Poesias de 1 a 99

É um espaço destinado para poemas de novos e autores consagrados.

  • Falemos da esperança.Sim, da velha andançaDa chuvosa lembrançaOnde te sondavas. Vamos, falemos em novidade.Digamos que vai tudo indo, sim.Lá fora, diga que, ao todo, te aquietasFora tempo de espera. E te lembravas. Este, foi-se?Não soubera.Tentaste um rumo, fo

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  • Havia uma aranha lá foraque tecia sua redea despeito da chuvae do desânimo dos homens. Era uma aranhaque tecia a sua rede fora do mundo,e eu miseravelmente preso a eleperdia-me em conjeturas sobre o amore sobre um livro que acabara de ler. O Acaso das Manhãs

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  • Tempo, tempo.. passe logo, mas com calma!Para que a pressa?se preciso, eu, mais que vitaminas,do alimento para o viço que… reflete-me,[interna] e inteiramente?Que eu possa deleitar-me com o calor azulda caligrafia inexistente no papel que cheira a delíri

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  • tivemos um olhar-eclipseapósanoseanos foi tão lindoque até os deusespararam pra ver e foi assim        mais    umavez até o sol dos seus castanhos partirpara um cantoe restarsomenteessa luaminguanteno céuda sol

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  • Sequência finalnuma casa de 24 m²com vista de frentepara um beco lateral.O piso era grossoantes de eu assimilá-lo,mas como a vidapermaneceu emdesalinho eu adormecideitado de lado e tombadoem lençóis queimadosno espaço entre as camas.Com uma aliança invisívelna

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  •  ( A Cecília) Antes que chegue o dia da mudez,Cantemos!Cantemos elegiasCantemos heavyCantemos baladasCantemos !Que em nós haja uma eterna cançãoIndescritivelmente bela,Inevitavelmente originalPor sermos, cada um de nós, a própria melodia, a harmonia curat

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  • Este que vos premeditaDevia dizer-lhes algoMas o profundo que é o serenoMais errôneo que o acaso tornou-se Então dizes ao papel:Das tuas palavras fizestesDe pouco caso;Que se bastasse um punhado‘Inda que só coubesse o que lhe atava. Sonoridade tal das águas já

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  • Abandono totalnuma casa de 29 m²com vista de fundopara um bambuzal.O piso era claroantes de eu pisá-lo,mas depois a vidaconverteu-se emdesordem e acordeideitado de costasnum corredordo lado de fora,com a chave na mãoesquerda coberta desangue e a fúria cegade q

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  • Estou parado há duas horas.Já fui de um lado a outroFui de esquina a esquinaPercorri cada quadrado de chão. É que me cansaram as pernasEntão deixei-me aqui.Por um lado parece-me um tanto sagrado,De outro, nefasto e ridículo. É que andei tanto que já não tenho

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  • Suspenso na tardecomo uma lâmpada queimadanum porão deserto,figura o lado esquerdode um parêntesis aberto. Seu estado resultado itinerário de sombrasem que um homem se perdena solidão de seus próprios passos,esquecidos sequer sem deixar uma marca. Sua abertura

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  • O outono deixa cair seu manto branco sobre as montanhasNada mais é nítido, nada mais é real.Tudo vira sonho .Há magia sob o tecido d’água que misteriosamente pede aconchego.Todos são um. Confundidos, ofuscados. O outono salpica a noite com estrelas tantasO olh

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  • A inquietação daquela noitelevou-me ao extremo de deixar a camaem pleno delírio da febre sem causaque me acometia desde há muito. Nunca em meus transportes noturnos,que eram então muito frequentes,eu havia experimentado essa ânsia de fugaque só se compara à de

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  • A cama desarrumada.O livro (quase) aberto.Páginas escurecidas. A caneta largada no meio. No relógio um horário impróprio; “já é dia?”Sob os travesseiros, um único pijama não se sabe porquê; não se sabe para quem.Clareou.As plantas espreguiçam-se:um girassol re

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  • em frente à ruaum senhor passacom seu carrinho de docese um radinho tocando:“doce doce doce a vida é um doce doce mel…”os olhos de minha lembrançarolamfeito bolinha de gude encaçapandoo buraco mais fundo chamadotúnel do tempoe percebohá quanto tempojá não sabo

