Crônicas

  • ago- 2026 -
    2 agosto

    Se eu me perder

    O silêncio cresceu com a sombra mais densa. Então, os fones acenderam as lâmpadas incandescentes da plataforma, que pousava, num instante eterno, sobre a água. Era um simples trajeto de retorno à casa: sobre rodas que não tinha controle, observava o horizonte em que nada tinha fim, tampouco início. De repente, uma centelha flutuou acima, no compasso de seu coração.  Itália. Fevereiro. Março. Aquele abraço… “Um simples caso de sorte genuína

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  • 2 agosto

    SOLIDÃO

    Do nada, ela resolveu se isolar do mundo. Sumir do mapa. Escafeder-se. Largar tudo de vez. Pensou numa viagem solitária de barco pelos oceanos. Mas Yolanda nem sabia nadar. Aposentada pelo INSS, seu último emprego foi como caixa do Banco do Brasil. Lidou com o público e com a absoluta contrariedade de fazer isso. Tinha dias que parecia explodir. Controlou-se à base de comprimidos e orações. Não tinha mais ninguém, nem amigos nem família. Sua única filha, f

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  • 2 agosto

    Amém

    Por debaixo da porta, a convocação. Primeira chamada às 19h. Salão lotado, ordem do dia sobre as cadeiras. Quando viu “3º item — sorteio das vagas”, Severo percebeu que cometera um erro grave: não tinha jantado. Leitura da ata.— Amém.Leitura do orçamento.— Amém.Leitura da troca do capacho.— Amém. … Sorteio das vagas. Aí o inferno começa. — Alguém tem algo a colocar antes do sorteio? A senhora do 1º andar logo se manifesta: — Temos que estabelec

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  • 2 agosto

    POLICARPO

    É Policarpo, seu país não veio, não vingou… A bandeira que tremula na haste não conta mais as glórias do passado (se é que um dia já contou) e tampouco vislumbra as glórias do presente… Sua pátria, escondida entre farrapos, negociações e falsas intenções, desmorona todo dia. Todos os dias! No trabalhador que sua e sangra e não descansa! Na esquina em que se perde uma outra infância! Nas escolas abandonadas e no futuro dos jovens. Na promessa quebrada em qu

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  • 1 agosto

    A loja do Joca

    — Oi! Vó do Digo, Vó do Digo! Eu tenho uma loja. Você quer comprar o que eu vendo? — Mas onde fica essa loja? Eu pergunto, com a maior naturalidade. — Peraí. Vou lá buscar. E saiu saltitando, feliz da vida com a possibilidade de fazer mais uma venda. Essa é a segunda empreitada comercial do Joca. Antes disso, foi caubói. Tinha cavalo, chapéu preto e colete de franjas. Depois virou dono de um caminhão de gado. Também foi tratorista. Mais tarde resolveu aban

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  • jul- 2026 -
    30 julho

    Sem direção

    Os humanos mais valentes creem que a solidão não vá corroer seus desejos, ao vagar pelo mundo sem olhos para fitar, que não é a forma mais sutil de ser gente. Passar minutos apreciando os outros se amontoarem em si, vagando em suas ideias ou cruzando pelas ruas frias e úmidas, pode nos trazer uma sabedoria solitária.  Porém, é uma companhia quase ausente de um par de mãos, que poderiam acalentar um nobre olhar. O oposto a esses instantes se percebe na

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  • 29 julho

    A tirania da coerência

    Desde cedo, acostumamo-nos a avaliar a coerência como uma elogiável característica a ser vista nas atitudes de algumas pessoas. Em sua ausência, as divergências entre o que se diz e o que se faz costumam ser apontadas com a virulência de que apenas os mais empedernidos moralistas dispõem. Mas uma vivência menos tirânica e intransigente pode sugerir que todos nós, sem exceção, refletimos em nossos atos as próprias contradições internas. Diferentemente de má

