Resposta a um amigo sobre os 100 anos de Roberto Campos

by Augusto Acioli | 30/08/2017 09:11

Estimado Antonio Maria,

Agradeço o envio do anexo.

Seu e-mail me remeteu a um encontro casual em que abordei Roberto Campos no Largo da Carioca, Centro do Rio de Janeiro, em um início de noite nos anos 90.

Naquela oportunidade disse-lhe que era leitor de suas colunas, bem como dos pensamentos que publicava como se proferidos houvessem sido por sábios das mais diversas formações e origens, mas, que, em minha opinião, eram de sua autoria.

Ele agradeceu, sorriu, olhou-me, matreiramente, como se concordasse, mas, nada disse.

Trocamos mais algumas frases e nos despedimos, cordialmente.

Naquele momento pude confirmar que o competente economista e homem público Roberto Campos era, além de intelectual, de fato, um grande “gozador” que procurava desnudar, através da acidez crítica e mordaz de seus comentários fulminantes, as históricas contradições de nosso modelo político e dos congressistas que povoam a Ilha de Vera Cruz.

Abraços,
Augusto Acioli de Oliveira.

As comemorações dos 100 anos de Roberto de Oliveira Campos (1917-2001), representam uma excelente oportunidade para resgatar as suas ideias em defesa do liberalismo e contra o comunismo, o socialismo e o esquerdismo de botequim.

Confira algumas das frases impagáveis criadas pelo diplomata, economista e político do País, em mais de 50 anos de vida pública.

Roberto Campos em 18 ‘pérolas’:

1ª. “Segundo Marx, para acabar com os males do mundo, bastava distribuir. Foi fatal. Os socialistas nunca mais entenderam a escassez”.

2ª. “Fui um bom profeta. Pelo menos, melhor que Marx. Ele previra o colapso do capitalismo; eu previ o contrário, o fracasso do socialismo”.

3ª. “O bem que o Estado pode fazer é limitado; o mal, infinito. O que ele nos pode dar é sempre menos do que nos pode tirar”.

4ª. “Uma vez criada a entidade burocrática, ela, como a matéria de Lavoisier, jamais se destrói, apenas se transforma”.

5ª. “Continuamos a ser a colônia, um país não de cidadãos, mas de súditos, passivamente submetidos às ‘autoridades’ – a grande diferença, no fundo, é que antigamente a ‘autoridade’ era Lisboa. Hoje, é Brasília”.

6ª. “Nossa Constituição é uma mistura de dicionário de utopias e regulamentação minuciosa do efêmero”.

7ª. “O PT é um partido de trabalhadores que não trabalham, estudantes que não estudam e intelectuais que não pensam”.

8ª. “A mágica agora é o denuncismo do ‘pega corrupto’. Esquecemos as razões profundas da corrupção, a falência múltipla do Estado, obsoleto, corporativo, ocupado por interesses espúrios, cuja ineficiência tem por maiores vítimas, os pobres e indefesos”.

9ª. “O doce exercício de xingar os americanos em nome do nacionalismo nos exime de pesquisar as causas do subdesenvolvimento e permite a qualquer imbecil arrancar aplausos em comícios.”

10ª. “Nossas esquerdas não gostam dos pobres. Gostam mesmo é dos funcionários públicos. São estes que, gozando de estabilidade, fazem greves, votam no Lula, pagam contribuição para a CUT. Os pobres não fazem nada disso. São uns chatos”.

11ª. “A primeira coisa a fazer no Brasil é abandonarmos a chupeta das utopias em favor da bigorna do realismo”.

12ª. “Sou chamado a responder rotineiramente a duas perguntas. A primeira é ‘haverá saída para o Brasil?’ A segunda é ‘o que fazer?’ Respondo àquela dizendo que há três saídas: o aeroporto do Galeão, o de Cumbica e o liberalismo. A resposta à segunda pergunta é aprendermos de recentes experiências alheias”.

13ª. “O mundo não será salvo pelos caridosos, mas pelos eficientes”.

14ª. “Admitir o ‘liberalismo explícito’, num país de cultura dirigista, é coisa tão esquisita como praticar sexo explícito em público. Não dá cadeia, mas gera patrulhamento ideológico. A etiqueta de ‘socialista’ ou ‘centro-esquerda’ dá um ar de respeitabilidade a qualquer patife ou imbecil, animais abundantes na praça”.

15ª. “O que certamente nunca houve no Brasil foi um choque liberal. […] O liberalismo econômico assim como o capitalismo não fracassaram na América Latina. Apenas não deram o ar de sua graça.”

16ª. “A melhor maneira de promover a eficiência no uso de recursos é a concorrência interna e externa. Donde ser a oposição à abertura econômica e à globalização – em nome do combate ao neoliberalismo – uma secreção de cabeças suicidas. Ou talvez, o perfume de flores assassinas que mesmerizam mosquitos ideológicos.”

17ª. “Todo mundo sabe que o dinheiro do governo é gasto para sustentar universidades ruins e grátis, para classes médias que podem pagar. Nada melhor. Garante comícios das UNEs da vida, ótima preparação para futuros políticos analfabetos”

18ª. “É divertidíssima a esquizofrenia de nossos artistas e intelectuais de esquerda: admiram o socialismo de Fidel Castro, mas adoram também três coisas que só o capitalismo sabe dar: bons cachês em moeda forte, ausência de censura e consumismo burguês. São filhos de Marx numa transa adúltera com a Coca-Cola”.

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