Crônicas

Sobre vaias e o fim das Olimpíadas

Campista Cabral
Escrito por Campista Cabral

Mais uma vez, em cerimônia encantadora, o Brasil e o Rio mostram o lado bonito das coisas! As cores e os sabores do que há de melhor no Brasil brasileiro!

Mais uma vez, ao finalizar as olimpíadas, vemos o que o país é capaz de fazer quando a seriedade e a organização entram em cena! Quando a sensibilidade e a criatividade falam mais alto!

Medalha de ouro para a Terra Brasilis!

Uma grande pena é que esta medalha não é conquistada todos os dias por conta da violência, da falta de saúde, da educação ruim, dos altos impostos e blá blá blá e blá blá blá…

Este cronista, como brasileiro nato, tem a condição necessária para criticar, esculhambar mesmo o próprio país, mostrando as feridas, revelando os descasos, fazendo uma reflexão do pior que fazemos.

No entanto, tudo isso sempre foi um grito, um chega disso tudo, uma forma de fazer pensar… Como disse em outros textos, odeio o meu país, mas amo o meu país!

Mas quem vem de fora não tem o direito de falar mal!

Nas olimpíadas em questão, mostramos um pouco do melhor e do pior…

Curioso é que outros povos, também, mostraram o seu melhor e o seu pior! Os nadadores norte-americanos, por exemplo, que o digam! Um tiro no pé!

Mas o que ficará marcado será a cena do saltador Renaud Lavillenie. O mundo se posicionou a respeito: uns recriminaram as vaias categoricamente, algo inadmissível! Outros, no entanto, recriminaram o francês!

Eu fico com as vaias!

Não! Não estávamos na Alemanha Nazista!

Não! Quem estava no estádio olímpico não era Jesse Owens!

Infeliz colocação francesa!

Assisti ao espetáculo grotesco: atleta e técnico rindo sutilmente do audacioso brasileiro que ousava saltar mais alto que o campeão! Audácia! Petulância! Inadmissível!

A partir do momento em que uma nova marca foi alcançada pelo atleta brasileiro, o deboche e a falta de bom senso tomou o lugar. Só o candomblé pode explicar a conquista brasileira! O público brasileiro tirou a concentração do francês! E outras bobagens foram publicadas e comentadas na televisão e na internet!

Engraçado que ataques racistas são comuns em vários estádios europeus! Engraçado que, ao longo de séculos, a miséria e a pobreza foram acentuados devido à exploração e ganância europeia durante a colonização! Engraçado que o sentimento de superioridade de quem está do outro lado do Atlântico é, infelizmente, uma verdade para alguns!

Perder uma medalha para um brasileiro? Uma vergonha!

 

Falarei mal do meu país o quanto for preciso. Para mudá-lo, para fazê-lo melhor, para que cresça!

Inadmissível é um convidado falar mal de quem o recebe!

Inadmissível manter uma ideologia de colonizador desmerecendo quem o acolhe, creditando à magia ou ao acaso a vitória de quem se esforçou e se empenhou para isso!

Termino esta crônica sabendo que os tiros e a politicagem entrarão novamente nos noticiários, contudo, dou uma grande vaia ao saltador francês e a todo pensamento besta de quem acha que tudo pode e tudo faz!

Medalha de ouro para Terra Brasilis!

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Sobre o Autor

Campista Cabral

Campista Cabral

Escritor, poeta e cineasta amador. Publicou quatro livros. O REI, O POETA, A MULHER E O MAR (contos), TERRA BRASILIS (crônicas), PARA ENTENDER UMA NOVA EDUCAÇÃO (livro voltado para os problemas da educação no século XXI) e FORMAÇÃO DOCENTE E PRÁTICAS INOVADORAS (livro sobre novas práticas docentes no ensino superior). Realiza anualmente o FESTIVAL DE CINEMA DE TERESÓPOLIS e, dentre alguns trabalhos na área, destaque para o filme NOITES COM SOL (2011) e os documentários PALAVRAS (2008), CAMINHOS EUCLIDIANOS (2012) e O QUE É FELICIDADE? (2013). Escreve regularmente para o Escritartes (www.escritartes.com) e Recanto das Letras (www.recantodasletras.com)

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