Crônicas

Para Balzac não tinha essa de 30 anos!

Humberto de Almeida
Escrito por Humberto de Almeida

Entre um expediente e outro, hora do almoço, entro no meu “tordilho com cascos de borracha” e leio a mulher de Balzac. A mulher é aquela mesma de 30 anos, essa que vocês conhecem. Depois de quase 200 anos (por aí), começo de 2016, leio nesse exato momento a história sobre a infeliz Julia d’Aiglemon.

Enquanto passeio pelas angústias e sonhos e desejos de Julia, lembro o velho e bom e irônico Balzac. Nenhuma dúvida. A sua – dele – vida daria um belo romance. Ora, numa época em que Paulo Coelho vende mais que Shakespeare, só perdendo para Bíblia, essa ainda a salvação de e para muitos, um romance sobre a sua – dele – vida viraria Best seller antes mesmo de ser lançado. E valeria tanto ou mais que 30 mulheres de 30.

Não posso negar, a ironia desse francês me pega de jeito. Sempre gostei dele assim. Confesso. A mesma ironia que também gosto em escritores nossos e lá deles. Lembro aqui que Balzac costumava dizer que todos somos uns sacanas. Dizia mais: se tivéssemos a coragem de falar na frente o que das pessoas por traz falamos, a sociedade seria impossível. Também acho. E talvez tenha achado antes dele.

Todos sabem. Muitos. A “Comédia Humana” é a sua obra prima. E a ela, segundo se sabe, Balzac dedicou toda a sua vida. Mas no fundo, bem no fundo, ali onde o sujeito mergulha e somente volta à tona se conhecer os caminhos das águas, ele queria ser mesmo era dramaturgo. Acreditem. Esse era o seu sonho. Ser um dramaturgo. Parágrafo para uma curiosidade.

Assim como um dia disseram para a tia do John Lennon que ele poderia ser tudo menos o que ele foi, cantor e compositor e muito bom músico, um Beatles, disseram também para a mãe desse francês. Mande o seu filho procurar outra profissão, a Literatura não combina com ele. Tudo ele pode ser, menos escritor. Portanto, que tirasse isso da cabeça dele. Disseram um dia.

E o homem Balzac, hein? Pois é. Era baixinho e sujo. Pausa. Não estranhem esse “sujo” aqui. Era assim mesmo que o seu povo o via. Ah, o via? Pois escutem mais. Ou melhor, leiam. Na altura Balzac era só um pouquinho mais alto do que a nossa grande Elis Regina. Um metro e sessenta de altura. Por aí.

Trocando em miúdos, Balzac era um sujeito com um metro e sessenta de altura, pernas finas, dono de uma gula abominável, vestia-se mal e pesava quase cem quilos. Não sei bem se pesava tanto, mas era por aí. Pausa. Uma triste figura ou não?

Porém, mesmo assim, apesar desse triste aspecto, achando-se o dono da bola, Honoré era chegado a um “bacalhauzinho” feminino. Sacana, o coroa. Pausa. Ah, o coroa aqui pega muito bem. Pois, afinal, Balzac trocou de roupa e foi morar noutra cidade com apenas 50 anos incompletos. Novo ou não? Mas, como dizia, apesar da aparência o francês era um comilão.

Mas não pensem os seus admiradores, esses muitos, que ele “ganhava” essas mulheres porque era um escritor famoso. Nada disso! O homem, pelo que se conta sobre a sua vida pessoal, gastava todo o seu dinheiro com as suas “conquistas”. Trocando em miúdos, mais uma vez, tudo indica que ele “comprava” esses favores na forma de deliciosos “bacalhaus femininos”.

O engraçado, para terminar, pois é hora do almoço e a minha não me chama mais, o sacanão comprava esses favores, mas, por precaução, pois alegava que uma boa gozada iria esgotar sua criatividade, deixar o homem sem emergia para escrever os seus romances – foram 97 obras -, não havia gozação. Essa “gozação”, porém, explico para os bem humorados, nada tem de engraçado. Era gozação mesmo.

Fico por aqui. Mais tarde, depois do almoço, quem sabe não volte a lembrar desse comilão francês e muito bom escritor. Quem sabe. Eu? Sou aquele a saber menos que vocês. Não sei.

Até quinta, Isabelas!

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Sobre o Autor

Humberto de Almeida

Humberto de Almeida

Jornalista e escritor paraibano. Somente um pouquinho mais tarde viria o 1berto de Almeida – nasceu, cresceu, viveu e, mesmo não morando mais em Jaguaribe, nele ainda vive.

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