Crônicas

Receita poética para um bafônico Mundo Novo: mudando a perspectiva

Bia Mies
Escrito por Bia Mies

O mundo não é tão mundo assim; é desafinado. Tudo é brincadeira, menos a Bossa Nova. Quando tudo estiver ruindo, peça a alguém de confiança para guiar um carro pela praia de sua cidade, madrugada a fora, com você repleta de coca-cola tentando ouvir o quebrar das ondas, ao longe. Mas faça tudo isso com o encosto do carona deitado. Passe por túneis iluminados por led, semáforos vermelhos, ouça a vida que se manifesta nas vias e calçadas. Ouça o silêncio. Deixe que as luzes verdes permitam que a viagem siga. Repare nos prédios, nos focos de luz dos postes rentes à praia… deslize. Desligue-se. Feche seus olhos e seja livre, sem seus sapatos e sem rumo. Só se deixe ir…

O volume marrom longilíneo de uma fachada parecerá ter roubado a exata cor do céu poluído de cidade grande, ao fundo; prédios aparentarão ter chifres e sorrir como desenhos animados. Você estará sorrindo, eu garanto, e com a cabeça leve e sem problemas. Ao mudar de perspectiva, percebemos tudo mais facilmente: é tudo novo, e o novo é bafônico, chamativo. Curioso.

Tente perceber a vida nos apartamentos, seus tetos e forros bonitos, o movimento que as fachadas imprimem à velocidade do automóvel. Perceba a si mesmo.

Ao final, dance deitado ao som de uma Bossa que te agrade. Ou apenas ligue a rádio. Você irá dançar de um jeito tão único… “isso é Bossa Nova, isso é muito natural…”

Aconteça o que acontecer, mude a perspectiva do seu mundo; afinal, ele não é tão mundo assim. Tudo é brincadeira, menos a Bossa Nova. Entorpeca-se de novas emoções.

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Sobre o Autor

Bia Mies

Bia Mies

Carioca, nascida em 1988, de origens itaiana-suíça-portuguesa, cronista, artista, arquiteta, atriz, urbanista; do mundo...
Esta autora escreve aos Domingos.

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