
Crônicas
Voraz
Fico observando uma lagartixa colada no vidro da janela.
Minha mãe diria que ela não tem modos! Arreganhada desse jeito, toda exposta.
Minha filha se arrepiaria, sentiria medo, nojo. Não olharia.
Eu a observo. Será que ela sabe que está assim tão exposta, tão vulnerável?
A lagartixa, no entanto, tem os olhos fitos nos insetos pululando à luz da lua. Livre de qualquer opinião.
Sem vergonha nenhuma, deseja.
Dane-se todo o resto!
De vez em quando me serviria ser uma lagartixa…
Completamente entregue aos meus desejos.
Grudada na tua janela despudoradamente.























