Música

AMY-A ou deixa-a

Marcio Paschoal
Escrito por Marcio Paschoal

TRILHA SONORA DO DOCUMENTÁRIO “AMY”
SOUNDTRACK (Antonio Pinto) – AMY WINEHOUSE

Amy Winehouse tornou-se símbolo de uma nova geração, superstar reconhecida por seu talento e voz ímpar, e também por sua morte precoce, aos vinte e sete anos. Idade trágica do passamento de mais alguns consagrados nomes do pop, como Morrison, Joplin e Hendrix e, um pouco mais tardiamente, Brian Jones, dos Stones. O cineasta britânico, descendente de indianos, Asif Kapadia (que já havia assinado um documentário sobre Ayrton Senna) é o responsável pela direção deste “Amy”, que tenta, ao menos um pouco, desvendar os mistérios que cercaram a pessoa por trás do ídolo popular. E caprichou na tarefa: são fotos, depoimentos de pessoas próximas, parentes, vídeos caseiros, bastidores, televisão, entrevistas etc.

Ainda adolescente, pode-se descortinar na garota Amy toda a ingenuidade que a acompanharia até a fama e o estrelato musical. Então, tudo parece ir mudando, até o auge do sucesso, com a perseguição dos fotógrafos paparazzi e dos tabloides sensacionalistas britânicos. Poucas pessoas tiveram suas vidas tão expostas ao público quanto Amy Winehouse. E essas mesmas câmeras que mostram a fama merecida e o sucesso meteórico da cantora, também escracham abertamente sua total decadência, moral e física. Tudo é revelado à exaustão, pari passu, com seus inúmeros problemas pessoais, o envolvimento com drogas e álcool, as péssimas escolhas, enfim, todo um quadro em que já se poderia pressupor o pior.

A verdade foi que a menina frágil não conseguiu aguentar a barra de toda a pressão de ser uma celebridade mundial. O documentário, com 127 minutos de duração, esmiúça e fuça tudo, não faltam detalhes. Uma das cenas que mais impressionam é a de Amy dando-se tapas para tentar acordar, durante uma apresentação, de tão drogada, não conseguindo cantar. Há também momentos luminosos, claro, como seu encontro no Grammy com o ídolo da juventude, Tony Bennet, e sua gravação em dueto com ele.

O documentário é uma celebração a Amy Winehouse, direcionado aos fãs e também aos que não tiveram a oportunidade de conhecê-la ou ouvi-la melhor. Até hoje Amy permanece um sucesso e faturando. Assim, na onda de sua fama e aproveitando a ótima repercussão do documentário sobre a sua trajetória de vida, a gravadora Island Records lança um álbum com a trilha sonora, a cargo do músico carioca Antonio Pinto, filho de Ziraldo e autor de trilhas de filmes, como “Central do Brasil”, “Lord of War” e “Cidade de Deus”.

A compilação inclui demos, sucessos como “Rehab” (ao vivo no Jools Holland), o hino “Back to Black” (we only said goodbye with words/ I died a hundred times/ you go back to her/ and I go back to black), várias versões ao vivo, o dueto com Bennet e composições próprias de Antonio Pinto.

Há belos registros, como em “Stronger than me” (you should be stronger than me/you’ve been here seven years longer than me), ou em “Tears dry on their own” (and in your way, in this blue shade, my tears dry on their own). Outros bons momentos, “Love is a losing game”, gravado ao vivo no Mercury Awards, e “Valerie”, ao vivo no BBC. Um dos pontos altos da trilha é, sem dúvida, “We’re still friends”, seguida de homenagem ao piano de Antonio Pinto em “Amy Lives”. Este é o segundo disco póstumo de Amy, depois de “Lioness: Hidden Treasures”, de 2011.

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Sobre o Autor

Marcio Paschoal

Marcio Paschoal

Escritor, economista (nem ele mesmo sabe por quê), letrista (com Ruy Maurity), crítico e pesquisador musical (autor da biografia João do Vale), é carioca, escreve em sites, jornais e publicou romances, contos, crônicas e ensaios.

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