ALICE NO PAÍS DAS MODERNIDADES (CD “Alice”, de Alice Caymmi)

by Marcio Paschoal | 10/02/2018 21:18

Em seu terceiro trabalho, a cantora e compositora Alice Caymmi procura se estabelecer no universo mais pop de R&B, embora mantenha a pegada de pretensa modernidade, quando flerta com expoentes midiáticos (Pabllo Vittar, fenômeno oportuno da hora, e o MC e beatmaker paulista Rincón Sapiência). Outra parceira cômoda em aceitação é a de Ana Carolina, na canção “Inocente”, lançado em single e que teve ótimo clipe de Alexia Galvão.

Se não bastasse ser neta de quem, e sobrinha de uma das maiores cantoras populares deste país, a eclética Alice Malaguti Caymmi não desaponta nem ao avô nem à fabulosa tia.

Seu disco “Alice”, com produção de Barbara Ohana,  apresenta algumas boas surpresas e outras ótimas confirmações.

Desde “A Rainha dos Raios”, de 2014 (disco mais de intérprete que autoral, composto por regravações, exceção a duas autorais) a cantora assina, individual ou em parcerias, a maior parte do repertório.

“A Estação”, de Carlos Rufino, é o mais abrangente exemplo, e a faixa que abre o disco, a marcante “Spiritual”, traz letra que trata e retrata a opressão à mulher. Nada que a deixe tão louca ou rouca  (…eu já estou ficando rouca/ eu não estou ficando louca…) mas, direta e simples (tudo o que eu quero te falar é simples/ é muito simples mesmo…), dá o seu recado com jeito meio empírico e aparentemente calcado na própria vivência.

Destaque também para as românticas de desabafo (na linha da anterior “Abandonada” com Michael Sullivan) e no lastro do sutil empoderamento,  ambas de Alice, “Sozinha” (com participação em dueto de Pabllo Vittar) e “Eu te avisei”. Melhor esta última (…E tudo o que eu fiz ficou pra trás/Como se nada fosse te prender/ A vida te ensinou/ Eu te avisei/ Eu vou achar alguém/ Melhor do que você/ Eu vou…).

Com timbre de voz forte, Alice opta pelo ritmo em “Whats my name”, de Moacyr Santos, onde atesta sua marca original e criativa de interpretar.

Afora alguns clichês de avant garde, trata-se de um disco de intérprete de personalidade, calcado em arranjos adequados, com inequívoco viés de contemporaneidade e que, por isso, merece ser conferido com carinho.

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