Crônicas

SOBRE PAIS E FILHOS

Campista Cabral
Escrito por Campista Cabral

Ela se jogou da janela do quinto andar… nada é fácil de entender…

Ninguém sabe o que aconteceu…

E jovens, cada vez mais jovens, se jogam de prédios, se jogam de pontes, se deixam levar, matam, morrem e se deixam matar…

Nos superficiais tempos cibernéticos do século XXI, somos ainda mais frágeis e suscetíveis…

Pais e filhos não se olham.

E, ao não se olharem, não se entendem, não são cúmplices, não sentem um ao outro.

Pais e filhos não conversam, não riem e não choram juntos.

E, ao não conversarem, não estreitam laços, não formam vínculo.

Pais e filhos não brincam, não se permitem experimentar e imaginar.

E, ao não brincarem, não constroem a infância (que precisa de chão, de lama, de tato, de contato e de emoção).

Pais e filhos não são mais pais e filhos, mas são estranhos dentro da mesma casa.

Cada qual com o seu aparelho celular. Cada qual no seu mundo particular. Cada qual na sua estúpida bolha. Cada qual na sua existência triste e deprimente!

Deprimente! Esta a palavra. Deprimente mundo. Deprimentes relações. Superficiais contatos. Amores artificiais. Depressão.

Não é nada estranho que milhares de jovens estejam se permitindo morrer.

Não é nada estranho que jogos e vídeos induzam pessoas ao suicídio.

Em um mundo de imbecilidades e de imbecis, torna-se mais que natural a cultura da violência!

Esta a nossa herança tecnológica?

Este o mundo dito civilizado?

A ausência do olhar torna atraente a Baleia Azul!

A falta de diálogo torna eloquente a Baleia Azul!

A inexistência do brincar torna desejada a Baleia Azul.

A questão não é um jogo em si mesmo.

O problema está no que deixamos de fazer!

O trabalho é muito, o tempo é pouco e a vida, louca e intensa, corre e corre… E Corre tanto que, ela própria, a vida, se desfaz diante de nós, como um sopro…

E quando tudo se vai, ficamos como que paralisados diante do horror. E vemos o horror. E sentimos o horror. No entanto, é tarde demais…

Por isso, é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã…

 

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Sobre o Autor

Campista Cabral

Campista Cabral

Escritor, poeta e cineasta amador. Publicou quatro livros. O REI, O POETA, A MULHER E O MAR (contos), TERRA BRASILIS (crônicas), PARA ENTENDER UMA NOVA EDUCAÇÃO (livro voltado para os problemas da educação no século XXI) e FORMAÇÃO DOCENTE E PRÁTICAS INOVADORAS (livro sobre novas práticas docentes no ensino superior). Realiza anualmente o FESTIVAL DE CINEMA DE TERESÓPOLIS e, dentre alguns trabalhos na área, destaque para o filme NOITES COM SOL (2011) e os documentários PALAVRAS (2008), CAMINHOS EUCLIDIANOS (2012) e O QUE É FELICIDADE? (2013). Escreve regularmente para o Escritartes (www.escritartes.com) e Recanto das Letras (www.recantodasletras.com)

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