Crônicas

  • maio- 2026 -
    10 maio

    Inopinadamente, flores

    — para minha mãe, Lucia. Terra fria e emudecida. Inopinadamente, fibras rompem o ventre silencioso, como unhas recém-nascidas. Entre o solo e a grama, um ponto vibrante. De um botão, eclode uma cor; formas e aromas a batizam ‘flor’. Surgem os rótul

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  • 10 maio

    Dia das Mães

    Mãe. Palavra pequena que significa tanta coisa! Abraço, afago, aconchego mesmo no cansaço, presença, cuidado… Mãe. A matemática de contar feijão! Um a um na palma da mão… Mãe. Saber a palavra certa ou não ter palavra alguma e mesmo assim, falar com os olhos. M

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  • 10 maio

    O outro pé da meia

    Noite fria, escura.Abre a portinhola. A roda gira.De cabeça coberta, estica os olhos para os dois lados sem virar o rosto.Ninguém à vista. Por um momento titubeia. Mas já está feito. Não há volta.Segue em passadas trôpegas seu caminho. **** Sentindo um ardor n

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  • 10 maio

    Rosane desistiu

    Meu nome é Rosane. Detesto quando me chamam de Rosana. Friso sempre o “e” no final. Não sou uma mulher exigente. E a carência está me fazendo ficar ainda menos. Sinto falta de transar, sinto falta de romance, sinto falta de um homem a quem possa admirar. A que

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  • 9 maio

    Mundos Paralelos

    As pessoas se levantam cedo, tomam seu café e vão trabalhar. Trabalhos variados, perto de onde moram ou longe talvez; trabalhos fáceis, difíceis e até penosos. Existe um ditado muito popular que diz: “O trabalho dignifica o homem.” Não sei ao certo quem primei

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  • 9 maio

    CARAS E COROAS

    “Esse cara sou eu” (Roberto Carlos) Esse texto vai para aqueles que, como eu, já foram caras e, sem aviso prévio, foram remanejados para a turma dos coroas. Devo ter faltado à assembleia deliberativa que cravou essa arbitrária realocação, à revelia dos afetado

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  • 8 maio

    Ulisses à beira da lagoa Rodrigo de Freitas

    Alguém já disse que um dia de sol no verão do Rio de Janeiro chega a ser musical. Há no ar uma atmosfera positiva, de bom humor e de vontade que a vida dê certo. As pessoas circulam mais leves, esbanjam-se sorrisos e há uma eletricidade positiva no ar conectan

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  • 7 maio

    Um gênio e um louco

    Em 1879, o Professor James Murray candidatou-se para liderar a tarefa de elaborar o célebre Oxford Dictionary of English. Monstruosa empreitada que consistiu em colocar toda a língua inglesa em livros, bem como a etimologia das palavras e o sentido de cada ter

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  • 3 maio

    O que há de velho?

    Li, há muito tempo, um conto em que o protagonista se queixava de que os amigos sempre lhe faziam a mesma pergunta: o que há de novo? Não recordo o nome do conto nem do autor, a quem humildemente peço desculpas, embora estas soem falsas dado que ele deve ser f

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  • 3 maio

    No raso, a/mar não ensina — derruba

    Aquosa, a superfície reflexiva. – custa a – Imprópria ao banho… Mergulhar machuca [jamais acolhe]; rasga, sangra, desfaz a um e à outra sem que se fundam; era ela o acaso. – …entender que aquela é – (A/) Ela – narrativa, aqui; não fofoca – que, sem distorcer o

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  • 3 maio

    Sucesso

    Diana Duran, cantora e compositora, planejava lançar seu novo álbum com músicas inéditas. Algumas faixas em inglês. Quando Diana cantava em outro idioma, inventava erros linguísticos somente pela graça do viés poético. Adorava aliterações, repetições de sons p

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  • 3 maio

    Arca em regime fechado

    Como se não bastassem os quarenta dias de dilúvio, ainda teve o Pandê. Consta que tudo começou com um morcego infiltrado — desses ressentidos — que embarcou sem autorização enquanto Noé se distraía organizando a fila dos puros e impuros. As corujas, sempre opo

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  • 3 maio

    Crônica sobre uma foto: a estação rodoviária

    Organizando algumas caixas no armário, umas com papel sem importância ou importância pouca e burocrática — notas de cartão de crédito, documentos, tíquetes de estacionamento —, deparei-me com algumas fotos antigas. Fotos do tempo de eu-menino, como diria Manue

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  • 2 maio

    Sertanejo Universitário

    “Ô saudade que eu tava da vida de cachorrada, da vida de putaria” — (Gusttavo Lima) Quando ouvi pela primeira falar em ‘sertanejo universitário’, a ideia que me passou pela cabeça é que se tratava de uma versão mais elaborada do sertanejo ‘mainstream’&nb

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  • 2 maio

    Metamorfose

    A lagarta vira borboleta.      Mas a borboleta não volta a                  ser lagarta.  Existem as boas mudanças e aquelas diante das quais exclamamos: eu achei que não podia piorar! Quando mais jovem ouvi a expressão: A mudança é a única constante da vida.

