Crônicas

O retorno de um cronista com um texto que deveria ser todo ele sobre a persistência daqueles que amam

Elano Robeiro
Escrito por Elano Robeiro

Há dez anos e meio, o Lung, editor do “Crônicas Cariocas”, me convidou para escrever crônicas para essa revista eletrônica a cada 15 dias. Aceitei de imediato, mesmo sem nunca ter escrito um texto dessa natureza. Até então, eu escrevia contos e poesias.

Comecei com um texto que eu mesmo não gostei cem por cento. O segundo foi sobre o carnaval. Lembro-me do título: “Arlequins, pierrôs e colombinas, lá vem o carnaval”. E acho que por se tratar de um assunto que eu gosto muito (…é carnaval, diga logo quem é você…), achei essa crônica bem melhor do que a primeira.

O fato é que de lá pra cá já se vão dois longos anos e mais a metade de um, e um punhado de textos: uns bons… outros nem tanto. Mas independente da qualidade dos escritos por mim publicados, alguns deles foram responsáveis por trazer à minha convivência pessoas que se tornaram grandes amigos. Amizades que tiveram início por causa de um simples comentário sobre algo que eu havia escrito.

Porém, tenho andado um pouco relapso com relação a literatura. Já não leio com a mesma freqüência de antes e, talvez por conseqüência indireta disso, tenho também escrito muito pouco. Basta que os senhores leitores vejam a data da minha ultima publicação aqui no Crônicas Cariocas. Fátima Rodrigues, uma das amizades (uma amiga irmã) que exemplifica de forma bem clara o que eu disse no parágrafo anterior, vive me “cobrando” um texto novo. Se eu ainda tiver dez leitores assíduos como a Fátima já me dou por satisfeito.

Então, resolvi, por uns instantes, deixar de lado a edição de um vídeo que eu estou finalizando (ah, sim, senhores, esse é o verdadeiro motivo pelo qual tenho lido e escrito menos. Entrei no mundo do audiovisual e tenho gostado dele. Embora seja este um mundo que exige dedicação quase que exclusiva. Mas como eu estou apaixonado pelo mundo dos vídeos, e o amor faz muito bem, sinto-me feliz) e escrever sobre algo que não tem nada haver com o que eu escrevinhei até o final desse parágrafo.

Quando me sentei na frente do computador para digitar essa crônica, era para escrever sobre o amor. Mais precisamente sobre como os indivíduos apaixonados / enamorados são persistentes (ainda bem). E ainda farei isso, mas de forma bem resumida. Vamos lá:

Certo dia já muito distante, um amigo me procurou para perguntar sobre uma tal moça que trabalhava comigo. Queria saber “qual era a dela”. Se tinha namorado, se saia de casa à noite nos fins de semana, do que ela gostava, e outras coisas do tipo. Ele estava apaixonado. Seus olhos denunciavam isso claramente.

O tempo passou (e como tem passado depressa) e, graças a tal persistência daqueles que amam e sonham com o grande amor de suas vidas, num sábado desses que ficaram pra trás somente há algumas semanas, estava eu sentado numa cadeira de um clube com os olhos fixos nesse mesmo casal, num flagrante de amor explícito. Ela num belo vestido de noiva e ele num elegante fraque (seria mesmo um fraque? Sempre me confundo com essas vestimentas), com a aparência de cansados por causa das trezentos e cinqüenta mil fotos que já haviam tirado, trocaram um beijo rápido, porém carregado dos melhores sentimentos possíveis. Um beijo de cúmplices, que escolheram viver a vida juntos até o fim de seus dias.

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Sobre o Autor

Elano Robeiro

Elano Robeiro

Escritor, autor de contos e poesias.

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