estamos perdendo o melhor de nós e, com isso, vamos levando junto o nosso planeta.

Enfim, o poeta terminaria esta crônica com uma taxativa exclamação: como o ser humano é besta! Meu Deus!

 

 

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Sobre o Autor

Campista Cabral

Campista Cabral

Escritor, poeta e cineasta amador. Publicou quatro livros. O REI, O POETA, A MULHER E O MAR (contos), TERRA BRASILIS (crônicas), PARA ENTENDER UMA NOVA EDUCAÇÃO (livro voltado para os problemas da educação no século XXI) e FORMAÇÃO DOCENTE E PRÁTICAS INOVADORAS (livro sobre novas práticas docentes no ensino superior). Realiza anualmente o FESTIVAL DE CINEMA DE TERESÓPOLIS e, dentre alguns trabalhos na área, destaque para o filme NOITES COM SOL (2011) e os documentários PALAVRAS (2008), CAMINHOS EUCLIDIANOS (2012) e O QUE É FELICIDADE? (2013). Escreve regularmente para o Escritartes (www.escritartes.com) e Recanto das Letras (www.recantodasletras.com)

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