OS CANALHOCRATAS

by Campista Cabral | 07/11/2017 12:35

Uso a palavra politicanalha como uma expressão minha para designar uma peste terrível que assola este país, uns miseráveis sugadores de sonhos e dinheiro alheio! E, quando uso essa palavra, uso com raiva, indignação e força…

Mas, no começo do século XX, um grande escritor brasileiro chamado Lima Barreto colocou em alguns dos seus escritos, mais particularmente no livro Triste Fim de Policarpo Quaresma, a expressão canalhocratas e, creio eu, a expressão é mais feliz e mais abrangente que a minha!

Canalhocratas!

Lima Barreto, escritor mulato, suburbano carioca, conhecedor da gente do Brasil foi, durante um tempo significativo, relegado ao segundo plano da literatura do país justamente porque, desde o início, comprou briga com a imprensa, o sistema vigente e, com certeza, uma boa parte de canalhocratas da época!

Ao reler a grande história do personagem Policarpo Quaresma, um homem apaixonado pela pátria, não pude deixar de pensar nas coisas que tenho escrito nos últimos tempos. Insistentemente reclamando do país e dos politicanalhas, ou melhor dizendo, dos canalhocratas, vou escrevendo, crônica após crônica, um cenário desolador de um país quebrado, vendido e submisso…

Ah! Quaresma! Nosso Dom Quixote dos trópicos! Ingênuo e inteligente, um visionário que buscava sempre um caminho para o Brasil!

Ah! Quaresma! Nosso herói atrapalhado, mas corajoso, intrépido e sonhador! Um romântico a sonhar um Brasil que nunca sequer existiu…

Lima Barreto, ao dar vida a Policarpo Quaresma, deu vida à vontade que todos os homens de bem desta terra possuem: ver o país crescer, ver o país brilhar!

Mas qual! Como se mais surreal impossível, as canalhices e as monstruosidades surgem a cada minuto e atropelam escolas e hospitais. O tempo todo a todo tempo!

Ah! Lima! Se soubesses que o teu Brasil de Floriano Peixoto não é tão diferente assim do meu Brasil do século XXI…

O que Quaresma diria? O que Quaresma faria?

Durante a história, da boca do nosso herói tupiniquim, ao mais uma vez ver o interesse de poucos a sangrar a vida de muitos, a palavra sai como um trovão: canalhocratas!

Ah! Lima e Quaresma! Um, o escritor atrevido na linguagem, o outro, um atrevido na vida! Um, o grande observador de uma república recém-nascida, o outro, a grande vítima da jovem república torta! Um, silenciado durante décadas por ser mestiço e pobre, o outro, silenciado pelos canalhocratas por ser justo e honesto!

Bem a cara do nosso país! Os incompetentes assumem postos importantes e salários astronômicos, enquanto os capacitados ficam esquecidos em uma seção qualquer ou, pior, estão desempregados a mendigar qualquer emprego e salário.

Bem a cara do nosso país! Canalhocratas por toda parte carimbando, atrapalhando, extorquindo, minando, negando, atravancando o caminho…

Ah! Quaresma! Queria um pouco do seu sonho de sonhar um país novo e inteiro!

Queria teus olhos para olhar esse mesmo país novo, inteiro e grande!

Ah! Quaresma! O que eu faço com este país?

Eu preciso saber e saber com a urgência dos loucos e poetas!

Antes que os canalhocratas não deixem nem o pó!

 

 

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