Crônicas

O kafkiano Kafka era mais que um adjetivo

Humberto de Almeida
Escrito por Humberto de Almeida

O meu sobrinho não conhece Franz Kafka. Estranhou quando eu lhe disse num papo que Kafka, assim como o nosso Aurélio por aqui virou sinônimo de dicionário, ele virou adjetivo no mundo todo. Kafka?! Procurou na mente e não encontrou nenhum adjetivo que lembrasse o escritor. Facilitei.

E kafkiano? Nada disse. Sem conhecer Kafka não poderia deduzir o que esse “kafkiano” seria. Não conhece o “Processo”, um de seus livros mais kafkianos, Nem Metamorfose, aquele do “bicho feio”. Monstruoso. Nem o “Castelo”. Nada ele sabe sobre esse checoslovaco.

Muito curioso o meu bom sobrinho desconhecedor de Kafka, pediu-me então para dizer o porquê desse… Como é mesmo? Adjetivo Kafkiano. E mais curioso ainda ficou para saber o “porquê” da transformação do seu nome – Kafka – em “adjetivo. Expliquei-lhe contando sobre a sua – do Kafka – primeira transformação.

 

– “Quando certa manhã Kafka, aqui chamado de Gregor Samsa, acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se metamorfoseado num inseto monstruoso”.

 

O meu sobrinho não entendeu por que essa foi a primeira transformação de Kafka. Por quê? Simples: nunca leu a sua – dele não, do Kafka – “Metamorfose”. Não compliquei. Não sou complicado. É Kafka quem pela vez dele, considerando o que fora por ele escrito e contado, era quem complicado parecia ser. E era.

O adjetivo “kafkiano” espalhado num dos parágrafo ai de cima, segui na explicação, mesmo sendo “escuro” procurei ser claro. Ele veio das situações obscuras, terríveis que ele, Kafka, criou em seus romances. Especialmente em O “Processo” e nesse do Gregor Samsa, “Metamorfose”, desconhecidos por ele. Ali Kafka (nada a ver com Ali babá) coloca algumas situações em que a porca torce o rabo ou sem o seu – da porca, o seu não – rabo fica.

Sabe o que uma “sinuca de bico”? Balançou a cabeça afirmada mente(sic). Sabia. Pois é. Em alguns casos criados por Kafka a sinuca de bico é fichinha. E para sair dela o sujeito nem precisa ser um Rui Chapéu. Sorriu. A lembrança daquele “craque do taco” criado pelo Luciano do Valle fê-lo (epa!) sorrir. Repetiu o kafkiano” nome de Kafka (gostei) baixinho. Tudo para fixá-lo na memória. Os lábios balbuciaram. Escandiram as silabas. K.A.F.K.A.

O pai de Kafka, aproveito enquanto memória ainda está em dia com os fatos e atos, era um comerciante que nunca jamais em tempo algum, lembrando a frase mil ou mais vezes repetida pelos chefes da tribo petista, que o seu filho seria o puto escrito que fora. O filho escrever essas histórias “pavorosas” e com elas ganhar meio mundo ou quem sabe o mundo e meio nunca lhe passara pela cabeça.

E como era Kafka? Perguntou. Era baixinho, feio e complexado por ser assim. Isto é, feio e baixinho. Deixei mais claro. Mesmo assim, dono de uma inteligência muito acima da média, conseguiu ser mais conhecido que os mais altos e belos homens do seu tempo. Especialmente entre os praguenses.

Estranho não? Respondeu que não achou. Estranho achou, disse-me em seguida, era saber que aquele que nasce em praga é praguense. Esse estranhamento deixou-me em dúvidas. É, disse-lhe para em seguida sair deste parágrafo e cair em outro, esse foi o único adjetivo gentílico – ele sabe o que é gentílico – que me veio à cabeça. Se Kafka era checo, como lhe dissera, praguense era mais ainda.

Em tempo: na próxima quinta-feira, neste mesmo espaço, conto pra vocês o que ainda estou contando para o meu sobrinho sobre esse kafkiano e puto escritor.

Um rosebud para todos!

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Sobre o Autor

Humberto de Almeida

Humberto de Almeida

Jornalista e escritor paraibano. Somente um pouquinho mais tarde viria o 1berto de Almeida – nasceu, cresceu, viveu e, mesmo não morando mais em Jaguaribe, nele ainda vive.

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