Crônicas

O Natal é um saco cheio de Papai Noel!

Humberto de Almeida
Escrito por Humberto de Almeida

Parece que hoje é noite de Natal. Parece. Mas só acredito por que os que entendem dessas coisas natalinas dizem, batem no peito e reconhecem a firma. Nenhuma dúvida. Toda noite de Natal é assim mesmo. Diferente. Uma noite do Peru. A comemoração é na véspera. O peru, por sua vez, nessa festa não estará: morre antes.

Em meus tempos de menino-jaguaribe, naqueles em que o Papai Noel deixava o seu trenó e suas renas feitas de sonhos lá fora, descia pelas chaminés todo engomado e limpinho, igual a consciência daquele principezinho cor-de-rosa e xodó de nossas candidatas a miss Brasil; saco não costas de brinquedo – o saco – e ovos de papel entre as pernas e deixava um presentinho debaixo da cama do menininho comportado, eu pensava que a noite de Natal fosse mesmo a noite de Natal. Vocês entendem o que estou querendo dizer. Posso continuar? Obrigado.

Confesso que não sei dizer o motivo ou os motivos, pois, afinal, são muitos, de não gostar da noite de Natal e daquela outra mais chata ainda, a de fim de ano. Um dia são as músicas adocicadas e cheias de apelação fraternais tentando nos impor um aniversário em que o aniversariante é o menos lembrado e os homens de boa (e péssima) vontade estão sempre cheios de cachaça e de fumo; no outro, ainda ressacado, esqueço as músicas e os homens e penso que toda culpa é do Papai Noel. Esse sujeito é saco no mundo de fantasia das crianças.

E as televisões?! Todo dia é de festa! São muitas as promessas que nunca fiz espalhadas no fim de cada ano, feitas por idiotas do momento e levadas ao ar pela rede Globo. Todo ano eles me matam de tédio! Ou melhor: para não morrer de tédio, a cabeça tranquila sobre o travesseiro de sonhos, descarto a vodka – detesto! – e mergulho num copo de uísque sem respirar e sem medo de morrer afogado.

Meu Deus! É fato! As promessas são todas vãs! Enquanto isso a repórter com carinha de presépio de Natal termina a reportagem chamando o Bonner e avisando aos idiotas de fim de ano que no próximo estão convidados para testemunharem se as suas – deles – promessas foram ou não cumpridas. Sempre isso. Mas não seria apenas isso que me leva a declarar minha putice (sic) com o fim de ano e o Natal. Podem acreditar.

Natal e o Fim de Ano são sempre os mesmos. Acabam da mesma forma. É como comer (sic) uma mulher apenas bonita. Até que chega um dia em que ao sair do bar ou descer do trem das sete você encontra uma que é a cara da eternamente falecida Zezé Macedo. E aí? Aí você come a dita cuja e sai como se tivesse comido a mais gostosa das gostosas das mulheres.

Os meus fins de ano e os natais são sempre assim. Saio do primeiro com o saco cheio. E não tendo a mulher que eu quero para descarregar o seu conteúdo – o do saco -, acabo cheio de cerveja e enchendo a garganta de Celite por uma ou duas horas. Uma pausa. Para não ser mal entendido nestas mal-traçadas minhas esclareço ainda aos meus dois leitores que sou um quase abstêmio.

E os abraços e desejos de um Feliz Natal e Próspero Ano Novo? Muitos, diria o meu irmão Dapenha, neste ano distante destas minhas belas plagas “introcáveis, invendáveis e emprestáveis”, lembrando o Vicente Matheus, o eternamente Corinthians, parecem que saem pelo sovaco. Todos suados e num esforço fora do comum para parecerem (olhem o eco! sintam o eco!) naturais!

Sou puto! Mesmo não sendo réu, confesso. Sou putíssimo com o Natal e o Fim de Ano. Se eu pudesse e o meu dinheiro desse eu comprava sem pensar esta terra, esse céu e esse mar e transformaria essas duas datas num grande carnaval. Mas um carnaval puro, verdadeiro, aberto, sem cordões de isolamento, onde todos, mesmo os sem fantasia, reconhecessem os palhaços que são!

Ah, faria mais: todo Natal seria a data do meu nascimento e fim de ano véspera de Natal! Assim quem sabe eu me tornasse um sujeito menos puto. E aí também quem sabe não precisasse correr ao primeiro banheiro para vomitar a cerveja da noite passada. Quem sabe, hein?Até quinta, Isabelas!

Feliz Natal para todos e Próspero Ano Novo? Ó aqui pra vocês! Sentiram? Descrevo: olhem o dedo médio pra vocês!Lutem pela conquista de um Feliz Natal e próspero Ano Novo! Faça por onde merecer!O aniversariante de hoje? Nenhuma duvida: é filho de um Deus que nunca foi santo!Até quinta, Isabelas!

Até quinta, Isabelas!

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Sobre o Autor

Humberto de Almeida

Humberto de Almeida

Jornalista e escritor paraibano. Somente um pouquinho mais tarde viria o 1berto de Almeida – nasceu, cresceu, viveu e, mesmo não morando mais em Jaguaribe, nele ainda vive.

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