Crônicas

Velho Ano Novo

Claudia G. R. Valle
Escrito por Claudia G. R. Valle

Que história é essa de Ano “Novo”?

Quando eu viro a idade, fico mais velha, quando o ano vira, fica “Novo”? Não tem lógica.

No meu aniversário ninguém me chama de Claudia “Nova”, muito pelo contrário: olham-me cada vez com mais piedade e impaciência, como se eu tivesse sido contemporânea de Matusalém (seria ainda pior se soubessem que conheci a Revista do Rádio, mas informações desse tipo tenho o cuidado de omitir).

Não é politicamente correto dar ao Ano “Novo” um direito que é negado às pessoas. Se 2017 é maior que 2016, então é mais velho, e pronto!

Nada fica mais novo, tudo fica mais velho. De quem foi a ideia de comemorar o Ano “Novo”?

Alguém deve ter inventado isso para conseguir continuar aguentando o tranco. Levando a vida a ferro e fogo, a gente acaba enlouquecendo. Ou enlouquece assim mesmo.

Se o plano é tornar a existência mais leve, vamos vestir roupa branca, saltar sete ondas, acender velas na praia, não incluir o peru na ceia, comer uvas e lentilhas, colocar um dinheirinho dentro do sapato, pular com o pé direito à meia noite.

E beber champanhe. Ou sidra, já que as coisas andam brabas por aqui. Tudo na esperança de dias melhores. Tomara.

Este ano não vai ser igual àquele que passou. Ou vai?

Lembrou da marchinha? Pois é: logo, logo, é carnaval.

Aí você esquece a roupa branca, as ondas, as velas, substitui o champanhe por cerveja, muito mais barata, e toca em frente.

Que venha 2017!

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Sobre o Autor

Claudia G. R. Valle

Claudia G. R. Valle

De Algarve, mas mora no Rio de Janeiro. Já foi professora e matemática. Em suas crônicas, aborda temas leves e bem humoradas, e do cotidiano moderno. Acredita que rir ainda é o melhor remédio e que o riso também é capaz de provocar reflexões profundas.

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