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Poesias de 1 a 99
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Crônicas
In-cels ou In-hells?
Numa conversa de bar, ouvi, na mesa ao lado, alguém chamar um colega de trabalho de “incel”. A palavra me chegou torta. Pensei ter escutado “in céu” — algo estrangeiro mal pronunciado, desses modismos que sobem à cabeça depois do segundo chope. Nada disso. As
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Crônicas
Poema #03: Habitar o intervalo
“A tapeçaria é uma articulação singular entre linhas e vazios, flexibilidade e resistência, o que faz do tear a metáfora por excelência da criação narrativa: porque o ar circula entre os fios como o silêncio entre as palavras.” * Os emaranhados da vidatapeçari
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Poesias de 1 a 99
Poema #02: Sem alarde
Não era o primeiro a chegartambém não era o últimoficava no meio. Lugar pouco disputado,onde ninguém posae quase ninguém repara. Enquanto alguns se apressavam em brilhare outros reclamavam da falta de luzele aguardava. Não parecia esperar nada específicotalvez
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Crônicas
Meu relógio é de borracha
Às vezes, me canso um pouco de ler as crônicas do cotidiano publicadas nos inúmeros sites e veículos de comunicação (logo eu, que sou uma delas?). E não é por conta da qualidade literária dos textos — que, na maioria dos casos, é inquestionável —, mas por sent
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Crônicas
Chegar partindo
Sempre é tarde quando se pede perdão. Tarde demais para apagar o que não devia ter sido feito, falado, sentido, e até pensado, mas que explodiu algumas vezes em uma súbita golfada, outras em uma enxurro daquilo que fermentava há tempos. E aí, a dor é sufocante
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Crônicas
Rio abaixo…
Reconectar, rever, retomar a amizade – foi o mantra de Clô ao receber o convite para a festa dos 40 anos de formatura. Quarenta! Ela leu a lista de colegas com um sorriso nostálgico no rosto e um pensamento ligeiramente suspeito: “Que tempos maravilhosos
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Crônicas
TOC-TOC: crônica das loucuras cotidianas
Desconfio que, em vidas passadas, andei frequentando a Casa Verde do Simão Bacamarte. Não que eu me dedique profissionalmente ao estudo da loucura, mas traçar o perfil das manias alheias é um talento que cultivo com facilidade — e um tantinho de desfaçatez. Ou
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Crônicas
Ema, ema, ema cada um com seus problemas
Emília entra no elevador enorme da repartição pública, desses feitos para transportar pelo menos vinte pessoas, mas que, naquele horário, estava quase vazio. Quase. No fundo, uma pessoinha encolhida chorava baixinho. Emília desvia o olhar. Final de um dia estr
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Crônicas
Onde mora o seu olhar
Nunca havia pensado na morada dos olhos, e sua relação com a inspiração necessária para um bom escritor, até que me caiu no colo o texto magnífico de Rubem Alves – A arte de ver. Me encantou esse termo, morada dos olhos, pois ele dá uma outra dimensão à difere
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Crônicas
Só a bailarina que não tem
Um dia desses, lendo uma crônica do Vinicius de Moraes — O estranho ofício de escrever — senti um alívio maior do que aquele que experimentava, na infância em colégio de freiras, ao sair do confessionário. Minha consciência, até então abalada pelos pecados ven
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Crônicas
O retratista fiel
Folhear álbuns de fotografias antigas — em papel ou digitais — tem me causado um certo estranhamento, uma sensação de que os ambientes, as pessoas, as fisionomias não eram bem assim como estão retratadas. Na foto do meu aniversário de 15 anos, o vestido que, à
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Crônicas
A lágrima extra
O dia prometia ser quente e úmido — combinação ideal para cabelos rebelados e para quem trabalha imóvel ao ar livre. Depois de entregar o filho à vizinha que o levaria à creche, voltou ao seu reino: um quarto-cozinha-banheiro, tudo no mesmo perímetro afetivo.
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Crônicas
Therian: Espanto no Parque
Semana passada, no parque, me deparei com um grupinho de adolescentes usando máscaras de felinos. Saltavam, subiam em troncos, miavam uns para os outros. A princípio, achei que fosse ensaio da escola — alguma versão alternativa de Cats, quem sabe. Mas logo vi
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Crônicas
Presença de Espírito: Pena que Não Vem com Manual
Sabe aquela habilidade de reagir rápido, com graça, esperteza e a frase perfeita? Pois é… não veio no meu pacote. Diante de situações inesperadas, viro uma estátua com sorriso de paisagem. Meia hora depois, claro, surgem respostas brilhantes — todas atrasadas,
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Crônicas
Pandora
Certo dia resolvi organizar as fotos que ficavam naqueles albunzinhos que as Fotóticas da vida ofereciam junto com os filmes revelados, da época em que se revelava fotografia e colocava em álbuns. Foram guardados numa grande caixa, esperando o dia em que eu ia
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Crônicas
Onde está Fênix?
