Crônicas

O petróleo é nosso?

Campista Cabral
Escrito por Campista Cabral

Picaretas, mutretas, negociatas, cambalachos, toma-lá-dá-cá, jeitinho, é só um pouquinho… e assim, na Terra Brasilis, o dicionário especializado em corrupção ganha sempre um novo vocábulo! Há jeito para tudo! Até para denominar de outra maneira o mesmo ato: roubo!

Na década passada, a imprensa noticiava milhões. Hoje, com os juros na estratosfera, qualquer “combinado” supera os bilhões! É dinheiro que não acaba mais!

No entanto.

Não é que chega uma hora em que acaba? Acaba? Diziam as más línguas que um dia a fonte seca! Além do caos na esfera federal, municípios e estados demonstram toda a fragilidade depois de décadas de jeitinhos: máquina pública quebrada, funcionalismo sem pagamento, obras ruins terminadas e obras péssimas não concluídas!

Há muitas décadas atrás, num outro século aliás, Getúlio Vargas, com as mãos sujas do ouro negro, proclamava aos quatro cantos que o petróleo era nosso! Discurso importante, imagem impactante, sonho delirante de desenvolvimento!

Porém.

Em pleno século da informação e da velocidade, eis que o quadro de várias cidades que recebiam os chamados royalties parece desolador: desemprego, falta de estrutura, sujeira (nos dois sentidos), falta de verba e os problemas crônicos da saúde, da segurança e da educação!

Há muito tempo, com gastos desnecessários em várias áreas, como shows, pirotecnia (pão e circo) e obras rocambolescas, essas cidades agora sofrem com a força da crise ético-moral que tomou conta do país (a crise econômico-política segue a reboque da primeira). Não há dinheiro! Alardeiam os governantes! Não há salário! Sentenciam as autoridades! Mas isso não surgiu do nada!

Ano após ano, descaso atrás de descaso, o que sempre importou foi a maquiagem! Bonitos números em planilhas coloridas anunciando crescimento! De quem?

Nunca acreditei que o petróleo fosse nosso. Acho até que nunca foi nosso. Pagamos pela gasolina mais cara do mundo! E como se fosse impossível piorar, pagamos alto por um produto ruim. O combustível usado aqui é comprovadamente de qualidade inferior!

Certo que não é do João, da Maria ou do José! Certo que não é do povo brasileiro!

Construir prédios, pontes, usinas, portos e depois deixar que tudo se esfarele ou enferruje e se perca com o próprio tempo não é desenvolvimento. É sacanagem!

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Sobre o Autor

Campista Cabral

Campista Cabral

Escritor, poeta e cineasta amador. Publicou quatro livros. O REI, O POETA, A MULHER E O MAR (contos), TERRA BRASILIS (crônicas), PARA ENTENDER UMA NOVA EDUCAÇÃO (livro voltado para os problemas da educação no século XXI) e FORMAÇÃO DOCENTE E PRÁTICAS INOVADORAS (livro sobre novas práticas docentes no ensino superior). Realiza anualmente o FESTIVAL DE CINEMA DE TERESÓPOLIS e, dentre alguns trabalhos na área, destaque para o filme NOITES COM SOL (2011) e os documentários PALAVRAS (2008), CAMINHOS EUCLIDIANOS (2012) e O QUE É FELICIDADE? (2013). Escreve regularmente para o Escritartes (www.escritartes.com) e Recanto das Letras (www.recantodasletras.com)

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