Crônicas

Porque quero ser Mario Gomes

Fotos: Jornal Extra*
Francci Lunguinho
Escrito por Francci Lunguinho

Vi com alegria algumas fotos que circulam pela internet desde o início da semana do ator Mario Gomes, acompanhado do filho João, de 10 anos, com um carrinho de sanduíches e batatas-fritas nas areias de uma praia carioca.

Imediatamente pensei: – Que coisa linda.

É um privilégio para qualquer pai dividir a magia de preparar um lanche – não importa se vai comer ou se vai vender – com um filho e ainda ter dele uma canja no violão enquanto a brisa do mar toca-lhes os rostos.

O filho do Mario Gomes é ainda uma criança, no entanto, decidiu acompanhar o pai nessa empreitada. Talvez tenha deixado de curtir o restinho das férias; ou abdicado do vídeo game e do smartphone por algumas horas para tocar violão na beira da praia. Ele pode, talvez, ter ajudado a cortar o pão e as cebolas do sanduba do pai. Pode, quem sabe, ficado ali apenas jogando um charme aos banhistas que paravam na barraca para comprar. A única certeza que tenho desse caso é quão exemplar foi a história de amor entre pai e filho mostrada ali.

Mario Gomes é um senhor de 65 anos, mas conserva um corpo de causar inveja a muitos marmanjos de 25. O filho é um típico menino do Rio: parafina nos cabelos e pele queimada do sol. Mas, poderia ser qualquer outro. Tenho um amigo que vende coco na beira da praia, ele quase sempre leva o filho de 11 anos. Certamente a vida do meu amigo vendedor de coco é mais modesta do que a vida do ator. Tirando as diferenças sociais, ambos conseguiram se parecer nas suas escolhas como vendedores ambulantes.

Não há como não se envolver emocionalmente com as fotos que vi dos dois, daquele jeito, feitos uma família de verdade, infalíveis de que o patrulhamento ou o julgamento ostensivo dos internautas não vão derrotá-los.

Não dá para entender o alvoroço em torno desse fato. Parece-me que as pessoas não acreditam mais na essência do amor ou na felicidade como um momento de constatação. Ou simplesmente há mais inveja no mundo do que possa imaginar nossa vã filosofia.

Sou pai. Meu filho tem 22 anos e não mora comigo. Todos os dias penso que seria maravilhoso acordar e o ter por perto. Ainda acho que jamais pagarei a dívida sentimental que adotei com ele por todas as vezes que escolhi sair com os amigos e não o levar ao parquinho num domingo de manhã. Ou, simplesmente, as várias tardes de sábado que decidi beber mais uma cerveja ao invés de irmos ao cinema, só nós dois, feitos uma família de verdade.

Não há como voltar no tempo e querer aproveitar o meu filho de 10 anos e tudo o que aquele garoto poderia me oferecer. Entretanto, me resta o futuro e desse posso fazer o melhor!

Aos pais: aproveite o seu filho, em todas as etapas da vida, eis o meu apelo.

Fotos: Jornal Extra*

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Sobre o Autor

Francci Lunguinho

Francci Lunguinho

Jornalista, radialista e Editor do portal Crônicas Cariocas.
Amante do jiu-jitsu, corridas de rua e cães. Também é editor da web rádio www.radiomatilha.com.br

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