Crônicas

Sobre golpes, contragolpes e podres poderes

Campista Cabral
Escrito por Campista Cabral

De acordo com o dicionário, a palavra golpe pode significar ferimento ou pancada com instrumento cortante ou contundente. Corte, incisão. Desgraça, infortúnio. Ímpeto, chofre. Crise. Lance. Esperteza. Manobra traiçoeira.

Em um sentido mais simplório, contragolpe seria golpe no sentido oposto a outro…

Entre cortes, crises, desgraças, espertezas para todos os lados e manobras de ambos os lados, deu-se o chamado golpe.

E muitos alardearam aos quatro ventos que a interdição de Dilma seria o tal golpe. Golpe de misericórdia?

Contra a corrupção monstruosa do PT e dos petistas. Contra os escândalos sequenciais que, como sangrias ao reverso, tornavam o governo cada vez mais cambaleante, o golpe foi instaurado! Mas que golpe?

Golpe do golpe? Contragolpe? De quem contra quem?

Um lamaçal se colocou diante de milhares de olhos a partir da operação Lava-Jato. Um governo inoperante e complacente com a barganha e a corrupção se mostrou… Uma cortina ao chão, uma máscara quebrada, uma farsa desnudada… No entanto, decorridos os trâmites para o impedimento, mais nomes aparecem no cenário nebuloso da Terra Brasilis!

Contragolpe na certa!

O problema maior não está relacionado a um partido, especificamente, mas a todo um sistema! Eis a grande perplexidade e confusão!

Golpe duro nos brasileiros! Preços altos, estrutura pouca e desestabilização!

O Golpe não é a interdição. O Golpe é manter as coisas como estão! Golpe é pensar que a pura saída de um e a entrada de outro melhoram as coisas!

Quanto mais a operação Lava-Jato dura, mais tenso fica o clima no país! A operação, com todas as ressalvas e problemas inerentes a um processo tão complexo, revela um sistema altamente corrompido. Mostra, sem dó nem piedade, um país refém de uma estrutura medonha!

Não há ideologia que consiga resolver os problemas da Terra Brasilis enquanto uma mudança significativa não for feita. Não se trata de uma reforma, visto que reformar é usar a base, os alicerces do que já existe. Dar uma cara nova a uma roupa velha… Mudar é o caminho! Mudar é necessário! Mudar mesmo!

Mas mudar para quê? Ir para onde? O que fazer?

Muitas perguntas em um momento delicado e triste! Poucas são as respostas, mas uma palavra é certa: democracia!

A democracia não é um sonho, tampouco o paraíso, entretanto, com todas as suas contradições, é o melhor caminho! Não pode haver espaço para o autoritarismo, para a repressão, para a ditadura…

A democracia não é a perfeição no mundo nem o mundo perfeito, mas é o caminho verdadeiro e certo para repensar um país inteiro! Zerar, recomeçar, escrever de novo, fazer de outro jeito, buscar outra direção!

Como tudo na vida, nada é 100%! A democracia não é e nunca será! Mas é, repito, o caminho genuíno para redesenhar o país!

E, para mudar, é preciso, antes de tudo, reafirmar a democracia, aperfeiçoá-la constantemente.

Para mudar, é preciso que o sistema seja, de fato, representativo.

Para mudar, é preciso que regalias sejam retiradas.

Para mudar, é preciso que haja transparência e obediência às leis!

Para mudar, é preciso ter planejamento. É preciso ter decência com a coisa pública.

Para mudar, é preciso mesmo gostar deste chão e desta terra e se vestir verdadeiramente de Brasil! Ser Brasil, querer Brasil, beber Brasil, sentir Brasil…

Quando não se respeita o outro e quando não se respeita o próprio país, ficamos como na letra de Caetano, onde morrer e matar e corromper e mentir serão mesmo gestos naturais… O podres poderes estarão de norte a sul, de leste a oeste, por toda a Gerais…

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Sobre o Autor

Campista Cabral

Campista Cabral

Escritor, poeta e cineasta amador. Publicou quatro livros. O REI, O POETA, A MULHER E O MAR (contos), TERRA BRASILIS (crônicas), PARA ENTENDER UMA NOVA EDUCAÇÃO (livro voltado para os problemas da educação no século XXI) e FORMAÇÃO DOCENTE E PRÁTICAS INOVADORAS (livro sobre novas práticas docentes no ensino superior). Realiza anualmente o FESTIVAL DE CINEMA DE TERESÓPOLIS e, dentre alguns trabalhos na área, destaque para o filme NOITES COM SOL (2011) e os documentários PALAVRAS (2008), CAMINHOS EUCLIDIANOS (2012) e O QUE É FELICIDADE? (2013). Escreve regularmente para o Escritartes (www.escritartes.com) e Recanto das Letras (www.recantodasletras.com)

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