Crônicas

Homem que é homem não come ovo páscoa, come a coelha!

Humberto de Almeida
Escrito por Humberto de Almeida

1 – Nenhuma surpresa com a prisão do ex-secretário de saúde de Sérgio Cabral. Tudo muito natural. Sérgio Cabral ficou famoso por aqui e em alhures como um Rei Midas ao contrário. Todo aquele que ele toca, sem esse S – leia-se sem “exceção” –, vira ladrão. Corrupto ou corrompido. Lavador de dinheiro ou dono da máquina de lavar. O cara é cínico. Nenhuma surpresa também nessa descoberta. Todos os da quadrilha do Sérgio Cabral são cínicos. Tenho andando com a cordinha de dar descarga na mão direita. Nunca vi nem me senti – o cheiro é forte!– num país tão podre. Se existia algo de podre no reino da Dinamarca, como desconfiava o Marcelo, por aqui a podridão na fica nesse apenas “algo”. Tá no país todo.

B – os que moram em alhures, isto é, longe da minha terra natal, a Parahyba do Compadre Heráclito e Dona Chiquinha, meus saudosos pais, não sabem nada da alegria de um sertanejo ao molhar o rosto enrugado nas águas do São Francisco. Meninos, eu vi! Mesmo sendo e estando cidadão, sempre, sujeito nascido e criado na capital da Parahyba, mas especificamente no bairro Jaguaribe, esse que costumo chamar de República Independente, tenho vivido muito próximo desse. Vi retirante chorando de alegria só em saber que os seus, esses que ficaram no sertão, agora tem água para beber. Triste. Muito. Nem pensam em irrigar e plantar o solo seco onde o sol descansa os seus raios. Água para beber. Apenas. Triste. Muito.

E – a noticia deve ter chegado por aí. Acho. Por aqui foi a noticia da semana. Triste notícia. Cristovam Tadeu, o nosso Chico Anysio, perfeito imitador de Caetano Veloso e outros daqui, sábado passado, trocou de roupa e se mudou para outra cidade. Conhecia Cristovam muito bem. Éramos quase amigos. Mas quase mesmo. Talvez não fôssemos tanto pelo fato de andarmos um tanto distante. Mas vez por outras ou muitas vezes, nos finais de semana, nos encontrávamos pelaí. Cristovam é criador de um personagem – Bartolo – que sorriu um tanto feliz quando lhe disse um dia ser a nossa uma Rê bordosa de calça, aquela do Angeli. Bartolo e tão genial quanto essa. Cristovam era um artista multifacetado. Ator, humorista, bom texto e de quadrinhos. Fico por aqui.  Não é preciso dizer mais. Se vai fazer falta? Já está fazendo.

R – por aqui, vocês sabem, na Parahyba de Zé Américo, Augusto dos Anjos e Zé Lins do Rego, uma “mulher” envenenou duas crianças, uma adolescente e uma… Mulher. A notícia me chega assim.  Envenenou-as (epa!) com “chumbinho”. Aquele que ainda usamos por aqui para matar ratos fora de Brasília. Esses verdadeiros e menos nocivos. Por aí sei que o “chumbo” que mata crianças e – essas em especial – e adultos vem nas “balas perdidas” que, somente sinceridade, desejo que não sejam encontradas por amigos meus. Mas, se não for possível evitá-las, prefiro que sejam encontradas por esses sacripantas que roubam o dinheiro da saúde deste país faminto, mas em estado de coma. Pois bem. Os homens da “inteligência”, leio no jornal, procuram saber agora os “motivos justos” para que essa “mulher” tenha envenenado duas crianças, um adolescente e uma… mulher. Meu Deus!

T – o povo por aqui não muda em nada em relação ao povo daí. Tudo a mesma coisa. A tentativa de Temer para ganhar o meio de campo com a liberação do FGTS para esse “fugido e mal pago” povo brasileiro é uma piada. Mas, sem nem pensar que esse jogo tem cartas marcadas, ele, o bonito e ignaro povo verde-amarelo não estar nem aí. Tem nego por aqui fazendo as pazes com o inimigo e o convidando para a festa que fará com os seus… R$ 500 ou 600 reais que, somente agora, o “mordomo de vampiro” achando que esse possa ser uma válvula de escape – por enquanto ele et caterva estão escapando – transformou em pão. Circo?! Ora, esse o povinho tá cansado de ver. E pior: sorrir dele mesmo e, como um equilibrista bêbedo, cair do arame.

O– previdente como sempre fui, vou morrer desconfiando de que meio a essa sacana tentativa do Temer em mexer na Previdência, mesmo sabendo das sacanagens que essa mexida trará, outras sacanagens nela existem. O homem é capaz de tudo para ser lembrado mais tarde. E não importa como. Falem mal, como todos dele estão falando ou deveriam falar, mas falem dele. Não falo! Não vou perder a minha reza com pecador que sabe estar pecando e pecador continua. Péssimo. Sentiram? Também. Tenho andado mais com medo que com esperança. Passa? Tudo passa – nada de uva – nessa vida. Só não passa mesmo quem no passado já vive. Está. Medo de quê? Ora, que esse medo seja mais tarde justificado.

Até quinta, Isabelas!

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Sobre o autor

Humberto de Almeida

Humberto de Almeida

*HUMBERTO DE ALMEIDA é jornalista e escritor paraibano. Somente um pouquinho mais tarde viria o 1berto de Almeida – nasceu, cresceu, viveu e, mesmo não morando mais em Jaguaribe, nele ainda vive.
Este autor escreve às Quintas-feiras.

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