Crônicas

Quando ainda não existia o celular

Campista Cabral
Escrito por Campista Cabral

Para não falar de política e de políticos é melhor olhar para o relógio e pensar em outros tempos…

Tempos de uma cidade mais vazia, com menos carros, menos calor, menos escândalos e mais sabor…

E olho para uma paisagem distante… Um mar de memórias… E olho para as fotografias e penso, de novo, em outro tempo… E penso no ritmo mais lento das coisas. Penso num tempo sem internet e sem telefone celular!

Para uns algo inacreditável! Para outros algo inadmissível!

Para outros mais, no entanto, um sopro de saudade! Justamente do tempo das conversas olho no olho, ao pé do ouvido, dos bilhetes e das cartas e dos telefonemas longos e criativos! Sim, falava-se ao telefone e era só isso que se fazia com o aparelho!

Hoje, o telefone, pequeno computador hipnótico, é mais um símbolo de um tempo mais que corrido! Tudo muito rápido: sentir, viver, comprar, olhar, ler, comprar, beber, comer, comprar, vestir, correr, comprar, correr e comprar de novo!

Usávamos fichas ( e eram muitas para uma só ligação). Depois vieram cabines para se falar para outros estados e depois disso vieram os cartões com créditos determinados…

Como tudo muda e muda rápido!

Agora, tudo está, de fato, na palma da mão: a viagem e o contrato, a assinatura e o extrato, a bolsa e a vida, a própria comida, o beijo e o abraço, a fúria e o cansaço…

Imagens simbolizam o que queremos e o que somos. Símbolos gráficos sinalizam como estamos e poucas palavras resumem um status!

Pouco a pouco, como máquinas, vamos deixando de sentir a vida como ela verdadeiramente é: cheia de contradições, pequenos milagres diários e alguns infortúnios necessários.

Pouco a pouco, como máquinas, com perfis perfeitos e edição a todo instante, vamos nos escondendo de nós mesmos, sob o risco de não conseguirmos nos encontrar depois…

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Sobre o Autor

Campista Cabral

Campista Cabral

Escritor, poeta e cineasta amador. Publicou quatro livros. O REI, O POETA, A MULHER E O MAR (contos), TERRA BRASILIS (crônicas), PARA ENTENDER UMA NOVA EDUCAÇÃO (livro voltado para os problemas da educação no século XXI) e FORMAÇÃO DOCENTE E PRÁTICAS INOVADORAS (livro sobre novas práticas docentes no ensino superior). Realiza anualmente o FESTIVAL DE CINEMA DE TERESÓPOLIS e, dentre alguns trabalhos na área, destaque para o filme NOITES COM SOL (2011) e os documentários PALAVRAS (2008), CAMINHOS EUCLIDIANOS (2012) e O QUE É FELICIDADE? (2013). Escreve regularmente para o Escritartes (www.escritartes.com) e Recanto das Letras (www.recantodasletras.com)

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