Poesias de 1 a 99

Poema #17: Quem é poeta quem é vigia

Soldado canta triste
Sentinela!
Quem é poeta?

Vento que presta
Barco a vela

Quem é poeta?

Pescador lança triste o anzol
Poeta!
Quem é vigia?

Vento que espia
Amor que esfria

Quem é vigia?

Moça olha triste o céu
Espera.
Quem é poeta?
Quem é vigia?

Vento que presta
Vento que espia
Barco a vela
Só poesia.

Campista Cabral

Campista Cabral, leitor assíduo dos portugueses Camões e Pessoa, do poetinha Vinícius, herdou deles o gosto pelo soneto. A condensação dos temas do cotidiano, assim como a reflexão sobre o fazer poético, parece procurar a sua existência empírica ou, nas palavras do poeta, um rosto perfeito, na estrutura do soneto. Admirador e também leitor obsessivo de Umberto Eco, Ítalo Calvino, José Cardoso Pires, Lobo Antunes, do mestre Machado de Assis e do moçambicano Mia Couto, retira dessas leituras o gosto pela metalinguagem, o prazer em trabalhar um espaço de discussão da criação literária em sua prosa. A palavra, a todo instante, é objeto base dos contos e das crônicas. A memória, o dia-a-dia, o amor, as sensações do mundo e os sentidos e significados da vida estão presos nos mistérios e assombros da palavra.

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