Crônicas

O Rio de Janeiro continua lindo?

ABERTURA: Por Humberto de Almeida – em 09/04/2007 às 00h00

Essa foi a primeira entre as muitas mal-traçadas espalhadas por este Malabarista de palavras em nosso excelente cronicascariocas.com Faz tempo. O convite do poetamigo Francci Lunguinho A data é prova incontestável. Hoje, quase dez depois, me bateu aquela saudade de estar no Rio em Janeiro, fevereiro ou março. E, por essa saudade que mesmo não doendo em mim, como aquela que o Sergio Bittencourt cantou sentindo a falta do Jacob do Bandolim, senti vontade de voltar a espalhar aqui aquelas mesmas mal-traçadas primeiras. E o que fiz?  Fi-lo.

 

O Rio de Janeiro Continua Lindo?

A primeira vez que estive no Rio de Janeiro o mês era de agosto e o Rio continuava lindo. Não fui ao Rio para ficar. Nem pretendia.

A mala de couro não estava forrada com velhos jornais da província nem este escriba usava calça de brim-caqui. Não fora assistir a um programa do Chacrinha nem a uma pelada entre o meu Flamengo e o Fluminense do Chico. Fui exatamente para poder voltar.

O Rio estava onde sempre esteve: na cabeça de quem sonhava um dia conhecer o Rio de Janeiro do Gilberto Gil e Caetano Veloso. Embora baianos. O Flamengo de Adílio, Andrade e Zico.

Mas, lá no fundo, bem na linha de fundo onde ele assistiu a um golaço de cabeça de Zico contra o Vasco da Gama. Ele sabia que o Rio de Janeiro não era muito diferente de outros rios que conhecera em suas andanças por essa Vida Severina.

Foi chegando e lembrando logo que, dias antes, no Teatro Santa Rosa, o mais belo Teatro de sua – leia-se minha – Parahyba, esse mesmo que o Gilberto Gil comparou um dia a um grande navio.

Em papo com o Moleque Gonzaguinha, ainda no camarim, ouvira do filho adotivo do Luiz Lua Gonzaga que “Começaria Tudo Outra Vez” para estar ali de cigarro na mão, recém-curado de mais uma tuberculose. Tudo se preciso fosse. Se não acrescentou ao “se preciso fosse…” o “meu amor” foi por que a pergunta nada tinha a ver com o amor dele. Nem com o meu.

Nessa época não se encontrava nas ruas nem nas crônicas cariocas tantas balas perdidas. Os bandidos e policiais não perdiam balas com a facilidade de hoje. A bala perdida, para sermos mais precisos, somente se dava entre crianças, deixando muitas com água na boca.

Os seus pais, pela vez deles, certos viviam felizes em saber que essas balas não continham cocaína. Bala era Bala. Fim de papo. O projétil ficava apenas no projeto.

Hoje, porém, triste de quem encontrar uma bala perdida por aí. Um triste fado. Uma triste sina.  E saber quem é o dono delas – das balas – nunca hei de.

O Rio de Janeiro que este escriba conheceu num distante mês de Agosto de um ano ímpar não era mais o das prostitutas que faziam os seus mangues mais alegres e o mar carioca menos poluído.

O Sol nas bancas de revista e ele cheio de vida e nada de preguiça traziam notícias dos festivais. O Sol revista? Não. As Revistas da TV.

Num papo descontraído com um João Nogueira que falava como cantava ou cantava como falava o perguntava-lhe “Por que não? Por que não? por que não?”.

Porque não.

A geleia era geral

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Sobre o Autor

Humberto de Almeida

Humberto de Almeida

Jornalista e escritor paraibano. Somente um pouquinho mais tarde viria o 1berto de Almeida – nasceu, cresceu, viveu e, mesmo não morando mais em Jaguaribe, nele ainda vive.

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