Crônicas

Somos Latino-Americanos

Somos latino-americanos! De sangue quente e Sol! Brasil, Bolívia, Peru… Um céu lindo de azul!

Somos latino-americanos! De marcas antigas coloniais, línguas americanas, línguas ancestrais. 

Somos latino-americanos, de rostos e cores particulares, singulares, mas, ao mesmo tempo, diversos: índios, negros e brancos! E somos muitos! E Somos tantos!

Somos todos José Arcádio Buendia, formando Macondos em vários lugares! Em sonhos e em outras realidades!

México, Cuba, Haiti, República Dominicana…

Somos a poesia de Neruda e a voz de Mílton Nascimento, o Bituca! Samba, salsa, tango!

Somos latino-americanos! De sons e suingues, de mares e montanhas! Chile, Argentina, Colômbia, Venezuela…

Somos Latino-americanos, lutamos contra os vários enganos, de veias abertas e prantos, ouro, prata e histórias! Carregamos memórias! Uruguai, Paraguai, Equador…

E só nós sabemos o tamanho da nossa dor!

Costa Rica, Guatemala, El Salvador…

De sombrero e guacamole, bolo mineiro e azeite de dendê, somos tempero, esteio, estrela e poeira!

Honduras, Nicarágua, Panamá…

E esta terra de montanhas e lagos, florestas e mares é onde o futuro haverá!

Somos latino-americanos e somos a mais conflitante poesia!

A prosa e a poesia de uma América Latina inteira! De bandeiras e olhares, de músicas e linguagens, de marcantes paisagens: Andes, Amazônia, Patagônia…

Somos latino-americanos!

Campista Cabral

Campista Cabral, leitor assíduo dos portugueses Camões e Pessoa, do poetinha Vinícius, herdou deles o gosto pelo soneto. A condensação dos temas do cotidiano, assim como a reflexão sobre o fazer poético, parece procurar a sua existência empírica ou, nas palavras do poeta, um rosto perfeito, na estrutura do soneto. Admirador e também leitor obsessivo de Umberto Eco, Ítalo Calvino, José Cardoso Pires, Lobo Antunes, do mestre Machado de Assis e do moçambicano Mia Couto, retira dessas leituras o gosto pela metalinguagem, o prazer em trabalhar um espaço de discussão da criação literária em sua prosa. A palavra, a todo instante, é objeto base dos contos e das crônicas. A memória, o dia-a-dia, o amor, as sensações do mundo e os sentidos e significados da vida estão presos nos mistérios e assombros da palavra.

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