Crônicas

O TRABALHO E A NAÇÃO

Campista Cabral
Escrito por Campista Cabral

A mão calejada e o corpo cansado, arranhado, marcado e quebrado pelos anos de trabalho duro denunciam o tempo.

Trabalho pode ser entendido como o conjunto de atividades, produtivas ou criativas que o homem exerce para atingir determinado fim!

Os cabelos poucos, as rugas do rosto, a mão sem força e a memória já vaga denunciam a velocidade e a força do tempo!

Trabalho também pode ser entendido como atividade regular, remunerada ou assalariada.

Braços e pés já extenuados de tanto carregar e caminhar denunciam a dureza do tempo!

O tempo e o trabalho.

No entanto, apesar da dureza e dos problemas que envolvem o trabalho no país, nada pode ser mais repugnante que o trabalho escravo.

Diz-se que a escravidão é a prática social em que um ser humano assume direitos de propriedade sobre outro ao qual é imposta tal condição por meio da força!

O Brasil vergonhosamente foi um dos últimos países da América a acabar com esse flagelo oficializado por séculos.

Como alguém pode ter a ideia de que outra pessoa é uma propriedade?

Aqui, milhares de homens e mulheres sofreram, foram torturados, humilhados e morreram ao longo da história.

Aqui, milhares de homens e mulheres, hoje, pagam e continuam a pagar um alto preço pela maldita herança da escravidão: a falta de oportunidades e o preconceito!

Aqui, assombrosamente, por meio de uma repugnante portaria, revive-se o fantasma famigerado da escravidão.

Travestida de trabalho, a escravidão informal sempre foi um problema grave nas terras tupiniquins. Muitos canaviais e fazendas espalhados pelo Brasil têm em comum um triste cenário: pessoas, sob cárcere privado, trabalhando nas condições mais deploráveis que se possa imaginar!

O que pensar de um país que rasga a história a todo tempo a reboque de interesses mesquinhos?

Esta estúpida nação e os estúpidos politicanalhas que a governam reescrevem páginas de agonia.

Inadmissível pensar que um ser humano possa viver sob condições tão adversas!

Inadmissível ver uma nação caminhando sempre para trás!

O que temos são direitos trabalhistas rasgados, uma constituição remendada e uma história de conquistas jogada no lixo!

 

 

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Sobre o Autor

Campista Cabral

Campista Cabral

Escritor, poeta e cineasta amador. Publicou quatro livros. O REI, O POETA, A MULHER E O MAR (contos), TERRA BRASILIS (crônicas), PARA ENTENDER UMA NOVA EDUCAÇÃO (livro voltado para os problemas da educação no século XXI) e FORMAÇÃO DOCENTE E PRÁTICAS INOVADORAS (livro sobre novas práticas docentes no ensino superior). Realiza anualmente o FESTIVAL DE CINEMA DE TERESÓPOLIS e, dentre alguns trabalhos na área, destaque para o filme NOITES COM SOL (2011) e os documentários PALAVRAS (2008), CAMINHOS EUCLIDIANOS (2012) e O QUE É FELICIDADE? (2013). Escreve regularmente para o Escritartes (www.escritartes.com) e Recanto das Letras (www.recantodasletras.com)

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