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  • Um momento cristalizoutodos os outros momentosde espera e indagação.Um momento trouxe à tonatodos os outros momentosde sublimação dissimulada.Um momento estabeleceu o paradoxode todos os outros momentosentre o que se quer concretamentee o que se assume perante

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  • Quero a involuçãoA proteção contra os ventosÚtero da mãeTurbulência amniótica. O desequilíbrio de voltarO ser ainda sem serTodos os caminhos por andarTodas as guerras por vencer Quero o grito de mãeNa hora de parir O choro engasgadoA dor de nascer Coragem para

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  • o teu encanto de sereialevitou a serpentepor entre minhas teiastua pele luxo de sedapor cima de mimfeito mágica de Aladdinsucumbiu com minhas destrezasteu palato de rio docedesaguou no meu remoeste tão cansado e enfermode navegações ocrese ao velejarmos sobre

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  • A anatomia dos carros na ruarevela a um homem que os vê(entre outras coisas)uma força neutra a interferire modificar a paisagem desoladade quem anteriormente os criou. A anatomia das mulheres(independente dos lugaresem que se encontram) remete-nosa uma forma v

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  • tragoa pessoa amadaaqui dentro mas amor não se prende sendo assimsolto-oao vento

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  • A cada dia vai-se diminuindoo meu espaço vital.Isto porque quando comecei a sentir-meparte integrante do mundoeu já havia sido expulso do mundo.Toda uma vidatodo um aprendizadoadquirido na sombra e no silêncio de indivíduoé tão somente de conhecimento meu próp

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  • a música no rádiotocaum clássico rock anos 80 — ainda não sei de quem —mas seique toda vezque essa música-clássicotoca todas as estações do rádiosintonizamtua imagem-clipedando coresa um passadoque ficou em branco. *

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  • O corpo utilizadopara a afirmaçãode uma individualidade,de resto inexistente. A individualidade,como um fantasma abstrato,esconde-se por detrásda porosa pele. A tatuagem utilizadapara a identificaçãodos corpos, vítimasdo desastre aéreo. Um Andarilho Dentro de

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  • na calçada dos meus olhosvocê passa um palavrão altosaina boca do becoda minha mente a ponta-metal do teu saltoarrebentao meu tímpano-peitonum som estridente e no meio do palcoperco todo o sentidofeito fã cego idolatrando artistaem seu show ao vivo

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  • ITenho comigomilhões de cadáveresque apodrecem seus ossosjá destituídos do ímpetoque movimenta os homens vivospara a conquista de algo. IITenho comigoa inércia do corpoque aniquila o meu sonhojá despojado da vidaque antes impedia o planode me alimentar desses

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  • Entre tantas vozesTantos abraçosEntre tantos conselhosEm meio ao cansaço Quando sorrioOu quando choroSe me surpreendoOu me apavoro Se a alegria é tantaOu a decepção é muita,Importa ter o teu colo, Mãe,Pra valer a pena continuar.

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  • Dove mi nasconderò?Dove mi sentirò?L’appartenenza non è piùChe la gentilezza Di far nullaSenzaUna scelta. Il poema sarebbe belloSe non fossi ioA scrivirtelo,Dall’uomo che suona zeroInsomma, dammelo subito!Che poi riesco a diventare…Ansito. Chiusa è l’omb

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  • De cotidianos resíduosarrancados na solidão de prisioneiroem que todo o meu ser se devora,tento compor uma imagem humanaque me faça aceitável a mim mesmo. No silêncio da morte aparentena qual me recolho ao túmulo previstonão sei com que ânsia mórbida de calma,

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  • Soldado canta tristeSentinela!Quem é poeta? Vento que prestaBarco a velaQuem é poeta? Pescador lança triste o anzolPoeta!Quem é vigia? Vento que espiaAmor que esfriaQuem é vigia? Moça olha triste o céuEspera.Quem é poeta?Quem é vigia? Vento que prestaVento que

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  • O Rio Grande não é apenasgrande, ele é tambémreferencial de um sonho(ponte de água clarainterligando abismos).Dreno com meus olhos líquidosa sua enseada como quem nãodrena nada, exceto a visão da água. E como a viagem não permiteque se fique sempre às margensd

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  • Em tesetudo é possívelmas na práticanada acontece.Eu sou a antítesede todos os axiomasbenéficos.A Sentinela em Fuga e Outras Ausências

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