Crônicas

Um Garotinho foi preso? Cadê o Estatuto da Criança e do Adolescente?

Humberto de Almeida
Escrito por Humberto de Almeida

A Menina dos Serviços Gerais, essa menina disposta a fazer tudo, inclusive barba, cabelo e bigode nos outros, pois é imberbe e no rosto não traz esse disfarce, chegou agorinha trazendo a noticia. Pausa.  Se foi boa ou má? Tá nem aí. O importante para ela é ser noticia nas primeiras horas do dia.  Acho bacana sua – dela – chegada. Essa muda a rotina. Muda as coisas certinhas na estante da alma.

Dessa vez a noticia da vez foi o ex-prefeito do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho. Soube pela televisão novinha que faz questão de lembrar que é “uma Led da hora”. Dessa vez a casa caiu para ele.  Disse “casa” porque sabia que as casinhas (não disse “casebres”) que um dia ele disse ter dado ao povo carioca  tem um tempo de uso, sem direito a “garantia estendida”.   E sabendo agora que a sua – dele – casa caiu, se dar por satisfeita.

Fiz-lhe (epa!) aquela cara de “não estou nem aí”. A mesma que ela costuma fazer em situações assim.  E nada lhe perguntei sobre essa “novidade nova”, como costuma chegar dizendo.  A prisão de um ex-croto “di menor”. Assim mesmo. “Di menor”. A Menina fala como muitos letrados que conheço  falam também.  Rádio ou televisão, o “di menor” está presente. A Notícia? A prisão de um “Garotinho”.

Mas, afinal, qual foi a notícia que a Menina dos Serviços Gerais trouxe-me nessa manhã de quinta-feira com cara de ressaca? Essa Capitu da minha semana? Tá vendo, essa foi ela, ele foi preso, mas não vai demorar nada para ganhar a rua. Sempre assim. A Justiça prende e solta. Tudo bem. Sabe que tem nego com dinheiro que está preso. Mas, se esse – o dinheiro – compra tudo e cada homem tem seu preço, mesmo com alguns superfaturando o próprio preço, com dinheiro tudo fica mais fácil.

 Aproveitei “a deixa” para lhe dizer que a prisão não era “feita”  pela justiça. Não era nem ainda é. Os “homens da lei”. São esses os responsáveis. Ela não questionou. Acho até que  nem entendeu o que este Malabarista de palavras estava querendo dizer.

Mas e aí, o que tem a ver o sul (maravilha?) com as calças? Garotinho vai logo ganhar a rua? “Vai, doutor. Nenhuma dúvida. Se a justiça “dos maiores” não colocar ele (assim mesmo, não disse “o colocar”) na rua, a dos menores será fatal.  Afinal, o senhor que é um homem do Direito – e direito, acrescentei –  sabe que o Estatuto da Criança  – do Adolescente também, lembrei-lhe – não vai permitir que sendo “di menor”, embora todos sabendo que as sacanagens praticadas por ele são todas “di maior”, enormes, permaneça muito tempo preso!”.

Ainda quis lhe perguntar se estava querendo dizer que Garotinho era “inimputável” ou coisa parecida. A prudência, porém, me fez calar. Pois se eu chegasse pra ela com essa história de “putável” no meio da palavra, sem pensar duas vezes, poderia responder que eu fosse com esse “putável” meu á puta que pariu!  Achei melhor. A prudência.  Foi essa.

Mas se o Garotinho não tem idade para ficar “di maior” na cela de uma cadeia construída para maiores, por que os maiores que ainda estão do lado de fora dela, podres que se encontram, não se encontram há muito apodrecendo – há muito podres – na dita cuja? Pausa.  E se o Renan Calheiros, por exemplo, tivesse um Garotinho em seu – dele – nome?  Não entendeu. Fez bem. Nessa ignorância ela segue vivendo em paz.

Pois é, ás vezes acontece isso mesmo com o ignorante. Ele está sempre feliz. Uma pausa para lembrar o Graciliano Ramos. Solto a tecla. Pois bem, eu, por exemplo, conheço muitos desses “ignorantes felizes”. Ela, porém, sem que eu esperasse, lembra a eleição do Trump. O Que achou?  Não estava nem aí! Com ou sem – não disse “cem” – Trump continuará vivendo muito bem. Só uma coisa: se ele não se meter na minha vida dela, na vida dele não irá me meter nunca.  Se disse mais? Disse. Conto no próximo parágrafo.

A única coisa que espera do Trump é que ele não se arvore a tirar sua “Bolsa família”. Essa uma conquista sua – dela – com muito esforço.  Pausa. Sem qualquer esforço. Agora vivendo única e exclusivamente dela, dessa Bolsa, nada de expulsá-la do salão na melhor parte da festa. Assim mesmo:  não venha o Trump dar uma de gostoso – quase dizia com “aquilo duro” – pra cima dela. Mas e o Garotinho na rua?  Tudo bem. Só espera que não venha apenas para ser mais um trombadinha. Desses, maiores e menores, as ruas estão cheias. E ela também.

Cai o pano.

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Sobre o Autor

Humberto de Almeida

Humberto de Almeida

Jornalista e escritor paraibano. Somente um pouquinho mais tarde viria o 1berto de Almeida – nasceu, cresceu, viveu e, mesmo não morando mais em Jaguaribe, nele ainda vive.

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