Crônicas

Pra não dizer que não falei da Olimpíada

Humberto de Almeida
Escrito por Humberto de Almeida

Sei não… Sei não… Sei não mesmo! Mas acho que estou perdendo aquele orgulho de ser brasileiro com muito amor. Ah, e muito orgulho. Ou, por outro lado, esse melhor, nunca teria tido (gostei do cacófato) este Malabarista de Palavras esse orgulho que deixa os brasileiros mais que nunca vivendo no do primeiro mundo? Ninguém é maior nem melhor que o nosso torrão! Somos os melhores no futebol e… Fim de papo! Ninguém tascou essa Medalha de Ouro que há muito merecia ter sido (“tecido” é outra coisa) tascada por nós! O Brasil é feito por nós… Cegos!

Esses ufanos pensamentos me invadem depois que o Rio deu adeus à Olimpíada (Olimpíadas, caros narradores e conhecedores profundos de tudo e todos os mistérios olímpicos, são duas ou mais, e tivemos apenas “uma Olimpíada”) e vice e versos. Todos tristes. Senti-me assim meio “órfão” dos heróis estrangeiros e, em especial, daquele que deu um salto na vida para nunca mais cair no esquecimento!

Sim, aquele mesmo que dele contaram um historia de fazer chorar, e que se morando por aqui ainda estivesse o Golbery Ex- croto e Silva, esse que parecia um boneco de cera, e aquele presidente que se media pelo tamanho do pau-de-arara que, embora dissesse que “não tinha nada com isso”, isto é, com pau-de-arara, matava a cobra e não escondia o pau.

Sério? Serei: não me emocionou. Também não fiquei assim somente emoção com a história do “cabelinho” – lembrou-me um espetacular conto do Fausto Wolff que um dia li por aqui em primeira mão – que ganhou três medalhas em uma só Olimpíada, nenhuma de ouro, mas dela saiu como o nosso indiscutível símbolo da “superioridade” verde-amarela. Um símbolo que, passada a fase do bronze e prata, vez que a cada Olimpíada esquecemos os heróis da Olimpíada passada, também será esquecido. Acho que estou sofrendo mesmo é da falta de “patriotismo verde-amarelo”.

E a Medalha de Ouro para nossos heróis que resgataram o nosso orgulho de “melhor e o único e o imbatível no futebol”, depois dos 7 x1 da Alemanha titular? Meu Deus! Ah, ouvi dizer que se cada um medalhista receberá pelo conquista de uma medalha, seja ela ouro, prata ou bronze, a bagatela de RS 35 mil por modalidades individuais e RS 17,5 mil por modalidades coletivas, esses heróis contrariaram a regra: receberão a “bagatela” de RS 500 mil!

Mas, como vivemos em um país em que a Justiça parece andar meio bêbada, assim como a Lei da Ficha Limpa, descoberta fenomenal de um nossos superiores ministros, afirmando estar essa mais bêbada do que nunca, e que todo candidato sujo e assumidamente ex-croto não pode fazer parte desse “bloco dos sujos” que anima o pais do carnaval, tudo divino e maravilhoso! Eles merecem! Temos uma necessidade feladaputa de heróis!

O sentimento do verde-amarelo é um só: esse é o preço! Tudo por uma medalha de ouro! Imagine o verde-amarelo de Pelé, Garrincha e… Neymar não ter um medalha de ouro nesse esporte que para a nosso orgulhoso “povo de chuteiras” foi criado por aqui? Vamos de defende a nossa honra! Tão vendo o que está acontecendo com o avião do Santos Dumont que os “big brother” Wright estão dizendo que é uma invenção deles? Assim, vamos patentear o “futebol”, ele não poderia ter sido inventando em pais que não fosse o nosso!E Assim como o judô, o vôlei masculino, solto com vara…

Sei não… Sei não… Sei nãomesmo! Se o Brasil conquistou 7 medalhas de ouro e nenhuma emoção sentiu – verdade – este Malabarista de Palavras, o mesmo não acontece com ele, o Malabarista, quando – vejam só! – o Tadjiquistão, com o seu e único Thor, conquistou a única medalha em toda a sua história, lançando um martelo para essa mesma história sua! Afinal, somente para não deixar dúvidas na cabeça deste pobre Malabarista de Palavras, perguntaria se um dos meus dois leitores, por acaso, ouvira um dia falar em… Tadjiquistão. E aí, quem ouviu?

Até quinta, Isabelas!

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Sobre o Autor

Humberto de Almeida

Humberto de Almeida

Jornalista e escritor paraibano. Somente um pouquinho mais tarde viria o 1berto de Almeida – nasceu, cresceu, viveu e, mesmo não morando mais em Jaguaribe, nele ainda vive.

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