Poesias de 1 a 99
É um espaço destinado para poemas de novos e autores consagrados.
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na calçada dos meus olhosvocê passa um palavrão altosaina boca do becoda minha mente a ponta-metal do teu saltoarrebentao meu tímpano-peitonum som estridente e no meio do palcoperco todo o sentidofeito fã cego idolatrando artistaem seu show ao vivo
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ITenho comigomilhões de cadáveresque apodrecem seus ossosjá destituídos do ímpetoque movimenta os homens vivospara a conquista de algo. IITenho comigoa inércia do corpoque aniquila o meu sonhojá despojado da vidaque antes impedia o planode me alimentar desses
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Entre tantas vozesTantos abraçosEntre tantos conselhosEm meio ao cansaço Quando sorrioOu quando choroSe me surpreendoOu me apavoro Se a alegria é tantaOu a decepção é muita,Importa ter o teu colo, Mãe,Pra valer a pena continuar.
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Dove mi nasconderò?Dove mi sentirò?L’appartenenza non è piùChe la gentilezza Di far nullaSenzaUna scelta. Il poema sarebbe belloSe non fossi ioA scrivirtelo,Dall’uomo che suona zeroInsomma, dammelo subito!Che poi riesco a diventare…Ansito. Chiusa è l’omb
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De cotidianos resíduosarrancados na solidão de prisioneiroem que todo o meu ser se devora,tento compor uma imagem humanaque me faça aceitável a mim mesmo. No silêncio da morte aparentena qual me recolho ao túmulo previstonão sei com que ânsia mórbida de calma,
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Soldado canta tristeSentinela!Quem é poeta? Vento que prestaBarco a velaQuem é poeta? Pescador lança triste o anzolPoeta!Quem é vigia? Vento que espiaAmor que esfriaQuem é vigia? Moça olha triste o céuEspera.Quem é poeta?Quem é vigia? Vento que prestaVento que
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O Rio Grande não é apenasgrande, ele é tambémreferencial de um sonho(ponte de água clarainterligando abismos).Dreno com meus olhos líquidosa sua enseada como quem nãodrena nada, exceto a visão da água. E como a viagem não permiteque se fique sempre às margensd
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Em tesetudo é possívelmas na práticanada acontece.Eu sou a antítesede todos os axiomasbenéficos.A Sentinela em Fuga e Outras Ausências
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Eu sei que eu mereço(embora talvez eu não venha ater) o meu nome num nome de rua. Eu sei que eu mereçouma estátua de bronzena praça de Ervália. Eu sei que eu mereçodenominar a Casa daCultura como o poeta que sou. Eu sei que eu mereçocasar com uma mulhernegra,
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Chamam de resiliênciaessa palavra polida,de palco e de LinkedIn,que ensina a atravessar ruínascom a coluna ereta. Resiliência:dizem ser força,dizem ser método,dizem ser quase virtude corporativa. Mas outro diaela me apareceu diferente —não em gráficos,nem em d
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mandei uma mensagemacabando com tudoque não havia. tranqueio portão de entrada paraque nada entrasse além daminha covardia. jogueia toalha como quem sedespede da vida e talveznão devesse ainda: era cedo etarde demais ao mesmo tempo.fiquei com o meu corpo deita
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Poema ao ventoCesto vazio em pouso certoCascalho de ilusõesSem tempo. Poema ao ventoE nenhuma certeza das coisasNenhuma certeza. De repente uma linha intrometida atrapalha o poema, como um rio conquista com ajuda das águas a terra branca, areia, alguma coisa s
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Cap. I – Da Doença Compressas frias, banhos mornos, cataplasmas sinapizadas, injeções intravenosas de electrargol, injeções hipodérmicas de óleo canforado, de cafeína, de esparteína, lavagens intestinais, laxativos e grande quantidade de poções e outros remédi
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No cemitério de PerdõesLaura Alvarenga descansa.Moça bonita de 19 anos,falecida em 1920.Sentada numa cadeira,com um grande laçode fita nos cabelose uns braços que talveznem mesmo Machadosonharia descrever emseus contos de Assis.Laura Alvarengade 19 anos de ida
