Crônicas

  • jul- 2026 -
    12 julho

    MUSICALIDADES

    Nascera com o dom para a música. Precoce, Marília, com quatro anos já se aproximava do piano, como um beija-flor às flores. Uma profunda atração que deixava a todos impressionados. Com seus dois polegares tirava das teclas um som inédito. Futuras canções. A fa

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  • 12 julho

    De Diva de Cinema à Madame Mim na Flórida

    Sempre admirei o glamour dos cabelos ao vento. Grace Kelly, Audrey Hepburn, Tippi Hedren… todas sabiam, como ninguém, enrolar as madeixas em um lenço de seda, solto o bastante para deixar escapar charme e liberdade. As cenas de Ladrão de Casaca, Charade e The

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  • 11 julho

    GRITO DE GOL

    Um grito de gol não sai de uma superfície plano inclinada: a garganta. Ele irrompe de um outro lugar. Vem do fundo , sinuoso e labiríntico. Vem da pátria, seja verde e amarela, rubro-negra, tricolor… Pulsional, berra com a força e velocidade maiores que da pró

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  • 11 julho

    Historias antigas…

    Nossa avó morava com a gente. Aliás, morava é modo de dizer. Ela fazia parte da casa. Era como a mesa da cozinha, o quintal, o cheiro do café e aquele relógio escurecido  na parede da cozinha, com o antigo passarinho saindo sem pedir licença, para dizer:

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  • 9 julho

    Poder desarmado

    Na esquina da minha memória, moram dois personagens. O primeiro é o Senhor da Chave. Um homem corpulento, de trajes impecáveis, que carrega no bolso do colete um único objeto: uma chave antiga, pesada, que não abre porta alguma que eu conheça. Ele a exibe não

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  • 8 julho

    Fragmentos de mais uma noite em claro

    Abro os olhos e vejo que o sol vespertino de um certo domingo ainda teima em transmitir um pouco de vida a um fétido e pestilento cômodo. Pelas frestas da janela, a luz do sol ilumina meu quarto, aparentemente vandalizado por poderosos demônios desconhecidos.

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  • 5 julho

    “digitando… ”

    | Um traço vertical. Pisca, pensativo, opressivo; poético. Acho que assim, quase girando o travessão introdutório, na busca pela correspondência de (um) outro, nos injetamos, como tentativa científica, numa releitura d’um passado literário: Trocamos cartas, qu

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  • 5 julho

    A vida como deveria ser

    A gente pensa na vida como algo a ser resolvido depois porque tem urgências urgentíssimas sempre por fazer! E esquece, com isso, a flor, o amor, o amar, o mar e as rimas todas que estão no ar. A gente pensa que tem tempo, mas tempo, na verdade, não há! E esque

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  • 5 julho

    BELINDA diante do espelho

    Belinda talvez fosse uma sonhadora. Incurável. Não era bonita. Sonhava com o conceito de formosura, camuflado em todas as coisas. Quando ouvia Milton Nascimento na introdução de O que será? (À flor da pele), conseguia enxergar toda a beleza. Ouvia dos amigos q

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  • 5 julho

    Quando duas palavras resolvem morar juntas

    “Sentipensante” — A primeira vez que li, acho que num texto relacionado à física quântica (o que só piorou a situação), achei que era um erro de digitação. Fiquei curiosa tentando decifrar o significado dessa estranha palavra, para mim meio parecida com CatDog

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  • 4 julho

    Quando Jesus encontrou os Orixás

    Certas manhãs nascem diferentes. Não porque o sol brilhe mais intenso, mas porque o mundo resolve cochichar histórias para quem tem ouvidos para escutar. Numa dessas manhãs, Jesus caminhava descalço, sozinho, por uma estrada de terra vermelha. O chão ainda gua

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  • 4 julho

    Despreparar

    Ou preparar. Quem sabe? A vida exige aprendizados. Será que nos preparamos para a luta diária ou aprendemos tudo enquanto ela acontece? Em que momento soubemos nos equilibrar sobre um salto alto, tirar os sapatos para brincar no parque com os filhos, passar no

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  • 2 julho

    No fim das contas

    Dizem que Clara tinha um termômetro dentro do peito. Não daqueles de mercúrio, prateados e precisos, mas um daqueles antigos, de líquido azul, que oscila com lentidão, sensível até à sombra de uma nuvem. Enquanto a cidade fervia em seus extremos, nas correrias

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  • 1 julho

    A reciclagem

    Passei a semana aturando o discursinho mequetrefe de que quase todo mundo se transforma no trânsito porque falta empatia. É isso mesmo, vou até repetir: quase todo mundo se transforma no trânsito porque falta empatia. Dá pra acreditar? Imagina só, aguentar trê

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  • 1 julho

    A Vida e as suas Escolhas

    E se, de repente, nos fosse dada a capacidade de vivenciar as consequências de decisões que não tomamos? Não falo, evidentemente, de questões rotineiras e banais, o que seria uma insanidade total. Mas somente de escolhas que podiam ter transformado nossas vida

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  • jun- 2026 -
    30 junho

    A burocracia universitária que expulsa e nega o direito de voar

    É difícil ver uma grande oportunidade bater à porta e saber que as chances de dar certo são poucas. Digo isso porque o processo de inscrição para a mobilidade acadêmica está aberto na UFBA. Eu sempre soube que, ao concluir minha graduação, gostaria de tentar f

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  • 29 junho

    Caso verdade

    Uma. Duas. Três. Já eram suficientes para tirar a paciência de qualquer um, mas não parou por aí. Aos poucos, seguindo o mau exemplo, os vizinhos começaram a depositar suas sacas de lixo na calçada alheia. Alguns moravam perto, entretanto, logo chegariam os ma

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  • 28 junho

    Quem escolhe o vencedor?

