Música

A noite maluca de Sir Elton John

Marcio Paschoal
Escrito por Marcio Paschoal

Já quase setentão (69 anos), o cantor e compositor britânico Reginald Dwight, bem mais conhecido como Elton John, lança seu 33º disco de estúdio, “Wonderful Crazy Night”, com dez faixas, todas assinadas por ele e o eterno parceiro Bernie Taupin.

Afastado das gravações e das polêmicas desde 2013, o cantor volta com um trabalho que marca mais a presença das guitarras e do velho rock, numa espécie de reencontro com o guitarrista Davey Johnstone e seu baterista original, Nigel Olsson, parceiros essenciais do cantor desde longa data.

Elton, um dos maiores hit makers da história do pop, começou sua carreira-relâmpago em 1969, com o megassucesso “Your song”, estourado nas paradas através de gravação ‘dance’ de Billy Paul. A seguir, um fileira de grandes sucessos, como “Rocket man”, “Crocodile rock”, “Goodbye yellow brick road”, “I guess that’s why they call it the blues”, “Sacrifice”, “Nikita”, “Candle in the wind”, “Don’t let the sun go down on me”, só para citar alguns.

Na verdade fica difícil fugir de tantos hits, uma vez que, em apresentações ao vivo, essas canções deverão sempre estar presentes. Vários artistas são presas eternas desse paradigma. Mas não é assim que funciona o showbiz?

Para o artista, novos trabalhos tentam provar que a mina não se esgotou e que ainda pulsa uma canção nova que deve ser mostrada.

Nesse seu disco, Elton tenta um retorno a um tom mais heavy, como pode ser notado em “Looking up”, onde Johnstone carrega na guitarra e o andamento rock tenta meio que rejuvenescer a batida no piano célebre. Rock do crocodilo disfarçadamente revisitado.

A que dá título ao cd, também em batida mais pesada, tenta um riff nos teclados e traz uma letra meio psicodélica de Bernie.

“Blue wonderful” é mais comedida e calma e mostra também a intenção de sobressaírem os sons da guitarra (excelente o solo de T Bone Burnett).

A melodia de “A good heart” está no ponto e lembra uma Nikita nostálgica. Já “I’ve got two wings”, com levada country, remete mais à receita dos antigos sucessos do compositor, com letra meio simplista do parceiro.

Canção certeira é “Tambourine”, com Ray Cooper no próprio, mostrando refrão chiclete e arranjo interessante. A melhor do cd, com certa vantagem, é a bela “Claw Hammer”, melodia inventiva e mais digna dos seus hits de outrora.

Nenhuma novidade grande, nenhuma surpresa mirabolante, apenas um velho tecladista genial mostrando mais dez canções novas. Parece pouco, e é mesmo, se compararmos à trajetória inspirada dele, mas ainda agradável de se ouvir e ficar reforçada a ideia de que o cara, ainda que meio enrugado e repetitivo, permanece vivo e na estrada. Ainda bem que é assim.

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Sobre o Autor

Marcio Paschoal

Marcio Paschoal

Escritor, economista (nem ele mesmo sabe por quê), letrista (com Ruy Maurity), crítico e pesquisador musical (autor da biografia João do Vale), é carioca, escreve em sites, jornais e publicou romances, contos, crônicas e ensaios.

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