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Crônicas

Foco, força e cá, fé!

O horário de verão se foi, o que não impede o carnaval carioca de seguir em frente. Há purpurinas pelos assentos do metrô e na nuca do chaveiro aqui da rua; há segurança reforçada por todas as calçadas, em especial nas esquinas. O prefeito voltou de sua viagem sem nem querer saber do que aconteceu pelo Rio em sua ausência. A política anda confusa. A vida, confusa, anda.

Este domingo começa preguiçoso, com aquela uma horinha e mais outra no limiar da madrugada. Vontade de por a soneca por mais 60 minutos, ficar revirando na cama até a hora do bloco derradeiro; amanhã, tudo volta à normalidade, ou, como na sabedoria popular, amanhã inicia-se o ano de #doismiledezoito. Para esse novo reveillon, pessoalmente, renovarei meus votos:  sonhos, foco e prosperidade; que a vida seja interessante a cada dia, que as pessoas sejam mais educadas a nível social, que nossas emoções nos guiem nas escolhas que faremos ao longo do novo ano. Que operemos cada vez mais milagres em nossos cotidianos, nos arriscando a sair de uma zona de conforto que nos incomoda e nela permanecemos por uma “falsa facilidade”. Que acordemos, um dia, e decidamos fazer qualquer coisa diferente: cumprimentar para um estranho, deixar o elevador subir e descer porque seu porteiro engatou um assunto contigo, dar aquele lanche que você comprou por pura gula para uma criança de rua, mudar de emprego, se entregar a uma experiência no estrangeiro, perder um medo… fazer algo só por você, para você, só com você. Não é egoísmo. É cuidado consigo. “Não é proibido/ vou te contar/ Tá divertido/ É só chegar“.

Marcos, que tive o prazer de conhecer ontem, por um acaso do destino, me contou, entre muitas coisas, que não tinha carteira de motorista: era o medo de dirigir, da violência, de se perder. Um belo dia acordou e disse a si mesmo:

– Vou comprar um carro!

Tomou café, vestiu-se e foi a concessionária mais próxima. Olhou, fez perguntas a um vendedor, deu mais uma olhada e fechou negócio. Sem teste drive. Ao assinar a papelada, perguntou se seria possível alguém entregar na sua casa e estacionar lá para ele.

É que eu não sei dirigir.
Ma-ma-maa-as, senhor… – gaguejou atônito o vendedor – então para que comprar um carro?

Veículo na garagem, pintura reluzente, cheiro de pneu novo em folha – o perfume da nobre conquista – e lá foi o Marcos, atrás de uma auto-escola. Fez as aulas. Se empenhou nos estudos teórico e prático, pagou o DUDA. Fez a prova. Passou. Tudo nos conformes, foi o  Marcos ser gauche na vida! se aventurou por ruas, esquinas, semáforos, bairros, pontes, outra cidade, rodovias… Hoje, me diz, adora dirigir. E estamos os dois nos dirigindo de um bairro a outro; ele ao volante e eu, de ouvinte, no carona.

O ano novo é um momento em nós para mudarmos aquela chave da mesmice. Sair de um patamar para outro é exercitar a felicidade. Isso é muito bonito. E, às vezes, percebe-se que todo um caminho percorrido foi uma experiência de amadurecimento que faz olhar para trás e entender que o que realmente se quer era aquela meta inicial, que se perdeu entre tantas vontades, caminhos, influências e necessidades. O ano novo serve para renovarmos o nós em nós. O Brasil, país do futuro, em meio aos seus caos e escândalos, ainda tem dois reveillons: que dádiva, a nossa! Um brinde (ou um café) ao ano que se (re)inicia!

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