Crônicas
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jun- 2026 -21 junho
A Copa das geladeiras
Existem fenômenos que a ciência ainda não conseguiu explicar. As pirâmides do Egito. A matéria escura. O motivo pelo qual abrimos a geladeira durante os jogos da Copa do Mundo. O melhor é que todo mundo faz isso. Se você está assistindo a Copa do Mundo com um
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21 junho
Voos mais altos que nós mesmos
O piso são nuvens; entre o céu e a terra, tal qual um dito rodapé, eis o cinturão cintilante que traz a cor das bagagens, no compartimento acima da cabeça e no nível do pé: laranja e amarela. Sigo fotografando estrelas sobre o oceano, a 12km de altitude, alara
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21 junho
VÂNIA está nua
Vânia sempre sonhou morar em Santa Teresa. Tinha um monte de amigos por lá. Frequentava os bares da moda, andava de bonde e se admirava com a quantidade de centros culturais e casarões históricos, subindo e descendo pelas ladeiras de paralelepípedos e trilhos.
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21 junho
Comédia romântica
Quando dois olhos se olham de uma maneira inesperada e se encontram e se sabem tão íntimos e tão inteiros, sente-se o fogo que arde sem se ver. Quando dois seres se veem próximos o bastante para dizer e celebrar o momento, vive-se o não contentar-se de content
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19 junho
Amor
Movimento I – Primeiros passos. Uma noite, à beira mar em um bar numa cidade no vasto litoral brasileiro… Ele disse: um centavo por seus pensamentos. Ela disse: valem menos do que isso. Ele disse: um verso por seus pensamentos. Ela disse: de quem? Ele di
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18 junho
Dores inevitáveis
A casa do senhor Elias cheira a livros velhos, café passado e madeira encerada. Nas paredes, não há quadros retos. Uma estante inclina-se para a esquerda, resultado de uma tentativa fracassada de montagem há quarenta anos. Ele a chama de “minha Torre de Pisa p
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15 junho
Egocentrismo
O alarido invade meus ouvidos ofendidos. Quero silêncio. Não tenho. Ainda é manhã e vespertino. Talvez até anoiteça, madrugue. Não sei. O barulho continua. Eu continuo. Queria poder parar os dois. Dormir? Acho que não. A vida me chama. Só a queria um pouco mai
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14 junho
Fragilidades Humanas
Todos nós temos um talento especial para dar nomes elegantes aos nossos defeitos. A preguiça vira “cansaço acumulado”. A teimosia atende por “firmeza de convicções”. O excesso de compras costuma ser tratado como “aproveitar uma op
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14 junho
Glória e o dia dos namorados
No início não dei tanta atenção. Podia ser só implicância ou mania besta. Cismou com o meu biquíni de oncinha. Até aí, tudo bem, tentei relevar. A maioria dos homens é inseguro mesmo. O curioso é que ele não via problema com as outras mulheres. — Glória, você
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14 junho
Tenho medo dos idiotas
Tenho medo dos idiotas… Porque os idiotas são todos extremistas! A resposta está sempre certa! Não importa argumento, não importa exemplo, não importa explicação! Tenho medo dos idiotas… Porque eles têm a voz e a vez! E não têm vergonha da medíocre pequenez! E
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13 junho
O amor de Cristo
São Paulo, cidade agraciada com o nome do mais célebre apóstolo do cristianismo, serviu de palco neste mês de junho a dois eventos de naturezas aparentemente irreconciliáveis que, no entanto, guardavam algo em comum: a capacidade de aglutinar multidões. De um
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13 junho
Reabastecer o Amor
Há pessoas que nos ensinam sem perceber. Ao longo da vida vamos colecionando ideias, frases, hábitos e pequenos exemplos que, por alguma razão, nos chamam a atenção. Nem sempre compreendemos imediatamente por que ficaram guardados. Mas ficam. Adormecidos em al
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10 junho
Um Fim de Tarde
A agitação urbana de um fim de tarde qualquer esconde a beleza dos detalhes de uma rotina, por vezes, sufocante. O encontro involuntário de corpos esconde histórias de superação e de fracasso. Rostos pálidos, corpos suados, almas vazias. A garotinha olha pela
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7 junho
Manteiga ou margarina?