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parece que perdio dom de sonhardepois de tantasdecepções. depois de tantasperdasparece que sonheique já não tinha o dom. acordei e era tudoverdade ou pesadelodepois eu achoque dormi de novo. O Jardim Simultâneo
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Fica de nós este resíduodo que ainda não fomos.Este abismo a se superare uma certa disponibilidade.Fica esta in/compreensão mútuae a dificuldade em se comunicar. Fica de nós este fragmentodo que ainda podemos ser.Este relacionamento a se elaborare uma parcela
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“Quando em meu peito rebentar-se aQue o espírito enlaça à dor vivente”. Álvares de Azevedo(1831-1852) O poeta dobra a esquinacom uma sacola de plástico:pão, bife de hambúrguer e solidão.Não vale a pena chorar por ele:se fez as opções erradas,se tombou p
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A lua na casa de saturnosaturno na casa da luatodo mundo em casa.A casa de todos no mundotodo mundo na casa detodo mundo e eu que nãoencontro o meu lugarem lugar nenhum,no escuro. O Jardim Simultâneo
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Agora que a luz se apagoue a solidão restabeleceu seu domínio,ouço com receio a linguagem do escuroque me des-norteia a vida. Nasci sob o signo da mortemas prefiro-a assim,conquistada aos poucos.Porção diária de venenoque injeto na raiz da vidaaté que ela, afi
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Não era o primeiro a chegartambém não era o últimoficava no meio. Lugar pouco disputado,onde ninguém posae quase ninguém repara. Enquanto alguns se apressavam em brilhare outros reclamavam da falta de luzele aguardava. Não parecia esperar nada específicotalvez
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Ainda que sejam versos pequenos…Uns simples versos que sejam ao menos,os ventos os empurrarão no tempoonde serão o eterno consentimento. Toda a lua brilha alta e resplandeceporque deseja muito o amor do mar.Acaricia um instante e depois reflete:é a busca de nu
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“Eu quero os meus brinquedos novamente!Sou um pobre meninoQue envelheceu, um dia, de repente!”Mário Quintana (1906-1994) Tenho quarenta e cinco anose já neste meu último aniversáriofoi levantada a hipótese irreversíveldo envelhecimento antes da morte,mas nunca
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Quando a chuva neutralizara esperança das flores, no chãouma semente irá se desenvolverà imagem e perspectiva de tornar-se,sintetizando em si todo o anseio dos homenspara que de seus ossos não se faça apenasum cemitério, mas também um canteiro.Areia (À Fragmen
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A vida,em todas as suas formas,revela a sutileza de um mágicoque hipnotiza a todospara que não vejam seus truques falhos. Os homens,em todas as suas crenças,revelam a idiotice de um asnoque acredita em tudopor não ser capaz de discernir o óbvio. Os homens,com
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amar-te até os dentesembora passado o instante da mordidafico de presente com a marca da feridaleva pro futuro tatuado meu gosto
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sou nascido e criadona roçaacostumado com as durezasda vida racho lenha para o sustentocom um machado cegode cabo de pau-mulatoherança do meu avô após almoçar no quintaluma empurra a outra na moitae eu saio aliviado para o roundda luta suja e feroz do homem. U
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estou sem almoçoe sem jantae com duas costelasquebradas meu caminhar é pelesobre o bronzedo asfalto, atritosuave de quem sonha estou sofrendocom as calças e tudoe isso é nada paraquem vive na rua. Um Andarilho Dentro de Casa
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Solto em São Paulo, aonde iria?Rompia a noite, não decidia.Abria as asas: para onde ia? Se fosse Batman, já saberiaqual o combate de cada esquina.Mas nem pra Coringa prestaria. Vampiro? Não, desmaiariaà vista de sangue.Dos predadores recusavaaté a fantasia. Ao
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Identifico-me com a noitee com o que ela trazde específico a si mesma,e assim fazendo, aceitoo convívio de seres opacose da nova ordem e estado de coisasque o escuro inaugura.Identifico-me com o avessosou aliás o próprio avesso de mim,e assim sendo, conheçoas
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