VIVA O PAÍS DO CARNAVAL!

by Campista Cabral | 23/01/2018 19:20

Há duas semanas, dois trágicos acidentes chamaram, mais uma vez, a atenção dos brasileiros. Em um, duas famílias destruídas, duas mães mortas! Em outro, dezenas de atropelados e um bebê morto.

Como de costume, mata-se e morre-se no trânsito como em uma guerra.

Como de costume, pouco se faz para reverter tal situação.

No entanto, o que chama a atenção para as tragédias é o que torna esse país tão patético e ridículo como ter uma possível ministra do trabalho que não respeita as leis trabalhistas: o maldito jeitinho! O carro é apertado, mas resolve-se com as crianças no colo! A carteira está vencida, mas não houve notificação! O limite é de 100 km/h, mas o veículo pode muito mais! Qual o problema?

Ninguém me disse! Ninguém me notificou! Dizem os pobres infelizes!

Em ambos os casos, os motoristas não poderiam estar dirigindo. Em ambos os casos, seguindo os caminhos tortos que conhecemos tão bem, os motoristas continuaram a dirigir, mesmo sabendo que não poderiam. E aqui entra um ponto muito importante: não há a necessidade do órgão competente dizer oficialmente que não pode para saber que não pode. Assumir seus problemas e se responsabilizar por isso é o que chamamos ética!

Como não há fiscalização e como existem muitas falhas no sistema, promove-se a impunidade! Tipicamente brasileiro!

Em ambos os casos, o “empurrar com a barriga” construiu as páginas de horror que estamparam os noticiários.

Quantos dirigem sem poder? Quantos não são vistos pela lei? Quantos matam nas estradas e nada acontece?

Natal, ano novo, feriado prolongado vêm e vão, mas o que não muda nunca é a ferocidade nas estradas, ruas e calçadas. Mata-se mais. Morre-se mais!

O trânsito, porém, é só mais uma área em que nossa cultura do desleixo reafirma a pequenez deste lugar!

Enquanto indultos de fim de ano são dados aos corruptos, mata-se e morre-se aqui!

Enquanto corruptos são soltos sem qualquer explicação, morre-se e mata-se aqui!

Enquanto pessoas irresponsáveis não forem punidas severamente, mata-se e morre-se ainda mais!

Mas em terra de despreocupados, as coisas vão de mal a pior!

O importante agora é cair na avenida, com fantasia, confete e serpentina. Jogar o corpo com malemolência e invadir as ruas em histeria coletiva!

Viva o país surreal! Viva o país do carnaval!

 

 

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