Crônicas

Vitrolas, telefones, televisões, televizinhos

Claudia G. R. Valle
Escrito por Claudia G. R. Valle

– Mamãe, no seu tempo como era o WhatsApp?

A pergunta vinda do menino de sete anos deixou a mãe momentaneamente sem resposta.

O caso foi contado pela divertidíssima avó do menino. A filha, mãe do menino, desabafara com ela:

– Mãe, fiquei sem ação! Me senti completamente ultrapassada.

A avó, às gargalhadas, perguntou-lhe se ainda se lembrava da pergunta semelhante que ela fizera quando tinha pouco mais que a idade do filho. Não lembrava.

– Você queria saber como eram os celulares no meu tempo. Não acreditou quando eu disse que no meu tempo não existiam celulares, a gente só falava no telefone de casa ou no orelhão.

– Mãe, não faço a menor ideia dessa conversa.

– Você achou graça no orelhão, expliquei que se tratava de um telefone público que funcionava com fichas de telefone. Você, sempre muito curiosa, quis saber o que eram essas fichas. Também me recordo de comentar que em outros países os telefones públicos aceitavam moedas, mas aqui no Brasil havia tanta inflação que as moedas foram substituídas por fichas que subiam de preço a toda a hora. Parece que ainda há alguns orelhões por aí.

– Você está se sentindo vingada pelo seu neto agora, não é?

– Imagine, não tenho problemas com isso. Tecla de telefone foi um progresso para mim, usei muito telefone de disco e vi muita secretária encaixando no disco um lápis ou uma caneta para não estragar as unhas. Havia gente que punha cadeado para impedir a discagem do zero e evitar que algum abusado fizesse ligações interurbanas. Telefone era caro, interurbano então… Pelo menos funcionava melhor que o da sua bisavó: naquela época as ligações interurbanas precisavam ser pedidas a uma telefonista e só eram completadas horas depois. O telefone tinha manivela e, acredite se quiser, possuir uma linha telefônica dessas era um privilégio. Aliás, não faz tanto tempo assim, as linhas telefônicas precisavam ser compradas ou alugadas. Lembro-me de tudo isso e muito mais.

– Você está velha, hein, mamãe?…

– Aguarde… Você também vai ter netos. Afinal o que você respondeu ao seu filho?

– Que no meu tempo o WhatsApp era muito melhor…

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Sobre o Autor

Claudia G. R. Valle

Claudia G. R. Valle

De Algarve, mas mora no Rio de Janeiro. Já foi professora e matemática. Em suas crônicas, aborda temas leves e bem humoradas, e do cotidiano moderno. Acredita que rir ainda é o melhor remédio e que o riso também é capaz de provocar reflexões profundas.

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