Campista Cabral

Campista Cabral, leitor assíduo dos portugueses Camões e Pessoa, do poetinha Vinícius, herdou deles o gosto pelo soneto. A condensação dos temas do cotidiano, assim como a reflexão sobre o fazer poético, parece procurar a sua existência empírica ou, nas palavras do poeta, um rosto perfeito, na estrutura do soneto. Admirador e também leitor obsessivo de Umberto Eco, Ítalo Calvino, José Cardoso Pires, Lobo Antunes, do mestre Machado de Assis e do moçambicano Mia Couto, retira dessas leituras o gosto pela metalinguagem, o prazer em trabalhar um espaço de discussão da criação literária em sua prosa. A palavra, a todo instante, é objeto base dos contos e das crônicas. A memória, o dia-a-dia, o amor, as sensações do mundo e os sentidos e significados da vida estão presos nos mistérios e assombros da palavra.
  • Crônicas

    POLICARPO

    É Policarpo, seu país não veio, não vingou… A bandeira que tremula na haste não conta mais as glórias do passado (se é que um dia já contou) e tampouco vislumbra as glórias do presente… Sua pátria, escondida entre farrapos, negociações e falsas intenções, desmorona todo dia. Todos os dias! No trabalhador que sua e sang

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  • Sem categoria

    Nossas histórias

    Cada pessoa nesse mundo tem uma história pra contar! Já pensou nisso? E algumas dessas pessoas têm muitas histórias pra contar! Contar histórias faz parte de nós, criaturas humanas! E contamos o tempo, o amor, os dissabores e amarguras da vida, o vento, o contratempo e tudo o que é possível contar! Contamos pra nós mes

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  • Crônicas

    Somos Latino-Americanos

    Somos latino-americanos! De sangue quente e Sol! Brasil, Bolívia, Peru… Um céu lindo de azul! Somos latino-americanos! De marcas antigas coloniais, línguas americanas, línguas ancestrais.  Somos latino-americanos, de rostos e cores particulares, singulares, mas, ao mesmo tempo, diversos: índios, negros e brancos! E som

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  • Contos

    E O BRASIL FOI EMBORA

    É… Perdemos o jogo… E o Brasil foi embora! Foi-se embora a copa e o sonho… Mas qual sonho? Não saímos da copa no jogo contra a Noruega! Tínhamos saído bem antes, quando perdemos de 7x 1 para a Alemanha. Quando quase ficamos fora do torneio com uma péssima campanha nas eliminatórias. Não temos mais um futebol ofensivo e

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  • Crônicas

    A vida como deveria ser

    A gente pensa na vida como algo a ser resolvido depois porque tem urgências urgentíssimas sempre por fazer! E esquece, com isso, a flor, o amor, o amar, o mar e as rimas todas que estão no ar. A gente pensa que tem tempo, mas tempo, na verdade, não há! E esquece aquele encontro, o jogo com os amigos, simplesmente ficar

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  • Crônicas

    O Rei, o poeta, a mulher e o mar

    Conto publicado no livro O rei, o poeta, a mulher e o mar Um reino é algo muito sério. É algo místico, um poema, embora inacabado – posto que um reino situa-se no lugar dos sonhos, em terras longínquas da memória – mas vivo e pulsante. Tudo já se desfez, tudo se desfaz e tudo ainda está por se desfazer. Uma canção do t

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  • Crônicas

    Comédia romântica

    Quando dois olhos se olham de uma maneira inesperada e se encontram e se sabem tão íntimos e tão inteiros, sente-se o fogo que arde sem se ver. Quando dois seres se veem próximos o bastante para dizer e celebrar o momento, vive-se o não contentar-se de contente. Quando duas bocas esperam, ansiosas, o suave toque ou o r

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  • Crônicas

    Tenho medo dos idiotas

    Tenho medo dos idiotas… Porque os idiotas são todos extremistas! A resposta está sempre certa! Não importa argumento, não importa exemplo, não importa explicação! Tenho medo dos idiotas… Porque eles têm a voz e a vez! E não têm vergonha da medíocre pequenez! Eles se multiplicam aos milhões! E por mais que causem estrag

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  • Crônicas

    Um homem, um barco e um tempo

    Havia um barco, um homem e um tempo. Um barco de madeira, pequeno e velho. Um homem cansado, derrotado e velho. Um tempo desgastado, encrustado e velho. A morte já era companheira do homem, o banco de areia, o destino do barco e os ponteiros quebrados o fim de um tempo. Mas, de repente… E as histórias são sempre cheias

