O PODER PARA O POVO

by Campista Cabral | 02/08/2017 19:47

Desde que me entendo por gente, leio, ouço, vejo, nos jornais, nas revistas, na tevê e também na internet a imagem extremamente ruim da América Latina (salvo poucas exceções).

A violência, a pobreza, a corrupção, os regimes ditatoriais e os líderes salvadores são típicas imagens de um território de pilhagem.

Estes líderes aparecem e reaparecem com extrema facilidade, já que o combustível para ascensão de loucos é algo certo como a morte: um sistema político corruptível, frágil e agora, cada vez mais sem representatividade.

Das sombras da pretensa luta entre o bem e o mal, homens e mulheres chegam à presidência de seus países como se heróis fossem. Alguns, descaradamente assim se nomeiam. Detentores da liberdade. Guerreiros que sacrificam a vida pessoal pelo bem maior, a pátria tão vilipendiada, surrada e usurpada! Alguns são vistos como mitos. Outros se sentem como tal.

Poderia fazer uma lista interminável de nomes e histórias, no entanto, prefiro me deter a um: Nicolás Maduro.

Após a morte de Hugo Chávez, o chavismo permaneceu. Continuaram a reverberar no cotidiano venezuelano as verdades do grande chefe. Maduro, atual presidente da Venezuela, é a continuação de uma política parasitária que esfacela o país.

E vemos os confrontos e mortes aumentarem e, proporcionalmente a isso, o gosto pelo poder também. Não importam que sanções virão, não importa a fome. Não importam os protestos, não importa a voz das ruas, a questão é manter as coisas como estão, mesmo que para isso, um país inteiro tenha que sangrar.

E a Venezuela sangra.

Aqui, neste país do improvável, também sangramos. Estamos igualmente esfacelados, com figuras públicas de renome envolvidas no maior lamaçal da história.

No Brasil, o terrível jeitinho e a famosa maracutaia constroem justificativas para o injustificável. Bilhões de reais são destinados para emendas parlamentares, cargos são oferecidos e promessas vãs são feitas para que, a exemplo de Maduro, as coisas continuem do jeito que estão.

Não importa se o povo não aprova o presidente. Não importam os míseros 5% de popularidade. Não importa se alguns atos ou discursos ou manobras beirem a vergonha. Importa sim que as coisas continuem como estão.

O grande problema é que, à direita ou à esquerda, a voz de quem precisa ser ouvido nunca o é. O s anseios de quem busca na sua terra a proteção e nos seus representantes o direito e a justiça, não os encontra.

O que sei é que o significado de democracia vai ficando cada vez mais pálido, amarelecido com o tempo e com a lama. A palavra vai se perdendo de si mesma e se distanciando de nós como se nunca tivesse existido…

 

 

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