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  • 27 julho

    Semente

    A ladeira de paralelepípedos cria obstáculos até o ponto de ônibus. Mal amanhece, o café preto, o banho, a escova de dentes. A roupa, cuidadosamente separada no dia anterior, e a corrida de sempre para não perder a condução. O corpo magro vai contra o vento, e sopra uma canção nos seus ouvidos. Ela cantarola. No trânsito, procura na paisagem de sempre algum novo detalhe e, invariavelmente, encontra. Tudo está no mesmo lugar, mas seu olhar é novo a cada dia

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  • 26 julho

    Diário contemporâneo in 3 languages

    – A toast to every single person in this crazy world, Olivia!  – A toast to you, Bia! This is really big and kind! Assim inauguro uma noite de quinta-feira, com unbicchierino di vino rosso – ed un altro, chiuso e raffredattoin sè nel frigo, rosa – e minha ligação diária para Olivia, uma cineasta londrina que nunca se lembra direito do meu nome ou da minha história, ou qualquer coisa mínima dentro do guarda-chuva da mi

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  • 26 julho

    VANILDA não será mãe

    Acho que estou me tornando uma sociopata. Só fico à vontade quando estou enfiada no meu mundo. Concentrada, recolhida comigo, sem interferências. Os amigos me perguntam, Vanilda, você não vai conosco? Vanilda, você está tão sumida; Vanilda, você parece uma velha… Odeio ser colocada contra a parede. Será que não veem que preciso de reclusão? Não é pela idade, mas por escolha. A minha fase antissocial começou depois que constatei que odiava crianças. Podia s

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  • 25 julho

    Habite-se!

    Habitar é um estado de bem-aventurança. Nômades ou sedentários, sempre procuramos o nosso lugar. Talvez a casa seja a palavra mais valiosa do mundo, ao lado do amor. Vai muito além de um conjunto de paredes, cômodos e teto. O corpo também é casa, a pele que habita a superfície da sua cor, sente frio e calor; a alma que habita a profundidade, sente no exílio, falta e saudade. Polvos, moreias, tubarões, passarinhos, também têm seu ninho, sua toca. A casa é o

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  • 25 julho

    O coração negro do futebol

    Àqueles que acompanharam a Copa do Mundo não deve ter passado despercebida a presença maciça de jogadores negros nas partidas. Não me refiro obviamente às equipes da África Subsaariana (Cabo Verde, Costa do Marfim, Congo…) que, por sinal, a cada edição vêm melhorando seu desempenho, enfrentando de igual para igual seleções consagradas do Primeiro Mundo. E sim às poderosas esquadras europeias, que, apesar do sobe/desce dos últimos anos, permanecem na

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  • 25 julho

    O que fica?

    Ganhar é sempre bom? Depende. Pergunte a quem subiu na balança após um fim de semana prolongado: — Ganhei dois quilos. Nesse caso, “ganhar” não soa como vitória. Também se perde um compromisso, a paciência, o medo, uma oportunidade ou alguns quilos. A palavra é a mesma, mas o sentido muda conforme o que vai ou fica. As palavras têm faces. Como moedas, pessoas e quase tudo.  Outro dia ouvi alguém dizer: — Passou. Passou o quê? A Copa? A esperança da Argenti

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  • 24 julho

    Karim, a alegria da feira

    Ele chega com cara de sono. Não está tão cedo assim, são quase onze da manhã. A feira já vai bem animada quando o garoto surge entre a barraca de flores e a primeira de frutas. Vem com a mãe e a irmã mais nova no carrinho de bebê. Karim está com o cabelo desarrumado. Parece que foi tirado da cama agorinha. Não reclama, não faz birra. Segue obediente ao lado da mãe. Olha ao redor e vê mais pernas e a beirada dos tabuleiros armados com frutas, legumes e tudo

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  • 23 julho

    Memórias gravadas nas paredes

    As paredes de uma casa de infância raramente são apenas tijolos e tinta. Em Belford Roxo, onde o afeto era escasso e o ódio falava mais alto que os abraços, a literatura se fez presente para mim não na lombada de livros encadernados, mas no reboco. E, mais especificamente, na porta do banheiro. Acho que aquele era o refúgio do meu genitor, de quem à época ainda valia a pena chamar de pai. O lugar onde ele se trancava, acendia seus baseados e tentava fugir

