Crônicas

Pátria mal-amada, desbundada, Brasil

Campista Cabral
Escrito por Campista Cabral

E quando achamos que nada pode piorar, piora! E quando pensamos que mais nada pode acontecer, acontece.

O trágico acontecimento num feriado de sol no Rio de Janeiro sinaliza mais uma vez a nossa triste situação: a corrupção e os desgovernos matam, na maior parte das vezes, aos poucos, em algumas situações, de forma rápida como a que tirou oficialmente duas vidas com a queda de um trecho de uma ciclovia recém-inaugurada! E isso é infinitamente muito pior do que falar mal de Maricá ou de São Pedro da Aldeia! Grampeada conversação.

Licitações, negociações, esculhambações e etecetera e tal. Brasil, um lamaçal. Pátria mal-amada, ocupada, sitiada, descerebrada e desbundada, Brasil!

Na ditadura, havia um slogan que ficou bastante conhecido: Brasil, ame-o ou deixe-o! Hoje, a relação de amor e ódio passa não pelos ditames da farda, mas pelo que nosso país pode ser e não é, ou pior, pelo que podia ser e nunca foi! Pelo que exige de todos e nada faz! Pelo que cobra a toda hora e não dá um minuto de paz! Pobreza, violência e degradação!

Eleições atrás de eleições, corrupções e etecetera e tal. Brasil, só carnaval. Pátria difamada, sacaneada, sucateada, enrascada e desbundada, Brasil!

Na época do segundo reinado, o chamado Barão de Mauá, com gana de desenvolvimento, espalhou estradas de ferro para agilizar o escoamento da produção. Na contramão sempre presente na nossa história, o sonho foi cortado e transformado, meio século depois, no país das rodovias (bem mais caras para transportar o que quer que seja). Conta que nunca fecha positivamente para a exportação!

Transposições, outras e novas licitações, não comprovações e etecetera e tal, Brasil, não há igual! Pátria esmigalhada, dizimada, roubada e desbundada, Brasil!

Enquanto mais um mês transcorre, mais buracos nas pistas, mais filas, mais obras para as olímpiadas, mais impostos e mais gritarias! Viva a república! Viva a pátria! Viva o país da fantasia!

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Sobre o Autor

Campista Cabral

Campista Cabral

Escritor, poeta e cineasta amador. Publicou quatro livros. O REI, O POETA, A MULHER E O MAR (contos), TERRA BRASILIS (crônicas), PARA ENTENDER UMA NOVA EDUCAÇÃO (livro voltado para os problemas da educação no século XXI) e FORMAÇÃO DOCENTE E PRÁTICAS INOVADORAS (livro sobre novas práticas docentes no ensino superior). Realiza anualmente o FESTIVAL DE CINEMA DE TERESÓPOLIS e, dentre alguns trabalhos na área, destaque para o filme NOITES COM SOL (2011) e os documentários PALAVRAS (2008), CAMINHOS EUCLIDIANOS (2012) e O QUE É FELICIDADE? (2013). Escreve regularmente para o Escritartes (www.escritartes.com) e Recanto das Letras (www.recantodasletras.com)

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