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  • Crônicas

    O homem que ouvia estrelas

    Pois só quem ama pode ter ouvidoCapaz de ouvir e de entender estrelas.— Olavo Bilac Havia um homem naquela cidade que buscava sempre os lugares mais altos e afastados. Depois de um dia cheio de trabalho, distrações e malcriações, ele subia morros, montanhas e prédios. Fosse onde fosse. Fosse como fosse… Depois de um te

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  • Crônicas

    O futebol de hoje

    Bola na trave, bola na rede, bola no ar. Lençol, trivela, drible de calcanhar… Bola no canto e falta marcada esperando o juiz apitar… Bola ao alto, jogada aérea, empurra-empurra e mudança no placar… Os olhos vidrados do menino e do moço e do senhor sentado no sofá acompanham a bola. É o ser e o estar. O sorriso da meni

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  • Crônicas

    Desistências e permanências

    A sala de aula, em algum momento, ficará vazia. Quando isso ocorrer, morrerá um país… A história do professor no Brasil é feita de desistências e permanências cotidianas. Desistências que fazem parte do diário, do quadro e do boletim. Permanências que fazem parte do olhar, do sentir e do fazer… Desisto de ser professor

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  • Crônicas

    Dia das Mães

    Mãe. Palavra pequena que significa tanta coisa! Abraço, afago, aconchego mesmo no cansaço, presença, cuidado… Mãe. A matemática de contar feijão! Um a um na palma da mão… Mãe. Saber a palavra certa ou não ter palavra alguma e mesmo assim, falar com os olhos. Mãe. Toda mãe tem seus silêncios! E os silêncios continuam a

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  • Crônicas

    Crônica sobre uma foto: a estação rodoviária

    Organizando algumas caixas no armário, umas com papel sem importância ou importância pouca e burocrática — notas de cartão de crédito, documentos, tíquetes de estacionamento —, deparei-me com algumas fotos antigas. Fotos do tempo de eu-menino, como diria Manuel Bandeira. Mas não era Pasárgada, não. Era São Roque, cidad

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  • Poesias de 1 a 99

    Poema #17: Quem é poeta quem é vigia

    Soldado canta tristeSentinela!Quem é poeta? Vento que prestaBarco a velaQuem é poeta? Pescador lança triste o anzolPoeta!Quem é vigia? Vento que espiaAmor que esfriaQuem é vigia? Moça olha triste o céuEspera.Quem é poeta?Quem é vigia? Vento que prestaVento que espiaBarco a velaSó poesia.

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  • Crônicas

    O corpo de palavras

    O corpo de palavras é o poema e o conto e a crônica e o romance. O corpo de palavras. A palavra serpenteia, ondeia, se insinua e, nua, causa alvoroço no poeta, no romancista, enfim… A palavra e o corpo. O corpo de palavras por si só basta. E afasta. E afasta as coisas e o mundo e a realidade. Pensa ser real. Quer se ap

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  • Crônicas

    Coisas de vento para prosa

    Coisas de vento, bola no chão, areia, rosto no campo e suor. Pedras. Pedradas. Horizonte longe e nada. Mais nada além da bola e da vontade do jogo entre os moleques. Sol a sol e coisas de vento, sem tempo. Momento. Momento de pensar nas coisas do tempo que passou. O menino que fui um dia joga na estrada. Pedras nas jan

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  • Crônicas

    A era do instantâneo

    Tirar uma foto, fazer uma selfie, mostrar-se e mostrar os outros o tempo inteiro, todo o tempo. Caras e bocas e frases de efeito, curtidas e vídeos, imagens para todos os lados! O que estamos fazendo com o nosso tempo? Nem mesmo Narciso seria tão cruel consigo mesmo! O século XXI tem promovido, além da revolução digita

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  • Poesias de 1 a 99

    Poema #16: Poema ao vento

    Poema ao ventoCesto vazio em pouso certoCascalho de ilusõesSem tempo. Poema ao ventoE nenhuma certeza das coisasNenhuma certeza. De repente uma linha intrometida atrapalha o poema, como um rio conquista com ajuda das águas a terra branca, areia, alguma coisa separando os versos e construindo as margens. Há um menino do