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  • 23 julho

    O home e o neno

    Em novembro de 1957, nos cais de Ferrol, no norte da Espanha, um instante de dor humana pura se desenhou no ar frio da manhã. Uma mãe partia deixando para trás, seu marido, um filho e a vida inteira que conhecia, para seguir rumo a um oceano que prometia futuro, mas cobrava despedidas irreparáveis. Ali, entre malas gastas e lenços úmidos, o fotógrafo Manuel Ferrol ergueu discretamente uma câmera escondida sob o casaco. O que ele capturou não foi pose teatr

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  • 22 julho

    A Subversão de um Insone

    Desde criança, Armando sente verdadeiro fascínio pelas noites. Segundo ele, é de noite que sua mente consegue trabalhar mais eficaz e diligentemente. Independentemente da estação do ano e do lugar onde se encontra, noites quentes, frias, chuvosas e estreladas sempre despertam em seu interior o gozo pela vida e a curiosidade pelo desconhecido. Mais do que uma contemplação serena do universo e de seus mistérios, Armando embarca em excitantes e intermináveis

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  • 20 julho

    Tule preto

    Ela se trancou no quarto, triste que estava. Fechou atrás de si a porta. Aos poucos criou para si um mundo à parte. Mas o sol teimava em entrar pelas frestas da janela todas as manhãs. Fechou as janelas. Teceu com esmero um vestido longo e preto, de modo que seu corpo não mais se mostrasse. Lá fora, o tempo encarregava-se de transformar a vida. O vento sempre trazia mudanças. Dentro, tons sobre tons cuidadosamente escolhidos: todos escuros.  Rosas de

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  • 19 julho

    Escaneie para comer

    Fui almoçar com uma amiga. O garçom chegou sorridente, apontou um adesivo colado na mesa e disse: — O cardápio está no QR Code. Ela suspirou, sacou o celular da bolsa e começou a procurar o ícone da câmera. Fez uma cara de quem acabara de perder o apetite. — Esqueci os óculos de leitura em casa. Esses cardápios parecem bula de antibiótico. — Que saudade de um cardápio de papel. Bastava levantar os olhos. — Esse peixe é bom? — O risoto serve duas pessoas? —

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  • 19 julho

    A nora de REBECA

    Quando completou 65 anos, Rebeca deu uma festa em casa e chamou o filho, a nora e os netos. Morando sozinha, não podia se dar ao luxo de extravagâncias na cozinha, então encomendou salgadinhos e um bolo de chocolate com nozes, que o filho amava. Pediu que não chegassem tarde por causa das crianças. Ela também queria dormir cedo. Depois da novela das oito, que começava nove e meia, normalmente era a hora em que o sono chegava. Tinha recusado o convite do fi

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  • 19 julho

    Somos Latino-Americanos

    Somos latino-americanos! De sangue quente e Sol! Brasil, Bolívia, Peru… Um céu lindo de azul! Somos latino-americanos! De marcas antigas coloniais, línguas americanas, línguas ancestrais.  Somos latino-americanos, de rostos e cores particulares, singulares, mas, ao mesmo tempo, diversos: índios, negros e brancos! E somos muitos! E Somos tantos! Somos todos José Arcádio Buendia, formando Macondos em vários lugares! Em sonhos e em outras realidades! México,

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  • 18 julho

    Era só uma brincadeira

    Cara, na moral, foi só uma zoação. Olha o tamanho da confusão que armaram pra cima da gente, mano! Não dá pra entender esse povo fazendo essa zoeira toda. Dá um tempo! Parece que nunca tiveram 14 anos. Era só para tirar um sarro da tia na sala de aula, meu. Essa chata que vive querendo enfiar um monte de caretice na cabeça da gente, uns papos de cidadania, respeito, sociedade, essas coisas. Uns troços nada a ver, que não dão futuro, não rolam grana, não dã

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  • 18 julho

    Quem falou?

