Crônicas

Poema para a feminina alma dela

Humberto de Almeida
Escrito por Humberto de Almeida

Acabei de assistir a Barcelona x Atlético de Madrid. Duas maravilhosas equipes de futebol. O melhor futebol do mundo. Assisti. Mas já assisti a partidas melhores. Pausa. Estou de repouso. Em repouso. Atestado médico. Hoje eu bebo Mario Quintana O meu poeta. Apenas. Mas é o Ascenso Ferreira que me seduz nesse momento. Ufa! “pernas pro ar que ninguém é de ferro!”.

Assim, muito meio assim, depois de assistir a desclassificação do “melhor” time do mundo perdendo para o outro que assim não será considerado tão cedo, mesmo vencendo, sem beber vodka nem pensar em me embriagar de tédio, sou mais do que nunca um sujeito que ainda acredita que a “poesia é necessária”. Salve os poetas! Salvem os meus poetas!

Hoje, dia 13 de abril, anunciam-me que é o Dia do Beijo. Um beijo nos meus poemas preferidos. Mil beijos! Beijo cada verso como se cada palavra nesses versos beijada fosse os lábios da mulher amada. Acreditem. Pensei em cometer um poeta que falasse do beijo, mas não fui pelo desejo tomado. Beijado. Mas como poetar por aqui somente acontece nas dores de cotovelo, provando assim que por aqui também não existe o poeta, mas o consumidor de poesia, somente agora me veio essa ideia que apesar de boa nada tem de 51. A cachaça! Há cachaça!

Chove lá fora. Sinto que por enquanto esse desejo – cometer um poema – parece não estar nem aí para o que o acontece lá fora. Dentro de mim um sol nasce todas as manhãs. Enfim a inspiração! A transpiração? Essa me vem toda a hora. Pausa, O meu sol tem a alma feminina. Mas é para ela, esse sol em mim, que segue o poema que se espalha nessa tarde chuvosa.

Poema Para a Sua Alma Feminina

Estás distante porque eu sou a distância

E purgo-me disso todas às vezes de sofrer teu nome, tua face. Meu desespero
enterra-se na praia onde, altas horas da manhã,

vens tomar sol e molhar os cabelos.

Estás distante, como a minha ira

está de devorar a si mesma. Estás distante, como a minha angústia de compreender
suas razões. Estás distante. E eu sou a distância que não te ampara,

porque deste amparo foges.

Eu sou a estrela incandescente,

enquanto vagas em silêncio como o alto mar. O dia em que te encontro, nas minhas

imaginações e fingimentos, nas minhas representações que invento para aplacar
minha fúria, é um dia grosseiro, tosco,

sem respeito e sem Deus…

Porque, quando o dia em que

te encontro não é o que invento, és a deusa contida em uma nuvem fria. E eu
guerreiro que,

ao te tocar, te virginiza.

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Sobre o Autor

Humberto de Almeida

Humberto de Almeida

Jornalista e escritor paraibano. Somente um pouquinho mais tarde viria o 1berto de Almeida – nasceu, cresceu, viveu e, mesmo não morando mais em Jaguaribe, nele ainda vive.

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