Sempre tive aversão a manteiga. Desde a infância aquele tablete meloso e gorduroso colocado em um recipiente de vidro com tampa, invariavelmente lambuzada porque essa criatura ia se espalhando pelos cantos, me dava engulhos. Para meu desespero ela ocupava luga
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7 junho
INVISÍVEIS
Karolayne, ou Lane para os mais chegados, leva uma vida normal. Mora sozinha, de aluguel, numa casa de vila. Uma sala apertada acoplada à cozinha e, no andar de cima, um quartinho com banheiro: “minha suíte”, como ela chama. Acorda cedo, por volta das cinco da
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7 junho
Um homem, um barco e um tempo
Havia um barco, um homem e um tempo. Um barco de madeira, pequeno e velho. Um homem cansado, derrotado e velho. Um tempo desgastado, encrustado e velho. A morte já era companheira do homem, o banco de areia, o destino do barco e os ponteiros quebrados o fim de
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6 junho
O gordinho do STF
Quando Flávio Dino tomou posse como ministro do STF, o que nele se sobressaiu não foi o currículo, a trajetória política ou as ideias jurídicas. Foi o tamanho. Julgar os indivíduos pela primeira impressão é um defeito do ser humano, especialmente do brasileiro
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5 junho
Noites frias
Adoro noites frias. Sentir aquele ar frio entrando pelos pulmões traz uma quietude, uma paz. É um convite à contemplação. Deixo a janela do meu quarto sempre aberta até a hora de dormir. Me cubro, cobertas pesadas imobilizantes e não deixo nem o nariz de fora.
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4 junho
Reflexo de si
Ela o fez numa terça-feira comum, entre o primeiro e o segundo gole de café. Decidiu que tentaria encontrar a empatia. Não a palavra desgastada em discursos, não o conceito bonito das redes sociais. Mas a coisa viva, o fio de ouro que une as almas. A primeira
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1 junho
Voraz
Fico observando uma lagartixa colada no vidro da janela. Minha mãe diria que ela não tem modos! Arreganhada desse jeito, toda exposta. Minha filha se arrepiaria, sentiria medo, nojo. Não olharia. Eu a observo. Será que ela sabe que está assim tão exposta, tão
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maio- 2026 -31 maio
Ontológico, hedonismo e deletério
Nem tudo está perdido em matéria de palavras. Esta semana, em diferentes textos, encontrei ontológico, hedonismo e deletério. Uma delas, não confesso qual, me obrigou a ir ao dicionário. Não eram textos de filosofia profunda, apareceram como se fossem palavras
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31 maio
Eu não devia me chamar BETHÂNIA
Meus pais me deram esse nome porque se conheceram no show da cantora num teatro na Lagoa. Engraçado que nem gosto assim dela. Talvez por ter ouvido tanto minha mãe cantar. Após a morte de meu pai, então, era quase todo dia. Da Bethânia eu só gostava de “Olhos
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31 maio
O homem que ouvia estrelas
Pois só quem ama pode ter ouvidoCapaz de ouvir e de entender estrelas.— Olavo Bilac Havia um homem naquela cidade que buscava sempre os lugares mais altos e afastados. Depois de um dia cheio de trabalho, distrações e malcriações, ele subia morros, montanhas e
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30 maio
O ocaso do macho
A onda de feminicídios e a misoginia escancarada nas redes sociais costumam ser atribuídas à ação de influenciadores da machosfera e aos algoritmos raivosos da extrema direita. A explicação procede, mas pode ser ampliada. Numa abordagem, digamos, ‘psicossocial
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30 maio
O que sei de futebol?
De futebol mesmo, sei apenas que a bola é redonda e que, se ela entrar na trave do adversário, é gol. Agora, de Copa do Mundo eu sei. Sei muito. E sinto saudades; quantas saudades! A vida era coletiva, colorida, exibida, assumida e feliz. Muito feliz. A Copa d
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29 maio
Viver não é estar vivo
Não se pode chamar de viver o ato passivo de ver sem enxergar. Quase como um coadjuvante de si mesmo, um acessório da vida que corre aos seus olhos e você não estica a mão para encostar nela. Estar vivo nesse caso não é um ato de sobrevivência mas sim quase um
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28 maio
Longe de ser triste
O dia começa comum. Café passado, o jornal aberto na mesa da cozinha, o sol insistente atrás da cortina. É num intervalo banal, entre um gole e a leitura de uma manchete qualquer, que ela chega. Não é dor. É um silêncio que se instala no peito, um espaço quent
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25 maio
Visagem
A brisa da manhã invadiu seu quarto. Quase ninguém na rua. Ninguém em casa além dela. Desceu as escadas suavemente. O cheiro da manhã a entorpecia. Saiu a caminhar. Cabelos soltos, sonhos leves, pele arrepiada. Flutuando pelas ruas, não percebia os olhares atô
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24 maio
O futebol de hoje
Bola na trave, bola na rede, bola no ar. Lençol, trivela, drible de calcanhar… Bola no canto e falta marcada esperando o juiz apitar… Bola ao alto, jogada aérea, empurra-empurra e mudança no placar… Os olhos vidrados do menino e do moço e do senhor sentado no
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24 maio
Habitar o intervalo é preciso
“(…) Depois da chegada vem sempre a partida” Essa lógica, que Vinícius e Toquinho traduziram em música, pode nos ajudar a compreender melhor os pesares da vida. A dimensão de tempo entre a chegada e a partida, em alguns casos, é algo que podemos controlar, pro
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