    Há palavras e frases que, de tanto serem repetidas, acabam se esvaziando. Ou talvez já nasçam assim: sem sustentação. Uma delas sempre me intriga. — Descansou. Não falo do descanso de um fim de semana, do fim do expediente ou das férias. Falo daquele outro. Morreu? Coitado… descansou. Morreu e descansou. Sempre me pergunto: quem decidiu isso? Quem garante que aquela pessoa estava cansada? Talvez ainda tivesse planos, uma viagem marcada, um livro aberto sob

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  • 17 julho

    Conversas picadas por aí

    Passo por uma mulher que fala ao telefone sobre alguém que lhe foi desagradável mas não escuto o motivo da reclamação. A voz dela fica na minha cabeça e imagino o que teria acontecido. E mais, se de fato ela tem razão em se sentir assim ou apenas recebeu de volta o que deu à outra. Não dá tempo de seguir adiante na elucubração porque a voz de um rapaz invade meus pensamentos e na hora sou levado a prestar atenção no seu drama universitário que ele expõe a

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  • 16 julho

    O Tempo Dobrado na Gaveta

    Tenho visitado a geriatria onde mamãe está passando uma temporada. A sala de visitas tem cheiro de álcool gel e saudade. As poltronas são de plástico lavável, cor de abóbora, uma delas é laranja, que tenta ser alegre mas não engana ninguém. Ali, todo final de semana os filhos se revezam na cadeira ao lado de outros idosos acamados. Dona Alzira, a vizinha de quarto de minha mãe, já não pergunta que dia é hoje. Perdeu a conta do tempo, lá pelo segundo ano de

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  • 15 julho

    A arte de não se levar a sério

    Poucas são as pessoas que realmente sabem como não se levarem a sério. Infelizmente, não faço parte desse privilegiado grupo. Mas posso afirmar que esses seres iluminados costumam ter uma expectativa de vida mais longeva que os demais mortais, com menos cortisol e mais endorfina. Em outras palavras, menos estresse e mais alegria. A bem da verdade, para não ficar apenas em elucubrações pseudocientíficas e melhor sustentar minha tese, usarei o exemplo de um

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  • 13 julho

    Sujeito homem

    — Tu é sujeito homem? A frase saiu como um soco. Mais agressiva até. Os dois envolvidos na discussão eram homens, não havia dúvidas, mas a pergunta era mais profunda: vinha para mexer com os brios. Para trazer à tona fraquezas ou revelar coragens. Seu corpo, um tanto menino, não acompanhava o tamanho da sua integridade. Não revelava quão grande era aquele ser juvenil. Suas razões, explicadas de modo atrapalhado, eram contundentes. Dispensavam eloquência e

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  • 12 julho

    MUSICALIDADES

    Nascera com o dom para a música. Precoce, Marília, com quatro anos já se aproximava do piano, como um beija-flor às flores. Uma profunda atração que deixava a todos impressionados. Com seus dois polegares tirava das teclas um som inédito. Futuras canções. A família, claro, providenciou uma professora. Aos seis, já arriscava o começo de algumas canções. Mas era mesmo no “cai cai, balão” que se realizava. Também esboçava, com o indicador, um “parabéns pra vo

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  • 12 julho

    De Diva de Cinema à Madame Mim na Flórida

    Sempre admirei o glamour dos cabelos ao vento. Grace Kelly, Audrey Hepburn, Tippi Hedren… todas sabiam, como ninguém, enrolar as madeixas em um lenço de seda, solto o bastante para deixar escapar charme e liberdade. As cenas de Ladrão de Casaca, Charade e The Birds me provocavam sonhos de princesa: eu, num conversível, óculos escuros, lenço estampado e vestido decotado, enquanto uma brisa perfumada acariciava meu rosto. Eis que a vida me presenteia com a c

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  • 11 julho

    GRITO DE GOL

    Um grito de gol não sai de uma superfície plano inclinada: a garganta. Ele irrompe de um outro lugar. Vem do fundo , sinuoso e labiríntico. Vem da pátria, seja verde e amarela, rubro-negra, tricolor… Pulsional, berra com a força e velocidade maiores que da própria bola, que estremece a rede, transferindo sua energia cinética para as suas malhas, resvalando no peito e retumbando nas batidas do coração do tocedor. Nos traçados da bola, que dribla num tempo l

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