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  • Crônicas

    A Bomba

    São tantas as guerras que a gente pensa que é assim mesmo…Que o ser humano é bélico por natureza… Pensando bem, o serhumano se parece com uma bomba… A bomba está prestes a explodir! Dentro do coração, do pensamento, num aceno, num senão. A bomba está prestes a explodir qualquer nação! Atenta e experiente na ganância do

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  • Cães & Pessoas

    Crônica Canina – parte 5: Uma crônica de despedida

    Escrever crônicas de despedida não é uma boa experiência… Escrever crônicas de despedida, no fundo, tem o papel de confortar o coração, desabafar, cumprir um rito. No entanto, escrever uma crônica de despedida é sempre doloroso! Eu não pensei que escreveria esta crônica… Entre tantos assuntos e os assuntos que repetida

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  • Crônicas

    Tempos modernos

    Eu procuro entender um pouco sobre as máquinas. Procuro mesmo. É verdade! Não sou muito simpático a elas não! Sabe qual o problema? É o apertar de botões! Aperta aqui, aperta ali! Imagino Carlitos em Tempos Modernos, enlouquecido entre as engrenagens. Aperta aqui, aperta ali e as imagens vão se acumulando na tela do co

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  • Crônicas

    De quando não havia internet

    Você sabia que já existiu uma vida completamente diferente da que temos hoje sem internet? Sim, conseguíamos viver sem internet! O telefone servia simplesmente para que pudéssemos falar com alguém! Falar de fato! Falar diretamente com alguém! Estranho falar com alguém hoje pelo celular! Muitos preferem os intermináveis

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  • Crônicas

    Uma crônica fora da lata

    A polêmica no carnaval (entre tantas e recorrentes polêmicas de carnavais e redes sociais) tem a ver com uma lata. Mas não uma lata qualquer, uma lata física e, ao mesmo tempo, metafórica. Coisas de nossos tempos tão absurdos! Não vou explicar o desfile e tampouco descrever a escola de samba, personagem ímpar de um ano

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  • Crônicas

    Pierrô e Colombina

    Aquela canção no rádio e os pés e as mãos que batem e se batem. Chão e mesa. Suor e serpentina. Confetes e alegrias. E o moço de pierrô olha para a moça de colombina. E se olham mais até o virar da esquina. Bom, o carnaval chegou e o ano, enfim, começa a partir daí. Quantos não vivem dizendo isso a cada novo carnaval,

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  • Poesias de 1 a 99

    Poema #15: Um Soneto da Lua

    Ainda que sejam versos pequenos…Uns simples versos que sejam ao menos,os ventos os empurrarão no tempoonde serão o eterno consentimento. Toda a lua brilha alta e resplandeceporque deseja muito o amor do mar.Acaricia um instante e depois reflete:é a busca de nunca encontrar. Como um solitário que ri na estradaé toda ela

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  • Cães & Pessoas

    Uma Crônica Canina – parte 4: Entre Cães e Monstros

    Em que ponto da nossa trajetória como humanas criaturas vamos nos perdendo de nossa essência?  Em que ponto dessa trajetória viramos bichos, ou melhor, monstros? Há uma semana, um crime brutal ocorreu em Santa Catarina, a violenta e absurda morte do cachorro Orelha! Morte cruel, inaceitável e que nos coloca a incô

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  • Crônicas

    Quando deixamos de ser heróis

    É… Não sei em que ponto e não sei e talvez nunca saiba o momento exato em que deixamos de ser heróis para nos transformarmos em vilões! Não deveria ser assim, mas é… Quando crianças, olhamos nossos pais como nossos heróis, prontos para nos defender! Entretanto, com o passar do tempo e o embaçar ou desembaçar das

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  • Crônicas

    Nada de novo no front II

    Começamos mais um ano e notícias de guerra voam pelos ares, atravessam fronteiras e chegam às nossas casas, em todas as casas. A despeito da poesia e da vida, velhos amargurados jogam meninos no campo de batalha e exigem vitória. A despeito do pulso e do pulsar das coisas, estes mesmos velhos, donos do mundo, brincam c

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  • Crônicas

    A última crônica do ano – amanhã há de ser outro dia

    E terminamos mais um ano. Mais um ano que corre e corremos juntos para não perder a viagem! Empacotamos novos e velhos sonhos para o ano que virá… O mês de dezembro é assim: o último mês do ano é tão apressado, mas tão apressado que parece querer o novo calendário! E correm as pessoas com as festas de Natal e as festas

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