Música

Música Instrumental Brasileira

Marcio Paschoal
Escrito por Marcio Paschoal

TRÊS BONS MOMENTOS DA NOSSA MÚSICA INSTRUMENTAL

Em valiosa homenagem, o pianista e compositor Hamleto Stamato grava seu tributo ao pai, falecido em 1976, no cd instrumental “Tributo a Mileto”. Mileto, que também se chamava Hamleto Stamato, tocou com Hermeto Pascoal nos anos 70. Era saxofonista e flautista. No disco, gravações compostas por Mileto e digitalizadas a partir de originais de fita cassete Basf-60, mesclam-se a mais quatro temas escritos por Hamleto filho (muito bons “Pai 6” e “Samba pro pai”). Alguns convidados especiais como Raul de Souza (trombone), Idriss Boudrioua (sax alto), Widor Santiago (sax tenor), Nelson Faria (violão) e Robertinho Silva (percussão) enriquecem o trabalho. A regência e arregimentação de cordas são de Vittor Santos.

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Hamleto Stamato lança cd instrumental em homenagem ao pai.

Ao lado do baixista paulista Marcos Paiva, a cantora Vânia Bastos reúne interessante repertório do mestre Pixinguinha em trabalho caprichado no cd “Concerto para Pixinguinha”, com gravações ótimas: “Lamentos” e a instrumental “Recordações”. Pixinguinha ou Alfredo da Rocha Viana Filho é autor de clássicos que se tornaram populares e tem seu nome inevitavelmente aliado ao chorinho “Carinhoso”. Ainda bem que vemos sempre o todo de sua obra regravada e recebendo homenagens merecidas de músicos de variados estilos. Paiva já acompanhou nomes como Zizi Possi, o cubano Fernando Ferrer e a portuguesa Teresa Salgueiro. Já Vânia, cantora de timbre e afinação refinados, revisitou as obras de craques como Tom Jobim, a turma do Clube da Esquina e Caetano Veloso. Destaque para a sua interpretação certeira na faixa “Mundo melhor”.

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A cantora Vânia Bastos ao lado do músico Marcos Paiva

Acompanhando seu momento profícuo musical (só neste ano já foram três álbuns lançados), o saxofonista e flautista Mauro Senise vem com seu cd “Todo sentimento”, desta vez ao lado do violonista carioca Romero Lubambo. A dupla já se conhece bem, desde os tempos do lendário grupo Cama de Gato, e sua parceria não é inédita: os dois haviam gravado o excelente “Paraty” (1997) revisitando alguns sucessos da bossa nova. Neste novo trabalho o duo escolheu um repertório mais eclético, destaque para a canção-título de Cristóvão Bastos e Chico Buarque,  “Da cor do pecado”, clássico de Bororó e que foi gravada originalmente por Silvio Caldas na década de 30, e “Linda Flor”, com participação especial do acordeonista Kiko Horta.   Outros músicos tiveram participações, como Jotta Moraes, Fábio Luna, Bruno Aguiar e Mingo Araújo. Aliás, um nome ilustre que participou das gravações, Edu Lobo, é o “culpado” por novo projeto de Senise, “Edu Lado B”, com temas menos conhecidos do compositor.

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A dupla Mauro Senise e Romero Lubambo.

(*) escritor, autor das biografias de João do Vale e Rogéria.

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Sobre o Autor

Marcio Paschoal

Marcio Paschoal

Escritor, economista (nem ele mesmo sabe por quê), letrista (com Ruy Maurity), crítico e pesquisador musical (autor da biografia João do Vale), é carioca, escreve em sites, jornais e publicou romances, contos, crônicas e ensaios.

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