Crônicas

Os politicanalhas

Campista Cabral
Escrito por Campista Cabral

Malandro é malandro e mané é mané, diz uma canção popular…

Mas pior que o malandro e o mané é o politicanalha

Ele consome uma cidade inteira. Nos casos mais graves, consome um estado e até um país!

Ele, tal como parasita, suga o tempo inteiro, sem parar: trabalho, vidas, sonhos, dinheiro e o que mais interessar!

O politicanalha viaja, por exemplo, para Paris, coloca guardanapo na cabeça, diz que tem etiqueta, mas vive fazendo o errado e subverte a lógica ao ensinar que o errado é o certo!

O politicanalha esbraveja, por exemplo, dentro de uma ambulância, parece até criança, diz que não é com ele, mas vive errando a cena e a mão, desconta em enfermeiro e até no irmão!

O politicanalha diz, por exemplo, que o dinheiro não é dele, que usa e abusa, que faz e desfaz, mas não sabe o nome, não sabe a conta e faz de conta que tanto faz!

E a conta do Rio vai para o honesto cidadão! Estatelado na calçada sem nada na mão!

E a conta do Rio vai para o servidor, sem dó e sem dor! Sem compaixão!

E a conta do Rio continua sendo paga com a inoperância dos postos policiais, nos farrapos dos hospitais e nos cacos da educação!

Estão nessa conta, os milhares de fluminenses que morrem e adoecem nas filas intermináveis. Nada justificáveis!

Estão nessa conta, inúmeras famílias que perderam e perdem todos os dias para a violência! E não há sequer condolência!

Encastelados, sentindo-se acima do bem e do mal, os politicanalhas bebem do melhor, se vestem com o melhor, pelo mundo viajam ao redor, possuem paletós finos e carrões, enfim, vivem a se meter em confusões!

Encastelados, sentindo-se como deuses do Olimpo, os politicanalhas moram bem, longe do tiro e do lixo, não querem ficar perto de ninguém, não querem da pobreza a contaminação!

Os politicanalhas são muitos e são como vírus e são como pestes e são como ratos. Detonam, comem, corroem, destroem tudo e todos.

Os politicanalhas são como fezes, fedem e fedem muito e espalham esse fedor para todo o canto!

Politicalha e politicanalhas!

Vergonhoso, desumano, monstruoso jogar a conta para a população!

E assim, de politicanalha a politicanalha, a Terra Brasilis vê sua parca democracia dar sinais de implosão…

No entanto, para todo vírus há um remédio, para toda peste há uma solução, para todo rato há uma ratoeira! Não é não?

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Sobre o Autor

Campista Cabral

Campista Cabral

Escritor, poeta e cineasta amador. Publicou quatro livros. O REI, O POETA, A MULHER E O MAR (contos), TERRA BRASILIS (crônicas), PARA ENTENDER UMA NOVA EDUCAÇÃO (livro voltado para os problemas da educação no século XXI) e FORMAÇÃO DOCENTE E PRÁTICAS INOVADORAS (livro sobre novas práticas docentes no ensino superior). Realiza anualmente o FESTIVAL DE CINEMA DE TERESÓPOLIS e, dentre alguns trabalhos na área, destaque para o filme NOITES COM SOL (2011) e os documentários PALAVRAS (2008), CAMINHOS EUCLIDIANOS (2012) e O QUE É FELICIDADE? (2013). Escreve regularmente para o Escritartes (www.escritartes.com) e Recanto das Letras (www.recantodasletras.com)

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