O final de semana prometia ser intenso. Depois de anos sem nos reunirmos, decidi chamar Roberto, Samanta e Maritza para a casa de praia. Oficialmente, discutiríamos os detalhes das comemorações de Natal. Mas, no fundo, eu queria testá-los — ver até onde cada u
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Crônicas
Desconfio que nasci pata. Pata pateta?
Sabe aquela pessoa especialista em uma atividade, focada, perseverante, que se destaca pela alta performance? Não estou falando de quem nasceu com um dom divino — porque aí seria fácil dizer: se não foi abençoado, desista. Falo do ser comum que escolhe um cami
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Crônicas
Velórios Virtuais
Elas escolheram sempre a mesma mesa, no canto da cafeteria — aquela perto da janela, com vista para a rua movimentada. Um ritual silencioso: dois cappuccinos, celulares na mesa e o feed de notícias aberto. Foi entre um gole e outro que o suspiro da mais falant
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Crônicas
Pergunte ao Jacobina
O reflexo da imagem sempre despertou curiosidade e encantou o ser humano. Ele é a metáfora perfeita para dizer a forma como nos vemos, qual a nossa autoimagem. Estima-se que ele tenha surgido, ainda que de forma rudimentar, há cerca de cinco mil anos, na antig
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Crônicas
Dias quase perfeitos
Recentemente assisti Perfect Days, uma coprodução entre Japão e Alemanha lançada em 2023. O filme é estrelado por Kōji Yakusho, no papel de um limpador de banheiros. Confesso que, no início, precisei de algum esforço para entrar no ritmo. A narrativa é lenta.
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Crônicas
O botox da Monalisa. Quando a estética paralisa também os sentimentos
O sorriso é universal e uma das únicas expressões que já nascemos sabendo fazer e reconhecer, não importa o lugar do mundo onde estejamos. Segundo o dicionário, é uma expressão em que os lábios se curvam nos cantos, e é essa curvatura que acaba dando o tom do
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Crônicas
O retratista fiel
Folhear álbuns de fotografias antigas — em papel ou digitais — tem me causado um certo estranhamento, uma sensação de que os ambientes, as pessoas, as fisionomias não eram bem assim como estão retratadas. Na foto do meu aniversário de 15 anos, o vestido que, à
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Crônicas
Tatibitate
Meu amorzinho, vamos começar. Vou explicar para você direitinho o que vai acontecer, não se preocupe, estou aqui pra ajudar, viu amorzinho? Qualquer dúvida pode me perguntar, eu estou aqui do seu ladinho o tempo todo. Vamos lá? coloque o pezinho aqui, assim am
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Crônicas
O diário secreto de Miss Marple
O ritual da noite era sempre o mesmo: minha irmã fechava as portas do armário, apagava a luz e decretava silêncio. Só então eu podia, sorrateiramente, pegar o meu livro, lápis, um caderninho e me esgueirar para o meu refúgio de leitura noturna – o banheiro– na
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Crônicas
Pi-ta-da
Pitada – palavrinha gostosa de pronunciar e quase sempre de provar. No gosto, desgosto, e até no desacerto. Tudo começou, pelo que sei, com a pitada de rapé (râper, do francês), tabaco em pó usado para cheirar e, segundo uma citação encontrada na obra clássica
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Crônicas
Manual atualizado da sofrência
Nunca tinha me atentado para a existência desse termo. Com a morte prematura de Marília Mendonça e a retomada dos comentários sobre a autora, que faria 30 anos em 2025, a palavra ganhou espaço na mídia e me levou a pensar um pouco no sentido de se cantar a sof
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Crônicas
Cuidado: mosca na sopa!
Em 1974, Raul Seixas lançou a música “Eu sou a mosca que pousou na sua sopa”, marco de um período sombrio da ditadura no Brasil. Essa metáfora é genial, e tem sido aplicada a diferentes situações, nem sempre políticas. Quem não se lembra de moscas que pousaram
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Crônicas
Do Gerúndio ao Pão Quentinho
Hoje passei quase uma hora tentando cancelar uma linha telefônica. No meio da espera interminável, lembrei de uma crônica genial de Paulo Mendes Campos, escrita em 1959: Coisas Abomináveis. Ele listou 60 situações insuportáveis e, pasme, muitas continuam valen
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Crônicas
Rio abaixo…
Reconectar, rever, retomar a amizade – foi o mantra de Clô ao receber o convite para a festa dos 40 anos de formatura. Quarenta! Ela leu a lista de colegas com um sorriso nostálgico no rosto e um pensamento ligeiramente suspeito: “Que tempos maravilhosos
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