Contos Eróticos

Histórias envolventes e sensuais que exploram a sexualidade com criatividade, despertando fantasias e emoções em narrativas intensas e cativantes.

  • Altruísmo

    Magda era o seu nome. Juliette, o de guerra. Sempre chamara a atenção, desde pequena, com seu corpo bem feito e precoce. Na adolescência dera problemas. Tinha as pernas da Virgínia Lane, a avó comentava. A mãe não sabia quem era Virgínia Lane. Magda gostava de ser comparada a uma vedete. Ainda mais uma vedete que arrebatara o coração de um presidente. Molestada por um tio, agarrada no elevador por um vizinho taradão, sem freios e ingênua, não demorou para

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  • Com quantos anos ainda se pode dançar?

    Depende. Depende das juntas, da artrite, da saúde em geral, depende de tanta coisa. Naquele sábado, na pista da Pink Flamingo, os garotos com preguiça do flerte – dançavam, riam, bebiam. Ninguém se olhava. Ninguém se deixava gostar. Foi quando ele – camisa branca, jeans comum e tênis – foi para a pista com jeito de quem ainda sabe como se faz certas coisas. Primeiro ele olhou. Depois sorriu. Depois gostou. O outro olhou de volta. Depois s

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  • Feliz Dia dos Namorados

    Ele entrou no carro — com sono atrasado e a alma desabada. — Bom dia — disse para a motorista.— Bom dia — respondeu ela. Ele vinha cansado. Noite inteira no hospital: gente gripada, filas enormes, enfermeiras com três noites sem dormir, indo de um plantão para o outro. Com anos como enfermeiro, aprendeu a não exigir sorriso nem bom humor dos outros. Dava o sorriso dele, a ajuda dele — ou, às vezes, só um atendimento decente. E isso já bastava. O perfume da

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  • Pink Flamingo, o mergulho

    Quando a segurança abriu a porta, senti como se entrasse num ventre da noite. A Pink Flamingo tinha um borogodó raro: homens de bermuda acima do joelho, corpos de Zeus, gringos loiros, negros cariocas, certinhos, caretas — todo mundo no mesmo caldeirão da carençolândia, como diria Xico Sá. Uns de camisa da moda marrom, outros de jeans e pochete. Se os “gurus da moda” dizem que não pode, lá tem alguém usando com orgulho e pose. A música era um delírio pop d

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  • Pink Flamingo, o devasso e o certinho

    Peguei o táxi na Visconde de Pirajá como quem vai saltar de paraquedas — eu, sedento pela farra, e o poeta carioca ao meu lado, trajando cachecol marrom e sorriso aberto, pronto para qualquer desvio de conduta. No rádio, Caetano entoava seu inconformismo poético: “Vaca das divinas tetasderrama o leite bom na minha carao leite mau na cara dos caretas” E eu, espremido entre banco e sede de noite, absorvia cada verso como promessa de libertinagem, enquanto o

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  • A Calcinha de Ipanema

    Ela estava sentada com as amigas em uma mesa de um bar ali na Joana Angélica, esquina com a Vieira Souto, perto do Posto 9, e entrou no banheiro. Quando saiu de lá, tinha cara de quem tinha achado um poço de petróleo no calçadão. Foi logo anunciando a boa nova: — Olha aqui, gente… tá novinha! Exibia, triunfante, uma peça íntima branca e preta, imitando o desenho ondulado do calçadão de Ipanema. — Amiga, você tá louca? Onde achou isso?— No banheiro.—

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  • A Pílula dos Sonhos Eróticos

    O nome do negócio é Reveride. Uma pílula azul-turquesa, lisinha, meio translúcida, parecendo bala de hortelã gourmet. E a promessa? Simplesmente esta: você escolhe com quem quer sonhar, o cenário, a trilha sonora — tudo sob medida, como um delivery de delírio. Na primeira noite, fui de Emmanuelle, interpretada por Sylvia Kristel, claro — aquela do olhar lânguido e voz de cigarro francês. Estávamos num hotel à beira-mar em Saint-Tropez, quando ela apareceu

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  • Sílvia Maria

    Toda noite o barulho dos saltos de Dona Sílvia estalava no assoalho de madeira. O ritual era sempre o mesmo: ela conversava alguns minutos ao telefone, abria uma garrafa de vinho, tomava um banho demorado, se arrumava e esperava o próximo chegar. Ele tocava o interfone, ela calçava os saltos e saía apressada para abrir a porta. Parecia recuperar o fôlego antes de dar o primeiro “Oi!”, e o que se passava depois era sempre abafado por barulhos de beijos e ou

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  • Por trás do muro azul

    Todos os dias ela saia às 16 horas em ponto. Seu destino era certo, mas ninguém sabia suas motivações. Nem mesmo seu marido, que nunca desconfiou dessas saídas no meio da tarde de Ana Maria. Ela nunca lhe deu motivo para desconfiança, mesmo sendo ainda muito bonita e com corpo esbelto. Devota, mulher prendada e dedicada a ele, Rogério saia tranquilo todos os dias para o trabalho sem nunca imaginar o que acontecia no íntimo de sua quase santa esposa. Ana se

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  • Sérgio e a coroa de flores

    Nem eram tão amigos assim. Colegas de trabalho, se cumprimentavam cordialmente, participavam das mesmas rodinhas de café, talvez tenham se encontrado em um ou dois “happy hours.” E só. Mas o desespero e a dor têm o dom de aproximar os desavisados e foi nesse momento que Sérgio assinou o seu destino. Ficou sabendo que o tio de Cleide havia falecido no dia anterior e foi prestar condolências. Ela, ainda com os olhos inchados do choro da véspera, tentava se f

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  • Só um pouquinho

    Dona Glória acabara de comemorar seus 70 anos e, como presente, ganhou um gesso no braço. Uma queda boba, o tapete fora do lugar, o piso encerado e ela se estabacou no chão. No instinto, colocou a mão na frente e o braço segurou o peso de todo o corpo. Que não era muito, pois Glória se cuidava e mantinha a silhueta em dia. Mas também não era pouco. Dois meses depois do incidente, ela finalmente tirou aquele incômodo e a primeira reação foi coçar a parte es

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