Crônicas

Shakespeare: um ex-croto genial!

Humberto de Almeida
Escrito por Humberto de Almeida

Leio Shakespeare. O que leio? Ora, aquele Shakespeare de sempre. Agora é Hamlet. Mais uma vez. Shakespeare, para os nossos tempos, esses principalmente, trocou de roupa e foi morar noutra cidade muito cedo. Cinquenta e dois anos. Apenas. Uma data fácil de memorizar: no mesmo dia em que se mudou o Miguel de Cervantes: 23 de abril de 1616. Eu disse “dia”, não “ano”.

William Shakespeare é considerado por muitos o maior escritor da história de todos os escritores do mundo. E seria mesmo? Tenho certeza que muitos não acham. E os que acham, pela vez deles, dizem que esses que “não acham” se deve ao fato de não conhecer a obra de Shakespeare.

O pai de Shakespeare, um fabricante de luvas, era um ex-croto que, pelo lado dele, isto é, do autor de Hamlet, também foi. Vivia com problemas com a Lei. Vendia as suas luvas – verdade – e deixava muito nego na mão. Fazia mais: usava o mercado negro para o seu comércio.

Incrível, não? Pois é. Existia já naquele tempo o “cargo” de vereador. O pai dele foi um. Mas, ex-croto, como falei aí, até mesmo o brasão da família foi rejeitado pela “Congregação dos Autos”. Mais tarde, porém, apesar de também ex-croto, mas genial, o filho teve o sucesso em que o seu – dele – pai falhou.

“The Bard” casou muito novo. Aos 25 anos. Por quê? Ele não queria, mas a “namorada” estava grávida. Assim, como vocês podem ver, não era muito diferente do que ocorria por aqui alguns anos atrás.

O mais interessante no Shakespeare, esse um fato discutido como se fosse a coisa mais importante desta vida, foi o seu sumiço por longos e questionados sete anos. Dizem, mas não provam, que ele passou esse tempo “escondido” trabalhando como jardineiro, cocheiro, marinheiro, tipógrafo ou… Agiota! Isso mesmo: o “gênio” gostava de uma agiotagemzinha. Era um ex-croto como cidadão.

Ah, mas dizem também que nesses sete anos que ninguém sabe direito as sacanagens que fazia, inventou também de ser monge franciscano. Um de seus colegas, ex-croto como ele, acredito, o descreveu como um sujeito arrogante. “Um corvo, embelezado com as nossas penas”. Isto é, com as penas lá deles.

Ufa! Depois conto mais. Hoje, quinta-feira, convidado pelo artista gráfico e poeta e corredor de rua a voltar a ocupar este espaço no seu – nosso, não? – Crônicas Cariocas, convite aceito, confesso que ando – parado também acontece – um tanto pensativo. Ensimesmado. Recolhido. Mas não vou desaparecer por sete anos. Pausa. Não desapareço nunca! O espelho, esse que agora tenho ao meu lado, reflete isso.

Volto com o genial e ex-croto Shakespeare na próxima quinta-feira, Até lá.

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Sobre o Autor

Humberto de Almeida

Humberto de Almeida

Jornalista e escritor paraibano. Somente um pouquinho mais tarde viria o 1berto de Almeida – nasceu, cresceu, viveu e, mesmo não morando mais em Jaguaribe, nele ainda vive.

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