Crônicas

O São João de Bananeiras Escorregou Numa Casca de Banana!

Humberto de Almeida
Escrito por Humberto de Almeida

Uma confissão para começo dessa conversa escrita: foi a primeira vez. E, como naquela inesquecível propaganda da menininha com os peitinhos a despontar recebendo de presente o primeiro sutiã, a gente nunca esquece. Não vou esquecer. Não vou me… Sobretudo da “viagem noturna” por um uma escuridão que não tinha luz que evitasse. Uma viagem? Mais que isso: uma aventura! Atravessar aquelas cidades que no meio do caminho ficam, sem plantar bananeiras, como Sobrado, Sapé, Mari, Guarabira, Pirpirituba, Rua Nova (Distrito de Belém)… Não sei se faltou alguma. Mas, se faltou, falta não nos fez. Não faz. Mas a escuridão no caminho… Ah, a escuridão do caminho! Essa também falta não fez.

Fui a Bananeiras, cidadezinha a 130 km da capital da Parahyba, e, como não poderia deixar de lembrar, pois somente a escuridão não poderia me fazer esquecer, mais que nunca me deixou a certeza de que “Yes, nós temos bananas”. E muita! Para dar e vender. Mesmo com aquela escuridão de não ter luz que clareasse vi bananeiras aos montes nos montes de terra que margeiam a estrada escura que em Bananeiras dá. O São João? Nada de anormal. Nada de extraordinário que justifique o fato de ser Bananeiras escolhida como aquela que realiza um dos melhores São João do nordeste festivo brasileiro.

A festa de São João em Bananeiras não é muito – nem um pouco, serei mais preciso – diferente de muitas outras realizadas neste Nordeste de João, o meu bom irmão, que neste ano acendeu sua – dele – fogueira na cidade para onde se mudou no ano passado. O São João de Bananeiras não tem nada de especial que justifique tanta gente desfilando de botas e casacos de frio num cidade brejeira do estado da Parahyba.

Ora, se é para mostrar que por aqui também a gente sabe o que é frio e, para não dizer que também compramos botas e casacos, sob esse frio desfila como se em uma terra de frio estivéssemos vivendo, tudo bem. Nem vou falar sobre a “desarrumação” que se encontra nas suas ladeiras e encostas com carros formando um caos sem ordem ou perspectivas de nos dia e véspera de São João. Pausa. Existe uma ordem no caos? Pode até existir. Mas naqueles carros ali quase plantando bananeiras ordem nenhuma existia.

Mas e o São João? Vi, dancei um pouquinho e… Dancei! Esperava que fosse o São João de que tanto ouvira falar e por muitos considerado o melhor – se não é maior… – São João pé de serra do mundo. Pausa. O maior São João do mundo, vocês sabem, aquela cidade com mania de grandeza diz que o título é dela. Mas isso é outra história que um dia, se resolver conhecer o seu – o dela – São João, contarei para vocês.

A escuridão? É claro! Essa foi a maior e inesquecível lembrança que em mim ficou. Também não poderia esquecer o que eles por lá chamam de “trio de forró pé de serra”. Por quê? Ora, esse era marcado por um baixo elétrico que se fosse mais baixo um pouquinho daria para que nós pobres mortais e amantes do verdadeiro forró pé de serra pudéssemos ouvir o show que o pobre zabumbeiro, se tanta firula não fizesse, poderia dar naquele dia.

Pelo menos nisso a cidade do caminho só escuridão, Bananeiras, mostrou que não é diferente das demais. Por lá um quarteto também é igual a um trio! Ou coisa parecida. Nunca vi tamanho desrespeito a história. A voz e a sanfona de Lindu estão chorando; o zabumba do Coroné, livre e espontaneamente, deve ter furado, e o triângulo de Cobrinha, logo nas primeiras notas desse baixo que atirou por baixo toda a sonoridade e originalidade do trio que ali tocava, enferrujou.

Não direi que no próximo São João darei uma banana para o São João de Bananeiras. Mas, sem querer e querendo, aviso para quem nunca foi ao São João de bananeiras que é bom ficar sabendo: o São João de lá, pelo menos para este Malabarista de Palavras que àquela cidade visitou pela primeira vez, escorregou na casca da banana.

Até quinta, Isabelas!

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Sobre o Autor

Humberto de Almeida

Humberto de Almeida

Jornalista e escritor paraibano. Somente um pouquinho mais tarde viria o 1berto de Almeida – nasceu, cresceu, viveu e, mesmo não morando mais em Jaguaribe, nele ainda vive.

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