Crônicas

O Castelo de Cartas e o Feijão

Campista Cabral
Escrito por Campista Cabral

Cartas ao vento e confusão. Brisa, sopro, vento e furacão…

E cartas aos milhares ao chão!

Assim está a política brasileira, como um castelo de cartas arrasado, derrubado por golpes, contragolpes e pseudogolpes!

E a cena que imagino é exatamente a da tomada da bastilha, nos tempos da Revolução Francesa. Sem pão e sem espaço, camponeses e burgueses avançaram e tomaram e destruíram o símbolo da monarquia!

Depois disso, sabe-se que cabeças, muitas, rolaram literalmente, após conturbada discussão.

Mais uma vez, coloco aqui em questão a falência de um sistema, o fim de um modelo, os destroços de uma estrutura. Não é possível pensar o país com o que temos atualmente. Não é possível construir ou reconstruir esse mesmo país com os esquemas e negociatas tão comuns no trato com o que é público. Não é possível pensar política com o que fizeram com a política! O que, vulgarmente chamamos, politicagem!

As denúncias continuam, novos escândalos surgem e parece uma história sem fim! E qual o resultado disso tudo? Um país ainda mais desacreditado, um país ridicularizado, terra onde se pode tudo, onde se faz tudo e quase nada acontece!

A prisão de alguns nomes já sinaliza mudança, mas é pouco para o estrago provocado! É um movimento tímido diante da proporção dos problemas.

E as cartas continuam a cair porque muitos ventos forçam as “muralhas”…

Hoje, o caos predomina na Terra Brasilis: diversas greves, estradas interditadas, escolas ocupadas, hospitais abandonados e mais impostos!

E o preço do feijão já está fora de órbita!

E assim, como o pão, alimento tão básico, mas bastante simbólico, representou a resposta dos oprimidos, o querido feijão sinaliza pratos ainda mais vazios, acentuando a pressão e o desespero!

O castelo de cartas já não se sustenta e as suas bases, corrompidas e fracas, denunciam o princípio do fim. Sem pão ou sem feijão, os esfomeados aumentarão. A fúria aumentará! Outras e mais greves acontecerão, mais pneus queimados nas estradas assustarão… Enquanto isso, com as velhas jogadas, alguns movimentos da ilusória esquerda se farão e, terrivelmente, salvadores da pátria da extrema direita aparecerão…

Algumas torres ainda continuam em pé, mas o entorno e partes da muralha já desabaram… Só falta avisar!

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Sobre o Autor

Campista Cabral

Campista Cabral

Escritor, poeta e cineasta amador. Publicou quatro livros. O REI, O POETA, A MULHER E O MAR (contos), TERRA BRASILIS (crônicas), PARA ENTENDER UMA NOVA EDUCAÇÃO (livro voltado para os problemas da educação no século XXI) e FORMAÇÃO DOCENTE E PRÁTICAS INOVADORAS (livro sobre novas práticas docentes no ensino superior). Realiza anualmente o FESTIVAL DE CINEMA DE TERESÓPOLIS e, dentre alguns trabalhos na área, destaque para o filme NOITES COM SOL (2011) e os documentários PALAVRAS (2008), CAMINHOS EUCLIDIANOS (2012) e O QUE É FELICIDADE? (2013). Escreve regularmente para o Escritartes (www.escritartes.com) e Recanto das Letras (www.recantodasletras.com)

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