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Contos
O gato subiu no telhado
O gato subiu no telhado. Na sala. Na lareira. E na janela. Brigou com as gatas, espantou o sono, o frio, rompeu a madrugada, fez barulho, fez rosnar, assustou. Fez miar. O gato preto e branco queria comida, queria carinho, queria estar. Queria o lugar das gatas, queria mudar o rumo, queria dominar o mundo, queria brinc
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Contos
Fazendo a roda girar
Saía de casa faceira após chamar o Uber. A vizinha vê, para. Me elogia. Pavaneio. Vou dar entrevista. Oferece carona. Recuso. Uber já chegou. Penso na taxa de cancelamento. Pago não. Não sei mesmo fazer conta. Vou de Uber. Vizinha se vai. Começa a tradicional conversa sobre o tempo, o frio, o perigo do banho quente e s
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Poesias de 1 a 99
POEMA #01 – QUARENTENA – QUARESMA – QUARESMEIRA
Cinco anos depois da pandemia ser anunciada, revisito este texto que nasceu em meio ao isolamento — ecos de um tempo que ainda ressoa. O horizonte anunciou um desafioNa época que trariaTanta luz e liberdadeChegaram tempos de trevasFomos convidados ao exílioUm inimigo invisívelUma tal gripezinhaQue surgia na ChinaE, de
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Crônicas
Ficar de repouso
Desconheço três palavras do nosso idioma que, juntas, formam uma pequena sentença de morte. Em vida. Ela me assombra como uma prisão para maus comportamentos que parecem surgir até de vidas passadas. Um castigo para as travessuras, repouso para mim é inferno na terra e ainda me deixa de mau humor. Essa pequena frase qu
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Contos
Rosa, verde e rosa
Rosa. Apenas Rosa. Nascida e criada na Estação Primeira de Mangueira. Primeira estação do trem e do seu coração. Rosa ganhou esse nome por duas paixões do seu pai. O samba de Cartola e a Mangueira. Rosa nasceu em 1980, ano em que Cartola morreu e seu pai resolveu lhe prestar essa homenagem. Ele assobiava “As rosas não
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Contos
VALDIR E FONSECA
Valdir e Fonseca trabalhavam na mesma empresa. Estavam na casa dos 50 anos bem vividos, um talvez mais do que o outro. Eram também vizinhos, o que não significava que eram amigos. Todos os dias saíam no memos horário, mas Valdir nem sempre voltava para casa antes do Jornal Nacional. Tinham algumas outras tantas diferen
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Contos Eróticos
Sílvia Maria
Toda noite o barulho dos saltos de Dona Sílvia estalava no assoalho de madeira. O ritual era sempre o mesmo: ela conversava alguns minutos ao telefone, abria uma garrafa de vinho, tomava um banho demorado, se arrumava e esperava o próximo chegar. Ele tocava o interfone, ela calçava os saltos e saía apressada para abrir
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Contos Eróticos
Por trás do muro azul
Todos os dias ela saia às 16 horas em ponto. Seu destino era certo, mas ninguém sabia suas motivações. Nem mesmo seu marido, que nunca desconfiou dessas saídas no meio da tarde de Ana Maria. Ela nunca lhe deu motivo para desconfiança, mesmo sendo ainda muito bonita e com corpo esbelto. Devota, mulher prendada e dedicad
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Contos Eróticos
Sérgio e a coroa de flores
Nem eram tão amigos assim. Colegas de trabalho, se cumprimentavam cordialmente, participavam das mesmas rodinhas de café, talvez tenham se encontrado em um ou dois “happy hours.” E só. Mas o desespero e a dor têm o dom de aproximar os desavisados e foi nesse momento que Sérgio assinou o seu destino. Ficou sabendo que o
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Contos Eróticos
Só um pouquinho
Dona Glória acabara de comemorar seus 70 anos e, como presente, ganhou um gesso no braço. Uma queda boba, o tapete fora do lugar, o piso encerado e ela se estabacou no chão. No instinto, colocou a mão na frente e o braço segurou o peso de todo o corpo. Que não era muito, pois Glória se cuidava e mantinha a silhueta em
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