Crônicas

Um breve panorama de custos entre 2000 e 2016

Bia Mies
Escrito por Bia Mies

Avançam alguns minutos após as exatas 17h. Estou no Leblon e caminho até a praia, meu Bilhete Único conta com poucos centavos, a fila da máquina, na vinda, era grande demais para que eu parasse, aguardasse e o recarregasse. Como sempre, meu Cartão do Metrô ficou numa outra bolsa – coisas que as mulheres vivem fazendo -, e me vejo comprando um novo exemplar recarregável: a 2 dias da inauguração da Linha 4 do Metrô no Rio de Janeiro, pouco menos de R$ 9,00 compra ida até Ipanema, sua integração pela superfície até os limites da Gávea e a volta – que depois das 17h necessita de cerca de 2 horas, entre uma fila quilométrica, dois ônibus espaçados lotados e um, enfim, no qual os então primeiros passageiros conseguem se sentar. Dei sorte de estar em lugar privilegiado na espera por este último e consigo um lugar antes da catraca; De fato, R$8,20 é um valor “muito” justo! Lembro-me perfeitamente do preço da passagem do ônibus, cadeiras acolchoadas e ar condicionado gelado, que lá por volta dos anos 2007 cruzava a ponte Rio-Niterói por R$3,50; bons tempos em que subir a serra com destino a capital da moda íntima do país saía por cerca de por R$16,00; e ainda achávamos – nós, friburguenses universitários na capital – caro fazer o trajeto ida e volta todo fim de semana (hoje, se paga, com sorte, R$ 44,20).

Um compartilhamento recente no facebook me fez procurar os arquivos empoeirados da minha memória e esquadrinhar suas páginas, numa busca por comparações de custos. Intitulado “Este panfleto dos anos 2000 vai te fazer chorar”, parece inacreditável uma caixa de bombons a R$2,68 e 200g de pão para Hot Dog por R$0,99! Também essa semana o famoso e já tradicionalíssimo cachorro quente de R$0,99 do Baixo Botafogo sofreu reajustes e agora é vendido por R$1,50… se, e somente SE você levar três ou mais da iguaria. Quando falamos dos remotos anos 2000 temos a estranha sensação de ter sido ontem; mas já se passaram 16 anos e o mundo não acabou, como previam à época; o salário mínimo passou de R$ 151,00 para R$ 880,00, o Brasil parou de fabricar moedas de R$0,01 e perdeu a Copa do Mundo de 2014, em casa. As Olimpíadas anunciam sua chegada e o Rio de Janeiro… este continua lindo, o que mantém o padrão inacreditavelmente alto dos alugueis, sendo considerado um preço “justo” mais de R$1.000,00 mensais em um quarto/vaga em apartamentos da Zona Sul.

Por toda a transformação que a cidade passa para receber os Jogos Mundiais, somos alvo de todos os olhares; quem sabe, depois de tudo isso, as cifras tornem-se mais simpáticas: talvez, até, os panfletos de supermercado de 2016 nos façam chorar de rir lá pelos anos 2030…

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Sobre o Autor

Bia Mies

Bia Mies

Carioca, nascida em 1988, de origens itaiana-suíça-portuguesa, cronista, artista, arquiteta, atriz, urbanista; do mundo...
Esta autora escreve aos Domingos.

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