Crônicas

A LISTA DE FACHIN

Campista Cabral
Escrito por Campista Cabral

Esta crônica volta a falar sobre as desventuras da Terra Brasilis. Mas, secamente, não há lugar, por hora, para a poesia…

Ela, sucateada, vilipendiada, hipotecada e licitada, está num canto qualquer…

No lugar da poesia, há uma lista. Uma lista da vergonha! A lista de Fachin!

A lista de Fachin não é um filme!

Contudo, poderia muito bem ser uma peça e, com toda a certeza, seria uma tragédia!

Eu não vejo outra palavra que defina melhor o que vivemos hoje neste país absurdo chamado Brasil!

Tragédia!

A corrupção matou e mata, sistematicamente, milhares de brasileiros todos os dias.

Mata na selvageria da periferia, com um Estado omisso e que entrega ao tráfico a função de decidir e resolver os problemas…

Mata nas oportunidades que os estudantes de escola pública deixam de ter porque as escolas são estupidamente roubadas e destruídas a cada grande plano mirabolante…

Mata nas filas, cada vez maiores, de hospitais sujos, podres, em cujos leitos a certeza é a morte, lenta e agonizante…

Mata na falta de trabalho.

Mata nos impostos desumanos.

Mata na ganância.

Mata e corta e sangra…

E mata de novo para cortar de novo e para sangrar de novo!

Novas leis, emendas, reformas e mudanças passam de lá pra cá, de cá pra lá…

No entanto, não há ética, decência ou moral para se decidir nada nesta terra arrasada! Não há como decidir qualquer coisa neste país estúpido!

Mas querem decidir!

Mas querem mudar!

Todos os brasileiros, pelo menos uma vez, já discutiram sobre a cultura do jeitinho, sobre a corrupção nossa de cada dia.

E ela está entranhada!

E ela está amalgamada!

E ela faz parte de vários setores, de vários cenários, de vários nomes e gêneros!

É preciso dar uma basta a esta desgraça!

Se não nos mexermos, deixaremos para filhos e netos um país ainda mais medíocre, ainda mais pobre, ainda mais corrupto…

É preciso mudar tudo: estrutura, sistema, partidos, perfil político…

A mudança é grande e complexa porque mexe com um país inteiro!

Sinto pena! Sinto pena deste país tão grande e rico!

Sinto pena do meu filho e de tantos filhos que possivelmente herdarão uma maltrapilha nação, um engodo, um embuste de pátria!

Onde está o grito? Onde estão as manifestações de 2013 e 2015? Onde está o gigante?

Deitado em berço esplêndido?

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Sobre o autor

Campista Cabral

Campista Cabral

Escritor, poeta e cineasta amador. Publicou quatro livros. O REI, O POETA, A MULHER E O MAR (contos), TERRA BRASILIS (crônicas), PARA ENTENDER UMA NOVA EDUCAÇÃO (livro voltado para os problemas da educação no século XXI) e FORMAÇÃO DOCENTE E PRÁTICAS INOVADORAS (livro sobre novas práticas docentes no ensino superior). Realiza anualmente o FESTIVAL DE CINEMA DE TERESÓPOLIS e, dentre alguns trabalhos na área, destaque para o filme NOITES COM SOL (2011) e os documentários PALAVRAS (2008), CAMINHOS EUCLIDIANOS (2012) e O QUE É FELICIDADE? (2013). Escreve regularmente para o Escritartes (www.escritartes.com) e Recanto das Letras (www.recantodasletras.com)

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