Crônicas

Quem precisa de um barbeiro?

Francci Lunguinho
Escrito por Francci Lunguinho

Tenho lá os meus complexos com o cabeleireiro. Meu cabelo é crespo, ruim, tipo lã de aço, mas isso não me incomoda, a não ser quando cresce um pouco mais e invade as laterais do meu cocuruto e ameaça deixar-me com a cara do Bozo. Só assim admito que seja o momento de passar a tesoura.

Nunca a maquininha.

Não sei vocês, mas tenho sérios problemas nos salões de beleza. São sempre as mesmas coisinhas: filas de espera, conversas em torno do nada e pessoas chatas que não têm nada a ver comigo, além daquele enjoado cheiro de química. Essas impressões já me causam sérias reações negativas.

Não se trata de preconceito ou deboche, senão, um puro e incessante medo. Medo da fofoca. Ou, meramente, o medo de ser reprovado diante de tanta gente elegante e cheia de charme. Tremo-me todo só de ver a palavra “unissex” escrito num letreiro.

Gosto de me apresentar com o cabelo sempre bem aparado, mas é tão difícil – ou pelo menos era – achar um local apropriado para atender aos homens, que o deixo, na maioria do tempo, desalinhado.

Vivi com esse trauma durante toda a minha vida. Recentemente descobri que existem – e muitas – barbearias espalhadas por aí, atendendo a um público, assim como eu, que tem certa pinimba com os cabeleireiros – ou cabeleireiras – moderninhos. Agora estou de bem com esse serviço, que, de tão tradicional, virou referência novamente.

Tem uma no meu bairro que passei a frequentar. O preço é camarada e o atendimento me deixa confortável. Rola rock and roll o tempo todo e tem sempre água com gás ou um chope gelado para quem está aguardando a vez. As conversas são de todos os tipos, mas ninguém pede licença para falar e, se assunto for bom, todos prestam atenção. Gosto do ar grotesco, meio grosseiro e com aquele cheiro típico das perfumarias de antigamente.

Vou lá não para folhear uma playboy, falar de futebol e lutas ou ouvir Rock. Vou cortar o cabelo com uns caras que usam navalha e falam palavrão. Chego lá e não tenho que ficar explicando um tipo de corte que combina com o meu rosto, porque eles, simplesmente, não ligam pra isso.

Não quero ser tratado de machista depois desta crônica pelo sincero fato de preferir ir a um ambiente em que eu possa esticar as pernas, tomar uma gelada e sentir-me como se estivesse em casa com os meus amigos.

Lógico, falando de futebol, lutas e ouvindo muito rock and rol.

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Sobre o Autor

Francci Lunguinho

Francci Lunguinho

Jornalista, radialista e Editor do portal Crônicas Cariocas.
Amante do jiu-jitsu, corridas de rua e cães. Também é editor da web rádio www.radiomatilha.com.br

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