Música e músicas: diferenças
Existe um limiar entre o que se pode dizer como música caipira e o que se costuma chamar música sertaneja. A diferença é grande.
Por exemplo, música sertaneja raramente usa viola caipira. Por isso o nome Viola Caipira, e não Viola Sertaneja. Eu não sei absolutamente nada sobre a “nova” música sertaneja. Omito-me. Tocar viola não significa ser sertanejo, ainda mais se tratando do nosso novo leque de música sertaneja.
Existe uma indústria cultural da música sertaneja, onde a fórmula consiste em um chapéu de rodeio, uma fivela grossa e basta. É importante que nós, brasileiros, conheçamos nosso patrimônio musical a fundo, e não nos resumamos a somente criticar a massa. Esta fórmula sertaneja é o que todos criticam, até com determinada razão, mas sem propriedade: generalizando. Existe muito mais sobre música – sertaneja, caipira: brasileira – e nós ainda não vimos, nós nunca prestamos atenção. Nosso leque musical se resume ao que vemos nos programas de sábado, e nunca olhamos os artistas que possuem um trabalho coerente, porém fora da purpurina da super mídia.
Isso nos torna cegos musicalmente.
Indo além, existe um limiar entre o que se pode chamar de música de qualidade e o que se costuma chamar simplesmente de música. A diferença continua grande.
Não que incomode, mas a vida não se resume a “rebolation”, ou mais uma dupla sertaneja falsa, ou mais um funk pornográfico. Acredito que devemos desenvolver o nosso gosto musical pela música brasileira, feita no Brasil por brasileiros. Já é velha a crítica ao nosso gosto americanizado, e agora vem a critica à imbecilização a que nossos ouvidos são submetidos, com todas as modas eróticas do axé e do funk. Não defendo a música caipira. Defendo as tradições, defendo o samba, o choro, o chamamé, o cateretê, o lundu, o forró pé de serra, som dos índios, o som dos negros, o som dos brancos: brasileiros. E defendo a verdadeira música sertaneja, do sertão, original. E tudo que entre na cancha reta da nossa identidade, da nossa cultura, da nossa brasilidade é bem vindo. Tudo que é original, que é vivo, que não é uma forma, uma fórmula, tudo que é verdadeiramente brasileiro.
E existe muita diferença entre o que você acha que é brasileiro, principalmente na música.
Feche os olhos, abra os ouvidos. Ouça a sua origem. Facilita.
Forte abraço. |