Crônicas

Se pagou, perdeu o dinheiro: Nelson Marquezelli é político e continua analfabeto

Humberto de Almeida
Escrito por Humberto de Almeida

Pra começo de conversa, essa que hoje será rápida e rasteira, aqui só para dizer que sou fã desse poema do chacal, “rápido e rasteiro, vou logo de voadora na caixa dos peitos: nunca antes em tempo algum tinha ouvido falar nesse tal Nelson Marquezelli (SP).

Ainda no meio dela, da voadora aí do parágrafo primeiro, confesso também que não perdi nada não ouvindo falar desse ex-croto, assim mesmo, que anda por aí dizendo uma das maiores merdas (sic) do Governo do “mordomo de vampiro” Michel Temer:

– O governo federal tem de cortar gastos com universidade, e o brasileiro que não tiver dinheiro para bancar os estudos não deve ir para a faculdade.

Putalquelosparis!

E se não bastasse o sacripanta ainda puxou a descarga da boca, acrescentando que os seus– dele – filhos vão estudar em universidades particulares, com mensalidades essas pagas com o nosso dinheiro, nenhuma dúvida, podem crer, porque “tem condições de pagar”.

O que eu senti? Esses dois leitores que acompanham por aqui e em alhures as mal-traçadas deste malabarista de palavras, sabem qual é o meu sentimento diante de pulhas assim: nojo!

Pois é. Este escriba, sem medo de confessar e não raras vezes orgulhoso disso, nunca estudou em escolas ou cursos ou universidades particulares. Nunca! Os seus – meus – pais, honrados como poucos e certamente anos luz de distância dos pais que abrem as sua bocas – todos acostumados às “boquinhas” – para dizer que “pobre” se exploda em se tratando de educação, nunca tiveram condições para isso. Um fato, porém, fique o deputado Nelson Marquezelli sabendo: mesmo matriculando os seus filhos nas melhores universidades particulares daqui e alhures, nunca conseguirá deixar para eles a vergonha na cara que os meus pais me deixaram como herança.

Deixar a vergonha – essa que ele não tem para evitar de dizer tanta asneira – como herança maior para os seus filhos. Essa mesma que o meu pai me deixou. O deputado nunca conseguirá; A mesma que o velho e bom e sempre apaixonado Lupicínio Rodrigues herdou do seu – dele – pai. Uma herança que poucos deixam para os filhos. E quando esses filhos são políticos do tipo dele, isto é, do Marquezelli, por mais que tente esse pobre pai não conseguirá.

Se doem em mim declarações desse tipo? Tanto quanto ter que “aceitar” o fato desse Governo – não direi resultado de um golpe anunciado, mas quase isso – que começa mal das pernas e da cabeça cortando gastos com a Educação que deixará cada um entregue a pobre sorte. Ter ou não ter condições de pagar sua – dele – educação. Cortando gastos com a Saúde de um povo que caminha célere para o estado de coma.

Nem estava pensando em traçar estas mal-traçadas linhas sobre o insano deputado. Nem pensava. Tentei ainda falar/escrever sobre o colega aqui do lado, maior colecionador das “coisas” do Chico Buarque neste verde-amarelo e, quiçá, nos demais países de outras core. Fica para as próximas. Lendo e ouvindo das bocas de nossos parlamentares asneiras desse tipo, fico sem saber coordenar pensamento e palavras.

Os seus – dele – filhos, disse ainda o sacripanta, tem condições de estudar nas mais respeitadas escolas e cursinhos e universidades particulares daqui e alhures. Pois é, deputado, os meus não estudam em escolares particulares. Mas, se os meus filhos são “pobres”, deputado, mais pobres ainda são os seus. E, se evoluírem, esse é o meu desejo, se envergonharão de ter um pai assim.

O Estado, segundo esse parlamentar que parece abominar e fugir do pobre e mais ainda se esse for analfabeto, não tem “nenhuma” obrigação de educar os seus filhos. Os não filhos dele, do Marquezelli, devem ser tratados como filhos bastardos. Também não tem o Estado a obrigação de cuidar da Saúde dos mesmos. Sendo assim, que eles, esses filhos, trabalhem para isso.

Por sua vez, a dele, o senhor Nelson Marchezelli, eleito por muitos desse povinho que não tem dinheiro para pagar uma universidade particular para os filhos, pode pagar planos de Saúde e as melhores universidades para os filhos seus. Tudo, repito, graças ao “bem remunerado e fácil trabalho” que o Zé Povinho lhe deu. Cheque assinando em branco.

E, por favor, não me venham com essa de que só dói quando eu penso. Nada disso! Também não preciso pensar para sentir o quanto doendo está dentro de mim. Nada de puxar a peixeira, ela assim, enfiada, evita que a “indesejada das gentes” chegue mais rápido. E sangre menos.

Pois é, seu… Como é mesmo o nome dele? Ah, Marquezili. A memória é isso mesmo com ph de pharmácia. Não fosse ela, a memória, com todo o respeito aos meus dois leitores, iria dar outro nome ao nobre deputado. E esse, sem dúvida alguma, o identificaria melhor.

Mas, como queria dizer, mesmo nascido de pais servidores públicos estaduais, assalariados, ressaltando que no caso o meu pai apenas, pois a minha mãe nunca trabalhou fora do lar, abominando no caso a condição de “bela e recatada do lar”, coisa de gente rica, apenas bela a sua maneira de ser nordestina e mãe, ainda consegui – “escapar”, não é deputado – três diplomas universitários!

Como? Verdade? Ah, 1berto, uma proeza, o senhor há de dizer por aí, usando-me como exemplo de “oportunista”. Pois é, responder-lhe-ei a sua maneira mesoclítica de ser, não fosse a universidade pública estaria – se estivesse – ainda nas primeiras letras.

Meu Deus! Que sacripanta!

Putabraço pra vocês!

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Sobre o Autor

Humberto de Almeida

Humberto de Almeida

Jornalista e escritor paraibano. Somente um pouquinho mais tarde viria o 1berto de Almeida – nasceu, cresceu, viveu e, mesmo não morando mais em Jaguaribe, nele ainda vive.

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