Crônicas

Por que não um Nobel para Chico ou Caetano?

Humberto de Almeida
Escrito por Humberto de Almeida

Assim, sem muito de repente, me deparo com a notícia de que o compositor e cantor Bob Dylan acabou de recebe o premio Nobel de… Literatura! Paro. A cabeça começa a fazer pesquisa por conta própria. Em que tempo e quanto tempo faz que não leio um “poema” de Bob Dylan?

Não estranhe. Coloquei o poema entre aspas porque, na verdade, faço um esforço tremendo para encontrar meio as boas letras do americano um poema. Paro mais uma vez. Boto a cabeça para funcionar. Ela e a mente. A cabeça se movimenta. A mente não mente. Não merece nesse momento: um poema de Bob Dylan?

Sou de um tempo em que o Nobel de Literatura sempre terminava nas mãos – plural mesmo – de um escritor ou… Poeta. Ora, 1berto, entra o bom Ariosto Nóbrega, engenheiro antenado com as coisas do mundo e arte em geral, e pergunta à queima-roupa: “Achas que ele, Bob Dylan, mereceu a honraria?”.

Calo-me. O meu calar, porém, não demora muito. As palavras saem sem quaisquer censuras. Pausa. Não sou de censurar atos nem palavras. A resposta: “Não acho que o Bob Dylan, apesar dos “rasgos poéticos” que todos veem sem suas letras, sinceramente, merecesse tão alta honraria”. E fui mais fundo ainda.

Sem dar a mínima para que os estavam presentes e sabiam ou nada sabiam sobre o mais novo “nobelado”, repeti o “não” em maiúsculas: NÃO! Pausa. Acho que poetas outros, acrescentei, esses verdadeiros, mereciam bem mais.

Um dia, acrescentei a minha reposta aí de cima, o poeta Chico Buarque, esse sem as aspas como limite, disse numa coletiva, aqui bem pertinho, na cidade do Recife, que não era poeta e poeta não se considerava. Era o quê, afinal?! Sua – dele – resposta: “Um letrista de música popular”.

No caso de Chico, com todo o respeito a sua opinião, acho que existiu ali um caminhão de modéstia. Mas, infelizmente, um caminhão que todos perceberam estar ali justamente para isso: provocar uma polêmicazinha entre os seus – inclusive este escriba – admiradores.

Não, pensei logo depois do caminhão chicobuarqueano, Chico é um bom compositor, esforçado cantor e, sem dúvidas, excelente poeta. Porém, nesse momento, nunca pensei em Chico como dono de um Nobel de literatura. E, com todo o respeito aos fãs do Dylan, poeticamente, o Chico de “Carolina”, esse o nome da minha filha, me diz mais que o bom compositor americano.

 – E Caetano?

Aproveitando as palavras soltas deste Malabarista de Palavras, sem papas na língua, nem padres, bispos e arcebispos, dispara o bom Ariosto Nóbrega.

Caetano… Caetano Veloso…

Ele sente que, com as reticências na resposta, estou apenas começando.

Caetano… É. Se o Dylan recebeu, Caetano também poderia ter sido o escolhido. Se há poemas nas letras de Caetano? Muitos. Eu, por exemplo, somente por ter um “poema” que não diz coisa com coisa, isso se alguns de seus fãs considerarem essa coisa como poema, cantado em versos e prosa nos meus notívagos anos de boemia, merecia um Nobel.

Senti a curiosidade dos amigos e não amigos deste Malabarista de Palavras em saber qual dos poemas do baiano que, segundo a minha “profunda visão crítica”, somente por esse, merecia o Nobel que disse não merecer o “poeta” americano.

Qualquer coisa, digo por fim, qualquer coisa para não ficar calado. Qualquer coisa de Caetano, concluo, por ser o Caetano de “Qualquer coisa”, merece um prêmio Nobel. Esse lhe pegaria muito bem. Pausa. Mas, por favor, dessa vez, pelo menos dessa, não riam. O caso é serio.

Até quinta, Isabelas!

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Sobre o Autor

Humberto de Almeida

Humberto de Almeida

Jornalista e escritor paraibano. Somente um pouquinho mais tarde viria o 1berto de Almeida – nasceu, cresceu, viveu e, mesmo não morando mais em Jaguaribe, nele ainda vive.

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