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  • 1 maio

    Zebras à vista na copa do mundo

    Estava passando em revista os 12 grupos da copa do mundo de futebol e conhecendo as 48 equipes. Um comportamento estranho, admito, porque nunca fui fã de copa do mundo, como atestam as pessoas que me conhecem. Verdade. Me entusiasmei mais com a copa do mundo d

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  • abr- 2026 -
    30 abril

    Lugar interno

    Há mendigos que não estendem a mão nas esquinas, nem carregam embrulhos com roupas sujas. Sua fome não é de pão, mas de palavras; sua sede é de olhares que os reconheçam. São os mendigos emocionais, aqueles que vagueiam pelos corredores das relações com uma ti

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  • 28 abril

    Todos os meus amigos são caretas

    Todos os meus amigos são caretas. Talvez um só não seja, mas os outros, todos, são. Foi esta frase que, de repente, ao acordar — antes mesmo do café da manhã —, vim correndo aqui anotar. Nenhum amigo meu bebe, fuma; nenhum é notívago, folião de carnaval. Não t

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  • 26 abril

    Fluxo e pulso das horas

    “A gente jamais esquece o primeiro relógio.”¹ “ […] As últimas datas, descobertas, invenções,sociedades, autores antigos e novos,Meu jantar, roupas, amigos, olhares, cumprimentos, dívidas,A indiferença real ou fantasiosa de um homemou mulher que eu amo,A doenç

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  • 26 abril

    Match fatal

    Nunca tinha entrado em sites de relacionamento, mas naquela noite decidiu experimentar. O universo digital estava ali, ao alcance de um clique — por que não se aventurar? Ouviu dizer que era uma forma infalível de conhecer mulheres disponíveis. Bastava preench

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  • 26 abril

    O talento dos outros

    Tenho imensa gratidão pelas pessoas que fazem aquilo que não sei ou não gosto de fazer. Cozinhar, ainda que a contragosto, é possível, mas fazer meus próprios sapatos está fora de questão. A lista das profissões que me atraem é infinitamente menor do que a lis

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  • 26 abril

    COMPULSÃO

    Elisa sempre quis ser advogada. Formou-se bacharel em Direito e exerceu a atividade jurídica durante quatro anos numa firma de advocacia, especializada em Direito Familiar. Após a graduação, passou em concurso público para ocupar o cargo de Juíza Substituta. C

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  • 25 abril

    Detesto o meu novo amigo!

    Ele sempre me corrige, acha que sabe mais do que eu, e pior, quer empurrar a ideia dele, na força das argumentações. Sim, pois nisso ele é bom! Me põe como sonsa, fútil e até ignorante. Destila o seu suposto saber, com exemplos, ideias atravessadas, tudo em no

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  • 25 abril

    É difício

    “Da força da grana que ergue e destrói coisas belas” (Caetano Veloso, Sampa) Quem tem, como eu, a desventura de residir em São Paulo, já se deu conta, angustiado, da incontrolável proliferação de novos prédios que vêm pipocando pela metrópole, em especial nos

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  • 24 abril

    O papagaio de Humboldt

    Em fevereiro de 1800, o barão Alexander von Humboldt inicia a exploração do rio Orinoco. Recolhe diversas espécies de plantas e animais desconhecidos, mede meticulosamente a temperatura do rio, do solo e do ar, a pressão atmosférica e a inclinação magnética. D

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  • 23 abril

    Aprendi a ser o máximo de mim mesmo!

    Essas foram palavras deixadas por Nelson Rodrigues, um mago da literatura, escritor, jornalista, romancista, teatrólogo, contista e cronista de costumes, e de futebol brasileiro. É considerado o mais influente dramaturgo do Brasil.  Além dessas palavras, acres

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  • 22 abril

    O chamado

    O telefone tocou. Não olhei, de primeira, porque estava preparando o café e o pão com mortadela, para o desjejum. Entre uma coisa e outra, vacilei e vi o nome de Iasmin na tela do celular. Por que fiz isso? Foi instintivo ou uma premonição? Uma coisa absolutam

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  • 22 abril

    O fantasma do ferro-velho

    Nunca fui de me impressionar com coisas sobrenaturais. Acho-as, inclusive, enfadonhas e desnecessárias, pois em nada contribuem para a vida prática. Trata-se de um mercado tão comum como qualquer outro. Primeiro criam um problema, depois vendem soluções fracio

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  • 21 abril

    As 7 Palavras de Cristo na Cruz

    A pergunta foi direta como um chute do infalível Bruce Lee em seus melhores dias: por que as últimas 7 palavras de Cristo na cruz? E o poeta, sem querer fazer poesia, respondeu na sua forma sertaneja de ser. Mas, afinal, por que “sertaneja”? Simples. O poeta,

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  • 21 abril

    A certeza que cansa o olhar

    Otto Lara Resende escreveu uma das minhas crônicas favoritas: “Vista cansada”. Li pela primeira vez na faculdade de Letras. Depois, voltei a ela muitas vezes, sempre com o mesmo incômodo. É uma crônica triste, muito triste. Diz que, de tanto ver, chega uma hor

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