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Crônicas

Tragédia de Suzano: Veja a linha do tempo no ataque que vitimou 10 pessoas.

Enio Ricanelo
Escrito por: Enio Ricanelo
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Uma besta, um arque flecha, um machado e uma pistola calibre 39 foram as armas utilizadas para tirar a vida de dez pessoas na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, na manhã dessa terça (12). Os responsáveis pelo massacre foram Luiz Henrique de Castro, que completaria 26 anos nesse sábado, e Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos. Ambos ex-alunos do colégio. Outras 23 pessoas feridas foram levadas para hospitais da região.  

A partir de relatos de outros estudantes Guilherme tinha fanatismo por ideias neonazistas e sofria com a vida escolar, alguns dizem que ele sofria bullying, atualmente ele morava sozinho, depois que sua avó faleceu – há 4 meses. Ele havia postado algumas fotos posando com a arma utilizada na chacina quatro horas antes de chegarem à escola. A mãe do atirador está prestando esclarecimentos para a polícia. 

O outro ex-aluno, não tinha um passado escolar ruim – muito pelo contrário. Os dois eram vizinhos de rua, segundo outros moradores Guilherme era um jovem problemático, já Luiz não, era uma pessoa aparentemente tranquila. 

Para entendermos melhor a cronologia do atentado, montamos uma linha do tempo, a partir dos relatos de policiais e vizinhos. 

08h30. 

Os dois assassinos passaram na locadora de veículos de propriedade de Jorge de Moraes, tio de Guilherme Monteiro, e balearam Jorge com três tiros. O proprietário chegou a ser atendido, mas não resistiu aos ferimentos.  

Segundo relatos, o sobrinho não teve coragem de atirar contra o tio e quem o fez foi o Luiz Henrique. Guilherme trabalhava com Jorge, no entanto, o atirador foi demitido no último mês, fato que deve ter motivado o atentado ao ex-chefe. Após os disparos, roubaram um carro e partiram para a escola. 

09h00. 

Chegando na instituição de ensino, Guilherme salta do Onix branco primeiro, retira do automóvel todos os apetrechos que seriam utilizados, bem como uma bomba falsa – para despistar os policiais durante uma possível abordagem – a besta com as flechas, uma faca e arma. Todas dentro de uma mochila.  

Depois de preparar tudo, na maior tranquilidade, Guilherme faz questão de usar um caderno, para fingir uma ida normal à escola. Debaixo da blusa azul, o menino trazia uma máscara que foi utilizada no momento dos disparos. 

09h10. 

Dez minutos depois da entrada, segundo relatos da perícia, os dois conversaram com a coordenadora e partiram para a secretaria da escola, para tratar de um retorno aos estudos – já que ele não havia frequentado o Raul Brasil no último ano. Ainda é difícil imaginar como tudo se deu dentro da escola, mas segundo informações, os tiros começaram nesse ponto, dentro da secretaria. 

Depois, ambos se dirigiram até o pátio da escola – no horário se dava o recreio –, e atingiu quatro pessoas. Todos estudantes do ensino médio. Depois se dirigiram até o centro de línguas da instituição. Foram pouco mais de cinquenta disparos. Atingindo: Pablo Henrique Rodrigues, Cleiton Antônio Ribeiro, Caio Oliveira, Samuel Malaquias Silva de Oliveira e Douglas Murilo Celestino, esse último faleceu durante o resgato do SAMU.  

Além das funcionárias da escola: Marilena Vieira Ferreira Umezo e Eliana Regina de Oliveira Xavier. 

09h20. 

Durante toda a confusão dona Silmara Moraes, merendeira da escola, abriu as portas da cozinha para tentar abrigar os alunos e tentar salva-los da morte e do terror. “Nós abrimos a porta da cozinha e colocamos o máximo número de pessoas. Mais de 60 alunos. Foi algo desesperador ver todo mundo daquele jeito”, disse Silmara. 

A merendeira continua. “Colocamos geladeira, freezer…tudo que tinha aqui para tentar fechar a visão deles sobre os alunos e tirar a possibilidade de eles entrarem”, finalizou. 

09h45. 

Os alunos começam a saltar dos muros do colégio. Alguns moradores dos arredores os recebem. Quem consegue fugir já aciona a polícia, alguns feridos tentam fugir da escola, alguns conseguem, outros não têm força para atravessar o portão.   

Alguns jovens entraram em contato com os pais, como é o caso de Sérgio Reis, pais de uma estudante. “Ela me ligou a cobrar e me disse que estavam atirando na escola. Escutei gritos no fundo e a ligação caiu. Pensei que tinha perdido minha filha…não desejo isso pra ninguém”, declarou Sérgio.  

09h50. 

Após ser chamada pelo lava-rápido, por conta dos disparos contra Jorge Moraes, a polícia chega na escola seguindo o rastro dos assassinos. Deparados com o GATE na entrada traseira os dois se mataram, quando estavam prestes a chegar em uma sala com 30 alunos amontoados.  

Na cena do suicídio, segundo relatos, o corpo de Guilherme estava com a máscara utilizada durante o ataque, no coldre da cinta, o carregador das balas e na cintura o machado, junto ao corpo a besta. Já o companheiro, Luiz Henrique, estava de cara limpa e com a faca.  

Após serem libertados pela polícia, os alunos tiveram que passar por entre os feridos, vendo toda a destruição deixada. Muitos gritos de “aí, meu Deus”, foram ouvidos. Mesmo com a presença dos policiais na escola, o medo ainda tomava conta dos estudantes que sobreviveram. 

Foram encontrados pelos policiais mais de 23 feridos, todos transferidos para hospitais da região.  

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Sobre o autor

Enio Ricanelo

Enio Ricanelo

Tem 20 anos, solteiro, mora na cidade de São Paulo. É estudante de Jornalismo na FAM. Locutor esportivo, repórter e narrador da rádio Esportes Net, fundador e editor chefe do portal In Foca/ Agencia L'Unica. Correspondente do L’Eco di Bérgamo da Itália e escritor do livro "Cartas da Guerra".

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