    Quem inventou a Dança das Cadeiras provavelmente nunca imaginou que estava ensinando biologia. A brincadeira é simples: coloca-se uma cadeira a menos que o número de participantes. A música começa, todo mundo circula e, quando ela para, vence quem conseguir se

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  • 28 junho

    Colóquio – simples e grandioso demais – de um café da manhã domingueiro

    — Eu queria tomar um café com alguém que parecia um livro interessante, mas dormi antes de chegar ao primeiro capítulo — disse Clara, mexendo o café fumegante, como que procurando um tête-à-tête com a leitura da borra, submersa, no fundo da xícara. Joaquim não

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  • 28 junho

    Quem foi Maria?

    Outro dia fiquei alarmada com a possibilidade de ficar demente a ponto de não reconhecer mais quem sou. Pensei: vou escrever para mim mesma. Um diário, talvez possa ajudar a resgatar a minha identidade. Um fio de esperança porque não há garantia de que tal lei

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  • 28 junho

    Fantasias

    — O que foi dessa vez, Noêmia? — Sei lá. Não está funcionando. — Você sabe o trabalho que me deu arrumar essa fantasia de bombeiro, né? — Calculo. — E não era isso que você queria? Um bombeiro para apagar seu fogo com uma mangueira enorme? — Então… — Então, o

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  • 28 junho

    O Rei, o poeta, a mulher e o mar

    Conto publicado no livro O rei, o poeta, a mulher e o mar Um reino é algo muito sério. É algo místico, um poema, embora inacabado – posto que um reino situa-se no lugar dos sonhos, em terras longínquas da memória – mas vivo e pulsante. Tudo já se desfez, tudo

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  • 27 junho

    A alegria das pequenezas

    — Olha o que eu achei! — O que é isso? — Um mixer, menina! Um mini mixer! E ainda funciona à pilha. Já pensou? Posso levar para qualquer lugar. — Levar? Para onde? — Para onde eu quiser! — Você só pode estar doida. Tanta alegria por causa de um mini mixer? — A

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  • 27 junho

    Qual seu sonho hoje?

    Talvez a melhor maneira de realizar sonhos seja reparti-los em porções diárias. Se sonhar é a realização de desejos, como disse Freud, o pai da psicanálise, até mesmo os que se disfarçam de pesadelos tentam construir novos significados para abrir nossos caminh

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  • 25 junho

    Regulação emocional

    Há um aquário dentro do meu peito. É uma caixa de vidro invisível onde as emoções nadam como peixes de cores e tamanhos diversos. Alguns pequenos e ágeis, prateados como a alegria de uma manhã de sol depois da chuva. Outros são lentos, escuros, quase como engu

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  • 24 junho

    O entregador

    O café esfriava enquanto eu assistia à saga do entregador, em frente à portaria, tentando descarregar do furgãozinho um pacote grande e pesado. A situação era cômica: ele andava de um lado para o outro, movia a encomenda pra lá e pra cá, e terminava sempre com

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  • 24 junho

    Adalberto, O Invejoso

    Dizem por aí que o Sr. Adalberto de Castro venceu na vida. Conforme seu obituário, esse dedicado empresário do setor têxtil aprendeu, desde cedo, o valor do trabalho. Ainda menino, começou a trabalhar como engraxate. Sem muito tempo para frivolidades, abandono

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  • 21 junho

    A Copa das geladeiras

    Existem fenômenos que a ciência ainda não conseguiu explicar. As pirâmides do Egito. A matéria escura. O motivo pelo qual abrimos a geladeira durante os jogos da Copa do Mundo. O melhor é que todo mundo faz isso. Se você está assistindo a Copa do Mundo com um

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  • 21 junho

    Voos mais altos que nós mesmos

    O piso são nuvens; entre o céu e a terra, tal qual um dito rodapé, eis o cinturão cintilante que traz a cor das bagagens, no compartimento acima da cabeça e no nível do pé: laranja e amarela. Sigo fotografando estrelas sobre o oceano, a 12km de altitude, alara

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  • 21 junho

    VÂNIA está nua

    Vânia sempre sonhou morar em Santa Teresa. Tinha um monte de amigos por lá. Frequentava os bares da moda, andava de bonde e se admirava com a quantidade de centros culturais e casarões históricos, subindo e descendo pelas ladeiras de paralelepípedos e trilhos.

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